500 Milhas da Granja Viana: Em clima de despedida, 500 Milhas define pole na Granja Viana

Prova mais tradicional do kartismo brasileiro muda de casa a partir de 2011

Com direito a um lugar de honra na história do evento, que a partir de 2011 e pelos próximos cinco anos será realizado em novo local a ser anunciado pelos organizadores depois dos treinos classificatórios, o pole position da 14ª edição das 500 Milhas da Granja Viana será conhecido nesta sexta-feira. Após as tomadas de tempo, os 10 melhores dos grupos A e B (cinco de cada) mais um representante de cada time convidado, formado pelos nomes mais expressivos da prova, decidirão quem largará na frente no sábado ao final de uma minicorrida de 15 voltas.

As 500 Milhas da Granja Viana foram criadas em 1997 para servir de festa de encerramento da temporada automobilística. Começou com grid relativamente baixo, mas revelou de cara um nome que se transformaria num dos principais pilotos brasileiros de todos os tempos – Felipe Massa. Ainda em início de carreira, Felipe integrou o time que venceu a edição pioneira. Revelou também uma superequipe, formada por Rubens Barrichello e Tony Kanaan e que se transformaria na maior referência da prova, com oito títulos conquistados até agora, vários deles na companhia do dublê de piloto e promotor Felipe Giaffone e outros com parceiros eventuais como o próprio Massa, Lucas di Grassi e Christian Fittipaldi. Além disso, com o ganho de projeção que adquiriu ao longo do tempo, atraiu personagens ilustres das mais importantes categorias do automobilismo mundial no auge da carreira, como Juan Pablo Montoya, Alex Zanardi, Dan Wheldon, Jimmy Vasser e vários outros.

O atual campeão Felipe Massa é a ausência mais sentida. O piloto da Ferrari embarca nesta sexta-feira para Valência, onde participará do Ferrari Day ao lado do companheiro Fernando Alonso. A briga pela pole deverá ser intensa e envolver as equipes que dominaram os ensaios desde a abertura da pista na terça-feira, entre elas as lideradas por Barrichello, Bia Figueiredo, Vítor Meira e Nelsinho Piquet. Entre os especialistas estão o italiano David Forè, penta mundial, e Rubens Carrapatoso, campeão mundial em 1998.

Apesar da satisfação com a “sacudida” que o evento vai ganhar com a parceria a ser anunciada, os principais personagens do evento não escondem um leve aperto no coração ao falar da última passagem pelo kartódromo de Cotia, pequena cidade da Grande São Paulo cuja tranqüilidade só costuma ser quebrada pelo ruído dos motores no kartódromo. “Ninguém vai deixar a Granja, a gente só vai deixar de fazer umas corridas”, avisa Kanaan. “Depois de Interlagos, onde praticamente cresci, falar que não tenho boas recordações daqui seria mentira. E não é só das oito vitórias. Tem o lance de rever os amigos, a festa do final de ano… Mas acho que, por mais que se fale pô, que pena que vamos sair daqui, é uma mostra da evolução, de que a corrida deu certo. Uma coisa que começou entre eu, Felipe, o Rubinho, o Massa, olha o que virou hoje. E se está saindo daqui é para um lugar melhor, não está piorando. Não tem aquela coisa de não vai ter mais, acabou. Sinto orgulho de ter participado dessa evolução e contribuído para que se transformasse em um evento nacional. Para se ter uma ideia, a gente já pergunta para o Felipe quando é a corrida logo no começo do ano para poder bloquear a agenda da equipe. É um prazer estar aqui”, completa Kanaan.

Envolvido ao mesmo tempo com a organização do evento e as funções de piloto, Felipe Giaffone admite a divisão de sentimentos. “Acho que aperta o coração um pouco. De um lado, dá uma tristeza de não estar mais aqui, mas o que me deixa muito contente é que a gente está indo para um lugar melhor, mais bem estruturado e que tem um potencial de crescimento que vai além do kart. Tenho certeza que, se de um lado eu estou perdendo, por outro estarei ganhando, e quem vai participar só tem a ganhar também.”

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