A Fórmula 1 está de volta ao Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, após um hiato de nove anos. O palco, que recebeu a categoria entre 1999 e 2017, volta ao calendário neste fim de semana para sediar o GP do Bahrein, em uma manobra logística sem precedentes na história recente da F1.
A prova originalmente aconteceria em Sakhir, no Bahrein, em abril, mas foi cancelada devido à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Com a necessidade de preservar as 23 etapas do campeonato, a FIA e a FOM negociaram uma solução alternativa: transferir o evento para a Malásia, mantendo o nome e o patrocínio do Bahrein.
A escolha de Sepang não foi por acaso. Localizado a cerca de 320 quilômetros de Singapura, palco da próxima etapa, o circuito oferece uma logística vantajosa para as equipes em meio a uma sequência tripla de corridas. Além disso, Sepang é reconhecido como um dos traçados mais desafiadores e icônicos da F1, combinando retas longas, curvas de alta velocidade e condições climáticas imprevisíveis.
Desafio para uma nova geração
Dos 22 pilotos do grid atual, apenas 10 já correram em Sepang. Isso significa que metade do pelotão — incluindo o atual campeão Lando Norris e seu companheiro de McLaren, Oscar Piastri — enfrentará o traçado malaio pela primeira vez.
A McLaren, por exemplo, dedicou tempo significativo nos simuladores para preparar seus pilotos, mas reconhece as limitações dessa abordagem. “Pode haver incerteza em relação à precisão dos modelos de circuito e nossa compreensão do asfalto, que será um fator importante no comportamento dos pneus”, afirmou o diretor de corrida da equipe, Randy Singh.
Fernando Alonso é o piloto com mais experiência em Sepang. O espanhol venceu três vezes na Malásia (2005, 2007 e 2012) e é o que mais liderou voltas no circuito, com 169 no total. “Não pensei que correria na Malásia novamente, então é um bilhete dourado que eu aceito. Um circuito incrível, corrida exigente, temperatura, umidade”, declarou o piloto da Aston Martin.
Lewis Hamilton, que também tem cinco poles em Sepang (recorde dividido com Michael Schumacher), destacou o aspecto físico da prova. “A Malásia vai ser insana este ano, mas é onde você quer ver atletas no limite de sua performance”, afirmou o britânico.
Histórico de momentos icônicos
Sepang construiu uma reputação sólida durante suas 19 edições do GP da Malásia. O circuito foi o primeiro projeto de Hermann Tilke para a F1, inaugurado em 1999 com vitória de Eddie Irvine pela Ferrari. Desde então, o traçado testemunhou momentos memoráveis.
Entre os destaques, está a corrida de 2009, que ficou marcada como uma das mais curtas da história da F1. Uma tempestade de monção interrompeu a prova após apenas 31 das 56 voltas previstas, resultando na distribuição de meio ponto para os pilotos. Jenson Button venceu, enquanto Nico Rosberg recebeu apenas meio ponto pelo oitavo lugar.
Outro momento icônico ocorreu em 2012, quando Fernando Alonso venceu largando da oitava posição — a vitória mais improvável da história do circuito malaio. O espanhol também detém o recorde de primeira pole position e primeiro pódio, conquistados em 2003.
A corrida de 2016 também entrou para a história com a vitória de Daniel Ricciardo e a famosa batalha entre Hamilton e Verstappen. Já em 2017, última edição antes da pausa, Max Verstappen conquistou sua segunda vitória na carreira, em um fim de semana que também marcou a estreia de Pierre Gasly na F1.
O que esperar do fim de semana
A corrida está marcada para domingo, 4 de outubro, às 4h (horário de Brasília). O fim de semana começa com os treinos livres na sexta-feira, seguidos pela classificação no sábado.
George Russell chega em alta após vencer no Azerbaijão, reduzindo a vantagem de Kimi Antonelli na liderança do campeonato de 81 para 66 pontos. A Mercedes, líder do campeonato de construtores, traz atualizações aerodinâmicas para o W17, enquanto as rivais buscam se adaptar ao desconhecido traçado malaio.
As condições climáticas típicas da região — calor intenso, alta umidade e risco constante de chuvas tropicais — prometem adicionar imprevisibilidade a uma corrida já repleta de incógnitas. A Pirelli alertou que a superfície de Sepang é “relativamente abrasiva”, com características similares ao Bahrein, exigindo gerenciamento cuidadoso dos pneus.
Para os fãs brasileiros, a transmissão será pela SporTV 3, Globoplay e F1TV.


