O avanço dos veículos eletrificados no Brasil ganhou mais um capítulo significativo nesta semana. Os dados da Fenabrave referentes a abril de 2026 mostram que o BYD Dolphin Mini consolidou sua presença entre os dez automóveis mais vendidos do país, com mais de 18.396 unidades emplacadas no acumulado do ano — números que rivalizam com modelos tradicionais de marcas consagradas há décadas no mercado nacional.
O BYD Song, SUV elétrico da marca chinesa, também demonstra força crescente: no período até 21 de abril, o modelo acumulou 3.589 unidades no mês, com crescimento de 9,3% frente ao mesmo período de março, figurando entre os quatro SUVs mais vendidos do Brasil. A ascensão das marcas chinesas, que até pouco tempo eram vistas com ceticismo pelo mercado brasileiro, é hoje um fato inegável nos dados oficiais de emplacamentos.
No entanto, esse cenário favorável enfrenta uma contagem regressiva tarifária. O governo federal mantém o cronograma de reintrodução progressiva dos impostos de importação sobre veículos eletrificados: a partir de julho de 2026, a alíquota para carros montados e semidesmontados (SKD) chegará a 35% — igualando-se à tarifa cobrada sobre carros a combustão importados. Hoje, essas alíquotas variam entre 25% e 30%.
Para os veículos desmontados (CKD) — categoria usada por montadoras que realizam a montagem final no Brasil —, o impacto é ainda mais expressivo: a tarifa atual de 14% saltará para 35% em janeiro de 2027, representando um aumento de mais de 150% em apenas dois anos.
Diante desse quadro, as montadoras chinesas aceleraram seus planos de produção local. A BYD já opera sua fábrica em Camaçari (BA), onde monta os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro, e confirmou que o Song Plus também será produzido na unidade baiana ainda em 2026. A GWM, por sua vez, utiliza a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) para montar o Haval H6. A produção local é a principal estratégia das marcas para manter a competitividade de preços após o aumento tarifário.
Para o consumidor, a mensagem é clara: quem planeja adquirir um elétrico ou híbrido importado terá preços mais atrativos nos próximos meses do que após julho de 2026. Projeções do setor estimam elevações de R$ 15 mil a R$ 30 mil nos modelos de entrada da categoria, dependendo do grau de importação de cada veículo.

