F1: Por que a Aston Martin está confiante em repetir o sucesso da Malásia no GP de Singapura?

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A Fórmula 1 chega a Singapura para mais uma etapa eletrizante da temporada 2026, e a Aston Martin desembarca em Marina Bay com a moral renovada. Após um período difícil marcado por abandonos e falta de competitividade em certas pistas, a equipe britânica encontrou um grande respiro no Grande Prêmio da Malásia, em Sepang, onde Fernando Alonso conquistou um valioso oitavo lugar. Agora, o foco total está no GP de Singapura, um traçado que a cúpula da equipe acredita ser o cenário ideal para o pacote do AMR26.

O trunfo de Marina Bay: Menos retas, mais técnica

De acordo com Mike Krack, Diretor da Equipe, há um motivo muito claro para o otimismo em Singapura. Diferente das pistas recentes que exigiam potência bruta em longas retas, o circuito urbano de Marina Bay é muito mais técnico, sinuoso e depende menos da força pura do motor.

“Acho que esta é uma pista que deve nos favorecer decentemente”, declarou Krack na chegada ao paddock nesta quinta-feira. “Também é um fim de semana com formato Sprint, o que traz seus próprios desafios. O clima é sempre uma incógnita aqui, então acredito que pode ser uma grande oportunidade. Mas você não pode cometer erros. Estamos bastante confiantes para este fim de semana.”

O formato Sprint adiciona um elemento de imprevisibilidade. Com pouco tempo de pista para acertar o setup, a classificação exige precisão absoluta. Krack lembra que no ano passado Alonso foi o mais rápido no TL1 e quarto no TL2, mostrando que a equipe sabe extrair o máximo do carro rapidamente em pistas de rua, que evoluem muito ao longo do fim de semana por não terem categorias de suporte limpando a borracha na pista.

Alívio em Sepang e a realidade do AMR26

O resultado na Malásia não foi apenas sobre pontos, mas sobre alívio. A equipe viajou diretamente de Sepang para Singapura, e o ambiente nos primeiros dias da semana foi de pura motivação. Krack notou uma mudança visível em Fernando Alonso: “Ele é o tipo de piloto que, se houver uma chance, não vai perder. Você sente isso nos briefings, nas perguntas que ele faz. Ele sente que algo é possível.”

O bicampeão mundial, no entanto, mantém os pés no chão. Alonso fez questão de destacar que o carro (o AMR26 com motor Aston-Honda) não sofreu nenhuma evolução mágica entre as corridas.

“O carro era exatamente o mesmo, fisicamente o mesmo. Tudo igual ao que tínhamos em Baku, cinco dias antes da Malásia, e a diferença de performance foi enorme”, explicou o espanhol. “Infelizmente, depende muito do layout e das retas que temos em cada fim de semana. Por isso, este fim de semana em Singapura é uma boa oportunidade para maximizarmos nossos pontos fortes.”

A verdade técnica por trás do sucesso em Sepang, segundo a equipe, foi o asfalto abrasivo e de baixa aderência, que forçou os carros a andarem em velocidades mais baixas nas curvas — justamente onde o chassi da Aston Martin se destaca em relação aos rivais.

A visão de Lance Stroll: Aproveitar as oportunidades

Do outro lado da garagem, Lance Stroll — que chegou ao Q2 pela primeira vez na temporada durante a classificação na Malásia — concorda que Singapura se desenha como uma etapa favorável.

“No papel, é bom para nós. Ainda teremos retas e vamos perder algum tempo nelas, mas o circuito tem muito mais curvas do que retas longas”, avaliou o canadense.

Contudo, Stroll também soou um alerta sobre o futuro do campeonato: “É um alívio temporário. Sabemos que quando formos para pistas de retas longas, como Austin e México, voltaremos a perder tempo de motor. O segredo agora é capitalizar nestes fins de semana onde o carro fala mais alto que o motor, enquanto a fábrica continua trabalhando duro por mais potência.”

Com a moral em alta e um traçado que esconde suas fragilidades, a Aston Martin mira não apenas a zona de pontuação em Singapura, mas surpreender os rivais no asfalto exigente e noturno de Marina Bay.