Fórmula 1 reduz 35% das emissões de carbono e confirma meta Net Zero até 2030

Formula 1 Reduz 35 Emissoes Carbono Net Zero 2030

A Fórmula 1 deu um passo decisivo em direção à sustentabilidade. O relatório Impact 2026, divulgado nesta quarta-feira (17), confirma que a categoria reduziu 35% de sua pegada de carbono em relação à linha de base estabelecida em 2018 e mantém o cronograma para alcançar a neutralidade de emissões líquidas (Net Zero) até 2030.

Desde 2018, a F1 eliminou quase 80.000 toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) de suas operações – volume equivalente às emissões de uma pessoa voando mais de 500 milhões de quilômetros. O resultado demonstra que é possível crescer globalmente enquanto se reduz o impacto ambiental.

Logística e transporte: A grande transformação

O transporte de carga representa um dos maiores desafios de sustentabilidade na Fórmula 1. Pela primeira vez, a categoria implementou soluções de baixo carbono em todas as modalidades de frete – terrestre, aéreo e marítimo.

A estratégia inclui:

  • Redução de 27% nas emissões de viagem (mais de 21.000 tCO2e economizadas)
  • Substituição progressiva do transporte aéreo por marítimo e hubs regionais
  • Mais de 50% do frete de transmissão será removido do transporte aéreo até 2030
  • Investimento dobrado ano a ano em Combustível Sustentável de Aviação (SAF) desde 2024

O SAF reduz em aproximadamente 80% as emissões por voo em comparação com o combustível de aviação convencional. Em 2025, a F1 fez seu primeiro investimento em combustível marítimo sustentável, estabelecendo uma solução de longo prazo para o transporte de carga via marítima.

Fábricas e instalações: Energia 100% renovável

As fábricas, instalações e escritórios das equipes passaram por uma transformação energética significativa. Em colaboração com as 11 equipes do grid, a F1 promoveu a transição para fontes de energia renovável em todas as instalações.

Os resultados impressionam:

  • Redução de 64% nas emissões de fábricas e escritórios (mais de 37.000 tCO2e)
  • Queda de 14% apenas em relação a 2024
  • Implementação de sistemas solares, baterias e HVO (Óleo Vegetal Hidratado)

Dias de corrida: Inovação nos autódromos

A organização dos Grandes Prêmios também passou por mudanças sustentáveis profundas. Em 2025, todas as etapas europeias implementaram soluções de energia alternativa nos paddocks, boxes e centros técnicos.

Essa iniciativa resultou em:

  • Redução de 17% nas emissões operacionais por corrida (mais de 1.000 tCO2e)
  • Uso de geradores movidos a HVO, painéis solares e sistemas de bateria
  • Operação remota de transmissão, reduzindo necessidade de viagens

É importante destacar que esses avanços foram conquistados enquanto o calendário da F1 crescia de 21 corridas em 2018 para 24 em 2025.

“Ações, não apenas palavras”

Stefano Domenicali, Presidente e CEO da Fórmula 1, destacou a importância dos resultados concretos: “Na Fórmula 1, agimos e mostramos nossas conquistas através de fatos, não apenas palavras. Estou incrivelmente orgulhoso de permanecermos no caminho certo para alcançar o Net Zero até 2030, possibilitado pelo esforço coletivo em todo o esporte para reduzir nosso impacto ambiental.”

O executivo ressaltou ainda que “da racionalização do calendário ao maior investimento em combustíveis sustentáveis e soluções de energia alternativa, reduzimos nossa pegada enquanto o esporte continua crescendo e alcançando novos públicos ao redor do mundo.”

Tecnologia que inspira o futuro

Ellen Jones, Diretora de ESG da Fórmula 1, enfatizou o papel pioneiro da categoria: “A sustentabilidade fundamenta cada decisão que tomamos, não apenas na pista, mas em como produzimos e entregamos nossos eventos icônicos ao redor do mundo.”

Segundo Jones, “ao dobrar o investimento da categoria em combustível sustentável de aviação, fazer nosso primeiro investimento em combustível marítimo sustentável e continuar trabalhando em estreita colaboração com promotores, equipes e parceiros, estamos impulsionando novas reduções de emissões enquanto aceleramos a adoção das mais recentes tecnologias.”

O programa Future Race Operations (Operações Futuras de Corrida) promete entregar reduções ainda mais significativas nos próximos anos, complementado pelo impacto total da racionalização do calendário, que entrará em vigor a partir da temporada de 2026.

Colaboração em toda a cadeia

O sucesso da estratégia de sustentabilidade da F1 depende da colaboração entre múltiplos atores: FIA, dez equipes, promotores de corridas, emissoras e parceiros comerciais. A categoria demonstra que operações sustentáveis em escala global são possíveis sem comprometer o desempenho, a ambição ou o espetáculo que definem a Fórmula 1.

Com essas iniciativas, a Fórmula 1 se posiciona não apenas como a principal categoria do automobilismo mundial, mas também como laboratório de inovações sustentáveis que podem inspirar outras indústrias e esportes a seguirem o mesmo caminho rumo a um futuro de baixo carbono.