Depois de um lançamento turbulento da atualização 1.4 de Le Mans Ultimate, o CEO da Motorsport Games, Stephen Hood, sentou-se para uma entrevista com a comunidade de sim racing para responder às perguntas mais urgentes dos jogadores. Entre problemas de estabilidade online, o futuro do modo carreira e uma possível parceria com a IMSA, o executivo reconheceu erros da equipe e deu pistas sobre o futuro do simulador.
A conversa, conduzida pelo portal OverTake.gg poucos dias após a chegada do USA Track Pack 1, revelou os planos do estúdio para Le Mans Ultimate no curto e médio prazo — e tocou até no futuro do Studio 397, desenvolvedor por trás de rFactor 2. Confira os principais destaques.
Principais destaques da entrevista:
- Stephen Hood pediu desculpas pela instabilidade online após a atualização 1.4 e prometeu investigação urgente das causas;
- Negociações com a IMSA estão “muito, muito positivas”, mas a licença pode entrar em um projeto futuro, e não em LMU;
- Modo carreira será dinâmico, replicando temporadas reais de WEC e ELMS e incorporando DLCs em eventos especiais;
- Troca de piloto com IA estreará no modo carreira e pode chegar ao single player no futuro;
- Conteúdo histórico tem “boa chance” de chegar a Le Mans Ultimate;
- Layouts alternativos de Barcelona e das pistas americanas estão confirmados; VR segue sem prioridade.
Negociações com a IMSA estão “muito, muito positivas” — mas talvez não em LMU
Com a chegada do USA Track Pack 1, cresceu a especulação sobre uma parceria mais profunda com a IMSA, organizadora do principal campeonato de endurance dos Estados Unidos. Segundo Hood, as conversas são “muito, muito positivas” — mas o desfecho pode não ser o que boa parte da comunidade espera.
“Muito, muito positivas. Não existe uma conversa longa e enrolada para fechar um acordo com a IMSA. Desde a primeira vez que entramos em contato sobre usar conteúdo, licença ou marca de alguma forma em Le Mans Ultimate e em projetos futuros, a IMSA tem sido aberta. Estamos começando a olhar para onde a empresa pode ir no futuro. Isso não significa abandonar o suporte a LMU: 99,9% de tudo hoje é LMU. Mas, quando construímos essas relações e licenças, pensamos para onde podemos ir no futuro”, afirmou o executivo.
Nas entrelinhas, a leitura é que a licença da IMSA pode acabar em um novo projeto da Motorsport Games, e não necessariamente em Le Mans Ultimate — até pela joint venture com o ACO (Automobile Club de l’Ouest) que deu origem ao simulador. “Não pedimos uma licença exclusiva, não precisamos de nada assim. Não é certo que adicionaremos a licença da IMSA em si a LMU por causa do ACO, embora a conversa continue. Mas esperamos fazer mais com a IMSA no futuro”, explicou Hood, ponderando que qualquer novo lançamento ainda está “muito distante”.
Atualização 1.4: Problemas nos servidores, pedido de desculpas e promessa de correção
A atualização 1.4, que reformulou o netcode do jogo, enfrentou uma onda de reclamações: instabilidade de servidores, falhas e funções desreguladas levaram muitos jogadores a abandonar corridas online. Hood admitiu que a situação frustrou e até envergonhou a equipe.
“Para progredir, infelizmente, às vezes parecemos quebrar coisas. E não achamos que o protocolo de rede esteja necessariamente ligado à degradação da experiência online. Pode ser outra coisa que fizemos, e estamos investigando isso agora, com bastante urgência. Espero que avancemos em breve. Mas quero pedir desculpas a todos. Quando quebramos algo, sabemos o quanto é irritante. Não ignoramos. Nos cobramos nos bastidores e caçamos os problemas que estão sendo discutidos”, declarou.
Segundo o CEO, o próximo grande update terá como foco “assentar essa tecnologia e remover os bugs”. “A marcha do progresso nos causa problemas, mas vamos trabalhar muito mais duro para resolvê-los no futuro”, completou, reconhecendo que não há uma solução simples: “O que tentamos fazer ao mudar o protocolo de rede é corrigir uma série de outras coisas que algumas pessoas encontram, como desconexões e todo tipo de coisa que realmente não deveria ocorrer. Acreditamos que, no longo prazo, isso vai corrigir as coisas. Algo mais se infiltrou.”
Modo carreira e single player: Temporadas dinâmicas e troca de piloto com IA
Embora seja considerado por muitos uma das melhores experiências offline do sim racing, Le Mans Ultimate tem historicamente priorizado as corridas online. Em resposta à comunidade, Hood confirmou que a troca de pilotos com IA está no radar — mas primeiro dentro do modo carreira.
“Nosso foco em torno da troca de piloto com IA está relacionado ao modo carreira, e esse recurso será integrado a ele, ou a um elemento dele em que ainda estamos trabalhando. Se isso chegará ao modo single player, bem, isso pode se estender a campeonatos single player no futuro”, disse.
Sobre o modo carreira, o executivo explicou que o modo vai replicar temporadas reais do calendário — incluindo WEC e ELMS — e será dinâmico o suficiente para incorporar DLCs, como o USA Track Pack, por meio de eventos pontuais. A ideia reproduz a vida real de um piloto de endurance, que disputa um campeonato mundial e, paralelamente, aceita convites para provas únicas, como as 24 Horas de Daytona.
Já um modo campeonato dedicado a temporadas avulsas não está nos planos imediatos: o esforço da equipe está concentrado no modo carreira — o que, por tabela, significa mais atenção à inteligência artificial. “Incorporar um modo carreira em um produto como este lança uma luz muito brilhante sobre o comportamento da IA. Isso me dá pesadelos, porque ela precisa agir corretamente em muitos cenários diferentes”, admitiu Hood, defendendo, porém, que a IA do jogo, “quando bem ajustada”, está “entre as melhores do mercado de jogos de corrida”.
Conteúdo histórico, novos layouts e o ritmo lento do VR
Outro tema muito pedido pela comunidade, o conteúdo histórico agora parece mais próximo. Sem confirmar modelos específicos — como o icônico Ford Probe GTP —, Hood afirmou que “há uma boa chance de isso acontecer em LMU“.
O executivo também confirmou que layouts alternativos para o circuito de Barcelona e para as duas pistas americanas do jogo estão em desenvolvimento, embora nenhuma data de lançamento tenha sido definida.
Para os fãs de realidade virtual, porém, as notícias não são tão boas: não há desenvolvimento ativo voltado a melhorias de VR ou à inclusão do PSVR neste momento. Ainda assim, Hood prometeu que, conforme outros projetos forem concluídos, mais mão de obra será liberada para recursos “não prioritários” como o VR. “Então acho que vai ficar cada vez mais forte”, concluiu.

