A história de Lorenzo Bandini

Nascido em 21 Dezembro de 1935, em Marj, na Líbia (na época em que o país africano era colónia italiana) Lorenzo Bandini começou a trabalhar cedo, aos 15 anos (sua família voltou para a Itália quando ele tinha quatro anos, e seu pai morreu quando ele ainda era adolescente), como aprendiz de mecânico, na oficina do milanês Goliardo Freddi.
Sem recursos, Bandini começou a competir em provas de motociclismo. Em 1957, após Bandini estrear nos carros, com um Fiat 100 emprestado por Freddi, o jovem italiano passou a ser apoiado pelo patrão e amigo.
Na tradicional Mille Miglia de 1958, Bandini venceu em sua classe, com um Lancia Appia Zagato. No ano seguinte iniciou uma vitoriosa jornada na F-Júnio. Com as frequentes vitórias o tornando um dos expoentes da nova geração italiana, ao lado de Giancarlo Baghetti.
Em 1961, após a Federazione Italiana Scuderie Automobilistiche (FISA) escolher Baghetti para um programa de apoio visando levar um jovem italiano a F-1 (Baghetti venceu o GP da Itália daquele ano com uma Ferrari 156), Bandini conseguiu o apoio de Guglielmo “Mimmo” Dei, da Scuderia Centro Sud, para estrear na F-1.
Bandini estreou na F-1 em uma prova extra-campeonato, o GP de Pau, na França. Levando o Cooper T51 da Scuderia Centro Sud ao pódio, com o terceiro lugar.
A estreia em um GP oficial foi no GP da Bélgica. Alinhou o Cooper T53 na 17ª posição. Abandonando na volta 20, com problemas na pressão de óleo.
No restante do ano disputou mais três GPs oficiais (Grã-Bretanha, Alemanha e Itália, onde terminou em oitavo). E vários extra-campeonato, com outro terceiro lugar, no GP da Napoli.
Para coroar o bom ano de estreia, Bandini também se casou, com Margheritta Freddi, irmã de Goliardo.
Enzo Ferrari contratou Bandini em 1962, como piloto reserva (a equipe contava com o campeão Phill Hill e Baghetti como titulares, e inscrevia até mais dois carros em algumas provas).
Bandini estreou pela Ferrari em Mônaco. Conquistando um impressionante terceiro lugar com a Ferrari 156. Voltou a guiar a 156 na Alemanha e Itália.
Em Agosto Bandini venceu GP do Mediterrâneo, prova extra-campeonato de F-1, em Enna Pergusa. Nas provas de turismo, terminou em segundo na Targa Florio.
Enzo Ferrari contudo preferiu manter Bandini apenas nas provas de Sports Car no início de 1963. Com o italiano retornando para a Scuderia Centro Sud, nas provas de F-1. No GP da Grã-Bretanha levou o BRM P57 ao quinto lugar. No GP da Alemanha alinhou em terceiro, mas rodou logo na volta inicial, sendo acertado pela Lotus-BRM de Innes Ireland.
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Depois de vencer as 24 Horas de Le Mans, dividindo a Ferrari 250P com Ludovico Scarfiotti, Bandini retornou a equipe de F-1, para as quatro últimas provas do ano. Terminando em quinto nos EUA e África do Sul.
No final do ano, Bandini ficou com o título de Campeão Italiano de 1963.
Em 1964 Bandini se tornou titular da Ferrari, sendo parceiro do britânico John Surtees. Em seu melhor ano na categoria, o italiano venceu o GP da Áustria. Depois de alinhar a Ferrari 156 Aero na sétima posição, ele assumiu a ponta na volta 47, de 105 programadas. Vencendo com seis segundos de vantagem sobre o norte-americano Richie Ginther (BRM).
Foram mais três terceiros no ano, nos GPs da Alemanha, Itália e México. E um quinto, na Grã-Bretanha. Terminou em quarto no campeonato, vencido pelo parceiro Surtees.
Em 1965 Bandini teve como melhor resultado na F-1, o segundo lugar no GP de Mônaco. Nas provas de turismo, venceu a Targa Florio (com uma Ferrari 275P2, em dupla com Nino Vaccarella).
No primeiro ano da Formula-1 de 3 litros, em 1966, Bandini começou o ano guiando a Ferrari 246, enquanto Surtees já tinha a 312 a disposição. Mesmo assim o italiano terminou em seguido no GP de Mônaco, e terceiro no GP da Bélgica (vencido por Surtees). Deixando Spa-Fancorchamps como líder do campeonato, com dez pontos, seguido por Surtees e Jackye Stewart, ambos com nove pontos.
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Com a saída de Surtees, após o GP da Bélgica (o britânico acertou com a Cooper depois de desavenças com a direção da Ferrari, em relação a escalação de pilotos para as 24 Horas de Le Mans), Bandini se tornou líder da equipe.
E logo na primeira prova com a Ferrari 312, o GP da França, marcou a sua única pole na categoria. E liderava a prova, desde a largada, quando na volta 32, com problemas no acelerador, foi superado por Jck Brabham (Brabham BT19). Se arrastando nas pistas, terminou com onze voltas de atraso.
A Ferrari não disputou o GP da Grã-Bretanha, em apoio a uma greve de operários na Itália. No restante do ano, Bandini sofreu com a falta de confiabilidade da 312. Conquistando apenas mais dois sextos lugares (Holanda e Alemanha). Por decisão da equipe, a Ferrari não disputou o GP do México.
A Ferrari também não disputou a etapa de abertura de 1967, o GP da África do Sul, disputado no dia 01 de Janeiro.
No longo intervalo, entre a etapa sul-africana, e o GP de Mônaco, segunda prova do ano, Bandini venceu as 24 Horas de Daytona e os 1000 Kms de Monza, ambas com o novo parceiro de equipe, o neozelandês Chris Amon. E terminou em segundo, na Race of Champions, prova extra-campeonato de F-1.
No GP de Mônaco Bandini alinhou a sua Ferrari 312/67 na segunda posição. E mantinha a posição, atrás do neozelandês Denny Hulme (Brabham BT20), quando na volta 82 perdeu o controle na Chicane do Porto, depois de ao entrar na chicane a roda traseira esquerda do carro acertar o guard-rail.
Desgovernada a Ferrari acertou um poste de iluminação, entrando nos fardos de palha, colocados para amortecer o impacto. Contudo um pilarete, usado para amarar os barcos, estava oculto entre os fardos. Com o impacto o tanque de combustível rompeu, com faíscas iniciando o fogo, e Bandini ficando preso embaixo da 312/67.
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Os socorristas, depois de muito tempo, conseguiram erguer o carro, tirando o piloto, inconsciente, do carro em chamas. Enquanto o carro era desvirado, o tanque de combustível explodiu, consumindo a Ferrari.
Bandini foi internado no Princess Grace Polyclinic Hospital, em Mônaco, com queimaduras de terceiro grau, em mais de 70% do corpo. Um grande ferida no peito, além de dez fraturas no peito. Três dias depois, em 10 de maio, Bandini faleceu, aos 31 anos.
Seu funeral, no dia 13 de maio, em Reggiolo, na Itália, levou uma multidão de 100 mil pessoas. Ele foi enterrado em um cemitério, em Milão.

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Um comentário em “A história de Lorenzo Bandini

  • 21 de junho de 2020 em 19:25
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    Melhor reportagem sobre Bandini que já li. Ele se tornou meu ídolo de infância nos anos 60, acho que pela repercussão da sua morte na época, e o grande romantismo e mistério que envolviam as provas de F1 as quais eu acompanhava pelas publicações da revista Auto Esporte, compradas pelo meu irmão mais velho. A narrativa escrita das corridas e as fotos faziam nosso imaginária nos colocar dentro daqueles carros e sermos aqueles pilotos que dirigiam de forma heróica seus bólidos potentes e precários em segurança. Para resumir, Bandini foi esquecido mas eu nunca o esqueci, sempre buscando alguns fragmentos de informação para alimentar aquele sonho de criança de ser um herói. Obrigado pela reportagem.

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