Coluna Conversa de Pista: Fábricas suspendem apoio ao Superbike

Acidente de Danilo Berto em Interlagos afasta fabricantes e coloca em cheque estrutura do esporte

Por Wagner Gonzalez

 

Categorias de base, como a Júnior Cup, contribuem para formar pilotos (Sandro de Souza)

Há tempos que se questionava o apoio de fábricas e corporações a esse e outros campeonatos semelhantes; a razão dada para tal era a inexistência de projetos alternativos. Mesmo que categorias como a Júnior Cup – disputada como motos Honda Titan de 160 cm3, um revival da Fórmula CG-, justificassem o empenho, é difícil entender os critérios adotados no esporte, como um todo, para classificar a habilidade e progresso dos pilotos.

No site da FPM(Federação Paulista de Motociclismo, por exemplo, consta na página 6/24 referente ao Campeonato Paulista de Motovelocidade, que “É de inteira e absoluta responsabilidade do piloto selecionar sua classe categoria de inscrição.”

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No Campeonato Paulista a graduação dos pilotos é determinada pelo próprio concorrente (Site FPM)

No site do evento SuperBike Brasila página dedicada a informações para pilotos informa que o primeiro passo para participar dessa competição é fazer um curso de pilotagem pois “O SuperBike presa (sic) pela segurança antes de tudo.” Na mesma página fica claro que a categoria escolhida pelo piloto para participar das provas “estará ligada diretamente a sua experiência”. Tal afirmação causa espanto ao se notar que adiante consta como 15 anos a idade mínima para participar da categoria Extreme, onde são admitidas motos como BMW S100R, Ducati Panigale e Honda CBR 1000RR, todos modelos de alto desempenho. Nenhuma exigência quanto à comprovação dessa experiência.

Nota-se nesse cenário cores de entusiasmo e formas do jeitinho brasileiro, combinação imprópria a esportes onde os riscos são inerentes à própria prática. Pouco importa se nas redes sociais circula desd domingo um vídeo onde o público assistia ao lado do asfalto os pilotos freando ao atingir o ponto mais veloz do traçado paulistano, a freada para o S do Senna. Até a manhã de hoje, (28/05/2019) nem a Confederação Brasileira de Motociclismo (que representa a Federação Internacional de Motociclismo no País) nem a FPM haviam se manifestado oficialmente sobre o segundo acidente fatal em três etapas consecutivas do SuperBike Brasil em provas realizadas no Autódromo de Interlagos.

 

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Site do SBB informa sobre o acidente e anuncia nova etapa (www.superbikebrasil.com.br)

A julgar por essa atitude de quem se espera zelar pela prática correta do esporte há coisas mais importantes a tratar do que, no mínimo, acompanhar de perto um evento tido como a expressão máxima da especialidade. O fato desse promotor não ser filiado à CBM e à FPM não pode ser aceito quando se considera que o esporte como um todo é prejudicado quando na pista se pratica o errado. No site da SuperBike nenhuma nota a respeito da decisão das fábricas de motos em retirar a maior parcela de apoio ao evento, mas já se anuncia a próxima etapa da temporada, dia 16 de junho, em Interlagos, cuja administração tenta, timidamente, criar um protocolo de obrigações mínimas para quem usa o autódromo.

 

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