Autódromo Nazionale celebra 104 anos de história justamente no fim de semana da corrida mais rápida do calendário da Fórmula 1
A caravana da Fórmula 1 chega neste fim de semana ao Autodromo Nazionale Monza para o GP da Itália 2026, disputado entre 4 e 6 de setembro. E a data é simbólica: nesta quinta-feira (3), o circuito italiano celebrou exatos 104 anos de sua inauguração, em 1922 — uma trajetória que mistura curvas parabólicas, recordes de velocidade e a paixão inconfundível dos tifosi.
Conhecido como “Templo da Velocidade”, Monza é um dos palcos mais tradicionais do esporte e promete ser, mais uma vez, a pista mais veloz da temporada, com os carros em aceleração máxima por cerca de 80% da volta.
Um circuito erguido em 110 dias que entrou para a história
Construído em apenas 110 dias em 1922, Monza foi o terceiro autódromo purpose-built do mundo, atrás apenas de Brooklands, no Reino Unido, e Indianápolis, nos Estados Unidos. Como seus predecessores, o traçado original tinha curvas inclinadas de concreto, além de trechos do “miolo” que seguem em uso até hoje.
O circuito abriu as portas em 3 de setembro de 1922, uma semana antes de receber o Grande Prêmio da Itália daquele ano. Em 1950, entrou no calendário inaugural da Fórmula 1 e sedia a prova italiana todos os anos desde então — com uma única exceção: 1980, quando Ímola assumiu a corrida.
Como é pilotar no Templo da Velocidade
Os números dimensionam o desafio. Em 2025, a pole position de Max Verstappen registrou média de 264,682 km/h — a volta mais rápida em velocidade média na história da Fórmula 1. Já o recorde de volta em corrida pertence a Lando Norris: 1min20s901, também estabelecido em 2025.
Na reta principal de 1,1 km, os carros atingem a velocidade máxima antes de mergulhar em chicanes estreitas que castigam os freios. No setor intermediário surgem as curvas Lesmo; depois vêm a Ascari e a Parabolica — oficialmente rebatizada de Curva Alboreto, em homenagem ao falecido piloto italiano Michele Alboreto.
“É baixo downforce, e tudo começa com a frenagem na chicane do setor 1, fazendo o carro parar da melhor forma possível para a curva 1 — essa é a chave”, explica Jolyon Palmer, ex-piloto da Renault. “As Lesmos são mais divertidas do que parecem, com um leve desnível.”
Segundo Palmer, o primeiro trecho da Ascari (curvas 8 a 10) é o ponto crucial: velocidade excessiva significa encontrar a brita. “E, se acertar a 8, é pé embaixo na 9 e na 10 até a Parabolica”, completa.
Straight Mode e Overtake Mode: As novas armas em Monza
Sob o regulamento de 2026, Monza tem quatro zonas de Straight Mode — configuração aerodinâmica que reduz o arrasto nas retas: a reta principal e os trechos entre as curvas 3 e 4, 7 e 8 e 10 e 11.
Já o Overtake Mode, que substitui o DRS, libera potência elétrica extra quando o piloto está a menos de um segundo do carro à frente no ponto de detecção. Em Monza, a detecção fica pouco antes da curva 11, com ativação na saída da curva, em direção à reta principal — o ingrediente perfeito para as disputas de domingo.
Monza em números
- Extensão: 5,793 km
- Curvas: 11 (segundo menor número do calendário, atras apenas do Red Bull Ring)
- Voltas: 53
- Distância de corrida: 306,72 km
- Recorde de volta: 1min20s901 – Lando Norris (2025)
Recordes e curiosidades do GP da Itália
- Pentacampeões em casa: Lewis Hamilton e Michael Schumacher dividem o recorde de vitórias em Monza, com cinco triunfos cada.
- Domínio vermelho: A Ferrari é a maior vencedora do GP da Itália, com 20 vitórias — combustível extra para a maré vermelha dos tifosi nas arquibancadas.
- Veterano do calendário: o GP da Itália está presente desde a temporada inaugural de 1950; apenas em 1980 foi realizado fora de Monza.
- Pole histórica: em 2025, Verstappen cravou em Monza a volta de classificação com maior velocidade média já registrada na categoria.
Com treinos livres na sexta-feira (4), classificação no sábado (5) e a corrida no domingo (6), o Templo da Velocidade está pronto para escrever mais um capítulo de sua história centenária.

