Alexander Rossi se tornou, nesta quarta-feira (9), o primeiro piloto a levar o chassi IR-28 à configuração de superspeedway no Indianapolis Motor Speedway, abrindo a fase oval do desenvolvimento do carro que estreia em competição em 2028.
Sob calor intenso e umidade elevada, com temperaturas próximas dos 33°C em Indianápolis, a NTT IndyCar Series deu um passo decisivo rumo à sua próxima geração. Ao volante do novo chassi IR-28, Alexander Rossi, da Ed Carpenter Racing, concluiu o primeiro dia de testes ovais do projeto, iniciado sem sustos e com sinais animadores para engenheiros e fabricantes.
“O carro faz tudo o que um equipamento da IndyCar deve fazer aqui”, resumiu Rossi após a sessão. “Passamos por mudanças mecânicas e aerodinâmicas básicas para entender os ajustes que ele vai nos apresentar daqui a alguns anos, e não houve surpresa. Foi tudo bastante padrão.”
Do circuito misto para o oval
O teste marcou a primeira experiência do IR-28 em pista oval. O chassi havia feito sua estreia pública no início de agosto, no circuito misto do próprio Indianapolis Motor Speedway, em atividades divididas entre Rossi e Alex Palou, estendidas a três dias por causa da chuva.
Nesta semana, a divisão de tarefas se repete: Rossi representa as equipes equipadas com motor Chevrolet, enquanto Palou, da Chip Ganassi Racing, responde pelos programas da Honda — parceria que permite comparar sensações e dados sob diferentes configurações de motorização.
O IR-28 foi projetado para ser mais leve que o carro atual, com aerodinâmica revisada para ganhar estabilidade e reduzir a desvantagem de quem anda próximo de outro competidor — um dos temas mais sensíveis das corridas em oval. As voltas de quarta-feira deram o primeiro indício de como esses objetivos se traduzem nas pistas de alta velocidade.
“O carro faz tudo o que deveria fazer”
Mike O’Gara, vice-presidente de Competição e Engenharia de Corrida da IndyCar, destacou a transição suave do DW12 — carro atual, em uso há mais de uma década — para o novo projeto, desenvolvido em parceria com a Dallara.
“O carro está fazendo tudo o que deveria. Obviamente, a Dallara colocou nele tudo o que aprendeu com o DW12. Imediatamente, sem mudar nenhum ajuste, o Alex (Rossi) saiu, andou com o acelerador no fundo e se sentiu muito confortável”, afirmou O’Gara.
Apesar do início encorajador, piloto e dirigente reforçaram que o objetivo do dia foi coletar informações, e não perseguir performance. A IndyCar conduz o programa de desenvolvimento com a filosofia de “engatinhar, andar, correr” — abordagem ainda mais relevante em ovais, onde o pacote atual é altamente refinado e o IR-28 começa do zero.
Poucas diferenças, muitas respostas
Para Rossi, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2016, o IR-28 já se comporta como um carro de IndyCar deve se comportar no oval de 2,5 milhas (4,02 km) de Indianápolis — ainda que haja trabalho considerável pela frente.
“Eu não diria que há algo drasticamente diferente deste carro para o atual”, avaliou. “Se você realmente procurar defeito, existem coisas sutis aqui e ali. Mas é importante lembrar que o carro de speedway da geração atual é muito bem ajustado e muito bom.”
O foco, segundo o piloto, está nos detalhes: “Não acho que precise haver nenhum problema grande e evidente. É tudo começo de trabalho, acumular tempo de pista e entender o que pequenos ajustes provocam aqui e ali. Não há nada enorme separando os dois carros.”
O’Gara também celebrou a facilidade de manutenção do novo chassi: “Estive conversando com Nick Allen (diretor técnico da IndyCar), que atua como uma espécie de pseudo-chefe de equipe nesta semana, e ele está muito satisfeito com o quão fácil o carro é de trabalhar. É muito intuitivo.”
Próximos passos: Palou assume o volante
O cronograma reserva a quinta-feira (10) para Alex Palou, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2025 e pentacampeão da categoria, que dará à IndyCar e à Dallara uma segunda perspectiva sobre o potencial do IR-28 para “O Maior Espetáculo das Corridas”.
As percepções de Rossi e Palou serão cruzadas com os dados coletados pelos engenheiros nas próximas etapas do programa, que segue até a estreia competitiva do carro, prevista para a temporada 2028.

