Fórmula-1: De Massa a Verstappen: 10 vezes em que o GP de casa virou pesadelo

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A despedida do GP da Holanda do calendário da Fórmula 1 terminou com o gosto mais amargo possível para a “Orange Army”. Diante de arquibancadas lotadas em Zandvoort, Max Verstappen perdeu o controle do carro em alta velocidade na última curva, ainda na primeira volta, com a pista úmida, e abandonou diante da própria torcida. O tetracampeão mundial saiu ileso, mas viu o dia que deveria ser de festa terminar com vitória de Lando Norris, seguido por Kimi Antonelli e George Russell.

Tricampeão em Zandvoort (2021, 2022 e 2023), Verstappen está longe de ser exceção. Como relembrou o site oficial da Fórmula 1, a história da categoria está repleta de heróis locais que viram a festa da torcida se transformar em pesadelo — inclusive com três brasileiros na lista: Felipe Massa, Rubens Barrichello e Nelson Piquet. Relembre abaixo 10 desses episódios.

Oscar Piastri – GP da Austrália de 2026

Vice-campeão de 2025 após perder o título na última etapa para o companheiro de McLaren, Lando Norris, Oscar Piastri queria abrir 2026 com vitória em Melbourne. O novo regulamento, porém, deixou a equipe para trás no início do ciclo, e o australiano largaria apenas em quinto.

O pesadelo, no entanto, começou antes da largada: na volta de apresentação, Piastri passou sobre a zebra da curva 4, perdeu o controle e destruiu o carro contra o muro, diante de uma torcida atônita. A maré de azar seguiria na China, onde problemas no carro tiraram dele e de Norris a chance de largar — a primeira prova do australiano no ano só aconteceria no Japão.

Charles Leclerc – GP de Mônaco de 2021

Poucos pilotos sofreram tanto em casa quanto Charles Leclerc. Em 2021, o monegasco cravou a pole position, mas bateu na saída da Piscina em sua segunda tentativa de volta rápida, provocando bandeira vermelha — e garantindo, sem querer, a própria pole.

A Ferrari não conseguiu recuperar o carro a tempo: um problema no câmbio tirou Leclerc da corrida antes mesmo da largada, deixando-o como espectador desolado da própria festa. Em 2022 veio nova decepção, com um erro de estratégia em pista mista, e a redenção só chegou em 2024, com a primeira vitória de um piloto da casa em quase um século.

Sebastian Vettel – GP da Alemanha de 2018

Líder do campeonato com oito pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton, Sebastian Vettel vivia a corrida dos sonhos em Hockenheim: pole position, liderança confortável e o rival largando em 14º após um problema hidráulico no treino.

Até que a chuva chegou. Na entrada da seção do estádio, o alemão travou as rodas, escapou para a barreira e abandonou, esmurrando o volante e se desculpando pelo rádio. Hamilton herdou uma vitória improvável, assumiu a ponta da tabela e não a perdeu mais até confirmar o pentacampeonato.

Daniel Ricciardo – GP da Austrália de 2014

Estreando na Red Bull, Daniel Ricciardo dividiu as Mercedes de Hamilton e Rosberg no treino chuvoso e cruzou a linha de chegada em segundo para o delírio de Melbourne — o primeiro australiano no pódio de casa.

A alegria durou até a vistoria técnica: desclassificado por exceder o limite de fluxo de combustível de 100 kg/h ainda na primeira volta. A resposta viria na pista, com três vitórias — as únicas que escaparam das flechas de prata naquele ano.

Felipe Massa – GP do Brasil de 2008

Poucas cenas resumem tão bem o “quase” quanto o pódio de Interlagos em 2008. Felipe Massa fez a parte dele: pole position, liderança de ponta a ponta e vitória sob uma chuva traiçoeira no fim. Por alguns segundos, com Hamilton em sexto, o título era brasileiro — e os boxes da Ferrari chegaram a comemorar.

Mas, na última curva da última volta, o inglês ultrapassou o Toyota de Timo Glock, garantiu o quinto lugar e o primeiro título por um único ponto. A Massa, avisado pelo engenheiro Rob Smedley para aguardar o resultado final, restaram as lágrimas de um dos triunfos mais corajosos da história do GP do Brasil.

Rubens Barrichello – GP do Brasil de 2003

Rubens Barrichello largou da pole em Interlagos e, em uma corrida caótica sob chuva, retomou a liderança na volta 45. Uma volta depois, o carro parou: pane seca provocada por um erro de computador da Ferrari, que não percebeu a situação crítica de combustível.

Para piorar, a prova foi interrompida oito voltas depois, após o forte acidente de Fernando Alonso, e Giancarlo Fisichella, de Jordan, herdou uma vitória improvável. Em 19 tentativas, “Rubinho” jamais venceu diante da torcida — seu melhor resultado em casa foi um terceiro lugar.

Damon Hill – GP da Grã-Bretanha de 1993

Em Silverstone, Damon Hill largou melhor que o companheiro Alain Prost, assumiu a ponta e abriu vantagem confortável enquanto o francês duelava com o velho rival Ayrton Senna. A primeira vitória da carreira parecia madura.

Até o motor estourar a 18 voltas do fim, para desespero das arquibancadas. Hill venceria o GP britânico no ano seguinte, espantando os fantasmas, e coroaria a carreira com o título mundial de 1996.

Riccardo Patrese – GP da Itália de 1992

Em Monza, a Williams do dominante campeonato de 1992 cedeu a liderança a Riccardo Patrese, que via enfim a chance de vencer diante dos apaixonados tifosi. Com o abandono de Nigel Mansell por problema elétrico, o caminho parecia livre.

Mas uma falha hidráulica a seis voltas do fim obrigou o italiano a reduzir o ritmo, e ele caiu para um frustrante quinto lugar. O consolo veio duas corridas depois, no Japão, com a última vitória de sua longa carreira.

Nelson Piquet – GP do Brasil de 1982

Campeão de 1981, Nelson Piquet enfrentou um calor escaldante no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e, mesmo exausto, cruzou a linha em primeiro para o delírio da torcida — desabando no pódio em seguida.

A festa, porém, virou pesadelo: o Brabham foi considerado abaixo do peso por conta do controverso sistema de freios refrigerados a água, logo depois proibido, e o brasileiro foi desclassificado. Piquet daria o troco com vitórias em casa em 1983 — ano de seu segundo título — e 1986.

James Hunt – GP da Grã-Bretanha de 1976

Na batalha épica de 1976 contra Niki Lauda, James Hunt se envolveu em uma confusão logo na largada em Brands Hatch: após um toque entre Lauda e Clay Regazzoni, o McLaren de Hunt foi atingido e a prova, interrompida com bandeira vermelha.

Com o carro reparado nos boxes, o inglês participou da relargada, superou Lauda e venceu diante da torcida. Dois meses depois, a Ferrari protestou: como Hunt não havia completado a volta de retorno aos boxes sob bandeira vermelha, foi desclassificado. Nada que impedisse o carismático piloto de levar o título daquele ano.


Histórias que provam que, na Fórmula 1, correr em casa é uma faca de dois gumes: a torcida empurra, mas a pressão — e o azar — também cobram seu preço. Que o diga Verstappen.