Papo de Box: Alex volta à pista…

Fui convidado a participar de uma corrida de Top Race ((TRv6) na Argentina, no dia 9 de Agosto 2009. La Carrera de la Historia é o nome da competição que foi disputada no Autódromo de La Plata em três baterias com três pilotos diferentes:
Um piloto titular, um piloto convidado e um piloto aposentado que não tenha participado de corridas desde 2005.
 
Na minha equipe, O piloto titular foi Beto Monteiro e o convidado Roberval Andrade, ambos campeões da Formula Truck.
Nosso carro é um VW Passat da equipe de Luiz Di Palma Jr.
 
A Top Race é a Stock Cars Argentina. Todos os carros são iguais e usam um motor Jaguar V6, 3.5 com 350 Cavalos e com carrocerias diferentes:
– Mercedes C-3.5, Peugeot 405, VW Passat, Ford Mondeo e Chevolet Vectra,
 
A categoria ficou conhecida no Brasil quando se apresentou como preliminar da última corrida de Formula Truck em São Paulo, trazendo como principal atração o ex-campeão mundial de Formula 1 Jacques Villeneuve.
 
Para mim, essa volta às pistas significa mais um ensaio no laboratório de vida que estou vivendo enquanto escrevo meu próximo livro, que aborda as quatro etapas da corrida da vida dos seres humanos: Sonho, Sucesso, Significado e Superação.
 
Race Report:
 
Depois de 17 anos sem acelerar um carro de corrida recebi com surpresa o convite de Beto Monteiro. Pedi um tempo para conversar com Deus. Queria saber se isso vinha dele ou não. Quando tive certeza, parti para a ação. Tinha apenas sete dias para adquirir alguma forma física e técnica. Foram cinco dias de academia e dois correndo de Kart com a turma da Aseka e o Kilha para testar os reflexos e capacidade de concentração. Ganhei as duas corridas de Kart. Consegui tirar uma carteira de piloto por telefone e um Hans emprestado no último dia. Cheguei à Argentina com a convicção de que havia ganhado mais um presente de Deus.
 
A Recepção
 
Fomos muito bem recebidos no aeroporto internacional de Buenos Aires pelo Marcos Di Palma, o piloto mais popular e bem pago da Argentina. Ele veio nos buscar em seu avião particular e nos levou ao Aeropark no centro da cidade. Foi o cartão de visita do tratamento VIP que Beto, Roberval Andrade e eu recebemos dos argentinos no fim de semana inteiro. A rivalidade que temos com “los hermanos” no futebol, não existe no automobilismo.
 
O Carro
 
O carro era um foguete! O motorzão tinha um berro de estourar os tímpanos e acelerava uma barbaridade. Chegávamos ao fim da reta a 255 km/h e entrávamos num curvão de alta velocidade daqueles banidos da Fórmula 1 em nome da segurança. Era uma ferradura de raio muuuuito longo.
 
El curvon parecia não ter fim apesar de o atravessarmos a mais 200 por hora, toreando 350 cavalos e 1400 quilos de carro pulando que nem boi de rodeio chicoteado pelas ondulações da pista, por uma força centrífuga descomunal e uma reação centrípeta animal produzida pelos pneus slicks, tentando agarrar-se ao asfalto com garras de leopardo enquanto eu brigava freneticamente com o pesado volante para manter a besta fera na trajetória.
 
Dentro dessa “muy nerviosa viatura” eu travava outra luta com meu cérebro ditando ordens ao pé direito: – Pise fundo! Freie mais tarde! Acelere mais cedo! Seja macho! Do outro lado os músculos do pescoço, braços e corpo inteiro protestavam veementemente apoiados pelo instinto de preservação.
 
Por todo o traçado o filme passava tão acelerado que minha mente mal dava conta de processar tantas informações e tomar tantas decisões em frações de segundo. Adrenalinado ao máximo exigi tanto de mim mesmo que parei no box depois de uma hora de treino com a sensação de que os dois olhos iam pular fora das cavidades oculares. O macacão estava encharcado de suor e uma fumaça de vapor saia de dentro do capacete em contato com o ar frio do inverno quando o saquei da cabeça.
 
A Corrida
 
Apesar de todo o esforço fui dois segundos mais lento que os pilotos de ponta e décimo quinto colocado entre os aposentados, usando pneus velhos. Mas a ordem de largada para minha bateria foi a de chegada de Roberval na anterior: Meu plano era ganhar umas seis ou sete posições. Mas os 33 colegas aposentados largaram como um bando de velhos tarados querendo ganhar a corrida na primeira volta. Resultado: voaram portas, para choques e carros para todos os lados na segunda curva.
 
Em vez de ganhar, perdi meia dúzia de posições. Milagrosamente saí do meio da confusão com meu carro inteiro. Duas voltas mais tarde o Safety Car entrou na pista quando dois carros bateram de frente e espalharam um montão de destroços pela pista. Os dinossauros aprontaram tanto que terminei na mesma posição que larguei: Vigésimo quinto lugar…
 
Mas cheguei até o fim, feliz da vida por ter escapado inteiro dessa corrida muito punk!
 
As Lições
 
– Com mais músculos, treinos e um jogo de pneus novos eu poderia andar bem melhor. Mas o sucesso dessa experiência não é medido em performance. A verdade é que o desafio foi maior que minhas forças físicas e capacidade técnica. Levar uma maquina tão rápida até a linha de chegada já foi uma grande superação de minhas limitações atuais. Alinhar para a largada de uma corrida tão importante sem ter que correr atrás de patrocinadores, comprar um carro, montar uma equipe e tudo que isso implica, também foi algo muito alem de minhas possibilidades.
 
– A maneira como tudo aconteceu me dá a certeza de que o Homem lá em cima orquestrou esse fim de semana como laboratório para testar na pratica os princípios de superação que ele está me ensinando. E o maior deles é abrir mão do controle do carro de minha vida para que Ele seja o piloto.
 
– Além de bom piloto ele me ama tanto que me deu de presente um fim de semana fazendo o que gosto de fazer e a alegria de me divertir como nunca com a aventura, o fluxo da adrenalina, o desafio, o cheiro da gasolina e borracha frita no asfalto. Com meus colegas de equipe, e Marquito Di Palma, uma figuraça! E também com a turma de Atletas de Cristo da Argentina que compareceu em peso para dar uma força.
 
– Tive a oportunidade de sentir de perto os dramas que os atletas atuais estão vivendo dentro e fora das pistas em suas batalhas entre o bem e o mal. Isso me ajuda a entendê-los e apoiá-los melhor.
 
– Pude compreender melhor os papéis que representamos e as identidades que assumimos nas diferentes etapas da corrida da vida e constatar que o autor do livro da historia que ele está escrevendo através de minha existência sabe o que está fazendo. E tudo isso só aumenta a certeza de que ele me ama e é muito bom em tudo que faz!
 
Alex Ribeiro
 

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