F1: Na Hungria, Kers deixa carro até 0s3 mais veloz por volta

Opinião é de Luiz Razia, terceiro piloto do Team Lotus; confira uma análise técnica completa do circuito de Hungaroring

Há 25 anos, quando realizou sua primeira corrida na Fórmula 1, o GP da Hungria quebrou um tabu: foi a primeira prova da categoria em um país da chamada “Cortina de Ferro” (expressão usada para países da Europa Oriental aliados à então União Soviética). Em 2011, o paradigma a ser rompido é outro: o da falta de ultrapassagens no Hungaroring, que já dura muito tempo.

Desde quando realizou sua primeira corrida, em 1986, o GP da Hungria dificilmente proporcionou provas emocionantes. A corrida mais notória é a de 1990, quando o belga Thierry Boutsen suportou até o fim uma forte pressão de Ayrton Senna e, sem trocar pneus, recebeu a bandeirada com 0s288 de vantagem. Tudo isso se deve ao travado traçado de 4.381 metros, com apenas uma reta propriamente dita, e 14 curvas. Muitos pilotos consideram a pista um kartódromo para carros de corrida.

Outra característica marcante de Hungaroring é a de proporcionar aos pilotos suas primeiras vitórias. Foi assim com três, dois deles campeões mundiais: Fernando Alonso, em 2003; Jenson Button, em 2006, e Heikki Kovalainen, em 2008. Dos pilotos atuais, Michael Schumacher tem o maior número de vitórias, quatro, contra duas de Lewis Hamilton e uma de Button, Alonso, Kovalainen, Mark Webber e Rubens Barrichello. Ayrton Senna já venceu três vezes na Hungria, enquanto Nelson Piquet ganhou as duas primeiras provas disputadas por ali.

Confira uma análise técnica completa do circuito húngaro, na visão de Luiz Razia, terceiro piloto do Team Lotus na Fórmula 1:

Aerodinâmica
“O fator aerodinâmico na Hungria é bastante importante. Mesmo que as curvas não sejam as mais rápidas, a velocidade media nelas é acima dos 80km, e isso faz com que o peso aerodinâmico funcione no carro. Nesse circuito, as equipes devem trazer as configurações máximas de pressão aerodinâmica disponíveis, para que o carro produza o máximo de pressão aerodinâmica mesmo com pouca velocidade.”

Freios
“Não consideramos Hungaroring um circuito muito agressivo nos freios, mas o uso deles é muito constante durante a prova e em pouca quantidade de pressão. As equipes devem ajustar as temperaturas baseando-se principalmente na massa total do carro para a corrida, que é o mais importante.”

Motor
“Este é um circuito muito importante no torque inicial. A pista tem muitas curvas em sequência e a demanda de potência para fazer crescer a velocidade do carro em um curto tempo é importante. Ou seja, motores com mais potência podem fazer grande diferença aqui em Hungaroring.”

Estrategia
“Será interessante ver o quanto os pneus moles vao resistir. A energia usada em tração e lateralmente aqui em Hungaroring é bem maior que em Nurburgring; então, espero que as equipes tenham um pouco mais de dificuldade com a duração dos pneus. Prevejo, no mínimo, três paradas para equipes de ponta.”

Kers
“Como já disse, as saídas de curvas aqui são importantes, e o Kers ganha uma importância ainda maior, pois ele usa uma energia que, teoricamente, seria desperdiçada. Por isso pode ter um efeito de até 0s323 durante uma volta.”

Asa móvel
“A zona de ativação da asa, ou DRS, será na reta principal. Essa pista é parecida com Mônaco no aspecto de ser muito dificil de ultrapassar, mas vamos ver se, com o DRS na reta principal, as coisas começam a mudar.”

Pneus
“O fator mais importante aqui vai depender do desgaste durante os treinos livres, assim as equipes podem fazer a estrategia de acordo com o que se lê durante os treinos. A diferença de um composto para o outro pode ser um fator determante para as equipes.”

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