Renault Niagara chega em novembro e deixa versão híbrida para 2027

Renault Niagara Chega Em Novembro Hibrida 2027

A Renault revelou oficialmente nesta quinta-feira (10) a Niagara, sua nova picape intermediária. Desenvolvida com design nascido no Brasil e produção concentrada na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina, a picape chega às concessionárias brasileiras em novembro com a missão de enfrentar Fiat Toro, Ram Rampage e Ford Maverick. O ponto que chamou atenção, porém, foi uma ausência: a versão híbrida ficou para 2027.

Herdeira direta da Duster Oroch — embora a marca prefira apresentá-la como “a picape do Boreal” —, a Niagara compartilha a plataforma RGMP com o SUV Boreal e com o Kardian, e é peça central do plano futuREady, que prevê 14 lançamentos fora da Europa até 2030, com Brasil, Argentina e Colômbia entre os principais mercados.

Renault Niagara tem porte de Fiat Toro e algo a mais

No papel, a Niagara joga exatamente no campo da Toro. São 4,91 metros de comprimento nas versões 4×2 e 4,94 m na 4×4 (contra 4,95 m da Fiat), entre-eixos de 2,96 m (2,98 m na rival) e altura de 1,72 m. A vantagem aparece no fora de estrada: são 23,3 cm de altura livre do solo, contra 21,2 cm da Toro Endurance, além de ângulos de ataque de 22,1° e de saída de 22,3°.

A caçamba comporta 938 litros — um litro a mais que a concorrente — com abertura suavizada por amortecedor, capacidade de carga de 654 kg e reboque de até 710 kg. Há ainda um compartimento secreto de 36 litros atrás do encosto traseiro. Mecanicamente, a picape se diferencia com suspensão traseira multilink e freios a disco ventilado nas quatro rodas, com rodas de 17 ou 18 polegadas conforme a versão.

Motor 1.3 turbo flex de 160 cv, manual ou dupla embreagem

Sob o capô, a Niagara usa o conhecido 1.3 turbo flex de injeção direta do Boreal: 160 cv com etanol (156 cv com gasolina) e 27,5 kgfm (270 Nm) de torque. O conjunto pode ser combinado ao câmbio manual de seis marchas ou à transmissão automatizada de seis velocidades com dupla embreagem úmida.

A gama brasileira estreia com quatro configurações: uma 4×2 manual, duas 4×2 automáticas e a topo de linha 4×4, sempre automática, batizada de Outsider. As demais devem seguir a nomenclatura do Boreal (Evolution, Techno e Iconic). Na 4×4, não há bloqueio de diferencial: o sistema transfere torque ao eixo traseiro quando detecta perda de aderência.

Interior de SUV, com Google Gemini a bordo

A cabine replica a do Boreal e coloca a Niagara em patamar superior de acabamento na categoria, com materiais emborrachados, revestimentos sintéticos e detalhes em verde escuro na proposta off-road. O pacote inclui central multimídia de 10,1 polegadas com sistema OpenR Link e Google integrado (com Gemini), painel digital de 10,2″, carregador por indução, ar digital de duas zonas, iluminação ambiente de LED com até 48 cores, seis airbags e câmeras 360°.

O pacote ADAS reúne controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, assistente de permanência em faixa com correção ativa, leitura de placas, detector de fadiga, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego e de tráfego cruzado traseiro. Atrás, o encosto reclinável em 25° e os 200 mm de espaço para joelhos prometem conforto acima da média.

Híbrida fica para 2027 — e não será mild hybrid

A promessa de eletrificação veio sem data: “futuramente teremos a Niagara híbrida”, limitou-se a dizer a marca. A Renault, porém, garante que o sistema não será um híbrido leve como o da Toro: o motor elétrico tracionará as rodas. A expectativa é de uma evolução do sistema de 48 volts, com cerca de 31 cv e 8,9 kgfm extras enviados ao eixo traseiro — tornando a picape híbrida também 4×4.

A espera tem custo competitivo: já em novembro, mesmo mês da estreia da Niagara, chega a BYD Mako híbrida plug-in produzida na Bahia, somando-se à Maverick híbrida no segmento que emplacou mais de 80 mil unidades em 2025.

Preço e disponibilidade

Os preços da Renault Niagara serão divulgados apenas no lançamento, em novembro. Até lá, a picape argentina com DNA brasileiro segue gerando expectativa como o desafio mais direto já imposto à liderança da Fiat Toro entre as intermediárias.