Rubens Barrichello foi à Justiça contra a Scuderia Bandeiras. O piloto, juntamente com a empresa B11 Marketing Esportivo, protocolou na 10ª Vara Cível da Comarca de Sorocaba (SP) uma ação de aproximadamente R$ 2,4 milhões — valor exato de R$ 2.405.666,67 — contra a equipe do piloto e CEO Átila Abreu e empresas ligadas ao time. O processo pede a resolução do contrato por culpa das rés, cobrança de valores não pagos e reparação por danos materiais e morais após a saída abrupta da equipe da Stock Car Pro Series, em 1º de julho.
O que Barrichello alega na ação
Segundo a ação, protocolada em 20 de agosto, Barrichello foi contratado para disputar exclusivamente a temporada 2026 da Stock Car pela Scuderia Bandeiras, com remuneração total de R$ 2 milhões dividida em dez parcelas de R$ 200 mil, além de comissões sobre patrocínios provenientes do Grupo ALE.
O documento sustenta que o piloto cumpriu todas as obrigações contratuais até a retirada da equipe — que ocorreu após apenas cinco das 12 etapas previstas — e que ficou sem carro e sem estrutura para continuar no campeonato. A cobrança inclui uma parcela de R$ 200 mil com vencimento em 15 de agosto que não teria sido paga, R$ 39 mil de saldo de comissões de patrocínio, a multa contratual de R$ 2 milhões por descumprimento de cláusula essencial (calculada proporcionalmente ao período cumprido) e R$ 200 mil por danos morais e à imagem.
Exclusividade impede retorno ao grid, diz defesa
Ponto considerado central pela defesa, a cláusula de exclusividade teria impedido o bicampeão da Stock Car (2014 e 2022) de negociar com outra equipe para seguir na temporada 2026. Por isso, os autores pedem tutela de urgência para suspender imediatamente a exclusividade e proibir as rés de invocá-la — ou à multa contratual — perante a Vicar, promotora da categoria, a CBA, outras equipes e patrocinadores.
No primeiro despacho, o juiz José Elias Themer ainda não analisou o mérito: questionou a competência territorial, já que Barrichello e a B11 têm sede em São Paulo e as empresas rés estão em Votorantim, enquanto a ação foi ajuizada em Sorocaba.
Scuderia Bandeiras se manifesta e oferece estrutura a custo zero
Após a ação vir a público, a Scuderia Bandeiras e Átila Abreu divulgaram nota afirmando que a equipe “nunca se opôs à liberação de Rubens Barrichello para competir por outra equipe” e que mantém “à disposição do piloto, a custo zero, o carro, carreta, estrutura, engenheiros e mecânicos para viabilizar a sua volta ao grid”.
“As questões contratuais não apagam os momentos vividos, as conquistas compartilhadas e, muito menos, o respeito construído ao longo dessa caminhada. O desejo continua sendo o mesmo: ver Rubens fazendo aquilo que sempre fez tão bem, acelerando e disputando vitórias nas pistas”, destaca o comunicado assinado por Átila Abreu. Em vídeo nas redes sociais, o CEO já havia oferecido a estrutura gratuitamente, inclusive à equipe Full Time.
Entenda a saída da Scuderia Bandeiras da Stock Car
A ruptura ocorreu em 1º de julho, logo após a etapa de Cuiabá, em 20 de junho. A equipe alegou “insegurança jurídica” e “deterioração” da relação com a Vicar, citando preocupações tributárias sobre os pneus da categoria, bloqueio de acesso ao sistema Stock Manager para pedido de peças, inconsistências em componentes fornecidos pela Audace Tech e dúvidas sobre a segurança do novo chassi — mencionando o forte acidente de Bruno Baptista em Brasília, em 2025.
A Vicar, por sua vez, ressaltou que a decisão da equipe veio após o STJD manter, por unanimidade, punições por irregularidades técnicas — acusação contestada pelo time.
Com sete etapas restantes no calendário de 2026, o futuro de Barrichello — o piloto brasileiro mais experiente da história da Fórmula 1 — na categoria agora depende da Justiça e das portas que se abrirão no grid.

