Histórias: A equipe March

A March nasceu da união de quatro amigos, em uma pequena oficina em Bicester, Inglaterra, o nome veio das iniciais dos quatro, Max Mosley, Alan Rees, Grahan Coaker e Robin Herd. Cada um ficou responsável por uma área, Mosley com os negócios, Ress, ex-piloto que disputou 3 GPs de F-1 entre 1966 e 1967, com a chefia do time nas corridas, Coaker como supervisor e Herd como designer dos modelos.O primeiro modelo produzido foi um F-3.


Logo em 1970 conseguiram um contrato com Ken Tyrrell, que era o gerente da carreira do campeão Jackye Stewart, Ken trocou o chassi Matra, pelo novo March, até que seu próprio carro ficasse pronto. Ken Tyrrell inscreveu então a Tyrrell Racing organization, utilizando os novos March 701 com motor Cosworth, para Stewart e Servoz-Gavin. A March montou uma equipe oficial, com Chris Amon e Joseph Siffert.


A estréia dos March foi, no GP da África do Sul, primeira etapa de 1970, os carros logo surpreenderam com Stewart marcando a pole seguido por Amon, na corrida Stewart terminou em 3º lugar. Na corrida seguinte, Espanha, Stewart conquistou a primeira vitória da equipe na categoria e pilotando um March particular, Mário Andretti, foi 3º lugar, nesta corrida. Stewart foi também 2º lugar na Holanda e Itália antes de passar a correr com o chassi Tyrrell, no GP do Canadá. Servoz-Gavin foi substituído por François Cevert a partir do GP Holanda, que mesmo com a estréia do Tyrrell continuou pilotando o March. A equipe oficial conquistou bons resultados, com Amon foi 2º lugar na Bélgica e França e 3º lugar no Canadá. Siffert, porém, decepcionou não conquistando nenhum ponto no campeonato. O novato sueco Ronnie Peterson disputou oito GPs com um March particular tendo o 7º lugar em Mônaco como, melhor resultado. Nos construtores, foram 48 pontos, e um bom 3º lugar. Neste ano também começaram a disputar a F-2 e Coaker deixou a equipe no final da temporada.



Ronnie Peterson passou a piloto oficial com a ida de Amon para a Matra e Siffert para a BRM. O espanhol Alex Soler Roig foi o parceiro do sueco nas cinco primeiras provas do ano, o inglês Mike Beutler assumiu o carro no restante do campeonato. E uma segunda equipe, equipada com motores Alfa-Romeo foi montada com os pilotos italianos Andrea de Adamich e Nanni Galli, que não conseguiram nenhum bom resultado no ano. Frank Willians inscreveu um March para o francês Henri Pescarolo, que teve o 4º lugar na Inglaterra como, melhor resultado. Diversos outros March foram inscritos em GPs, com jovens pilotos como o francês Jean Pierre Jarier e o austríaco Nick Lauda. Peterson foi 2º lugar em 4 etapas, Mônaco, Inglaterra, Itália e Canadá sendo vice-campeão com 33 pontos, o campeão Stewart, da Tyrrell marcou 62. Nos, construtores, foram 34 pontos e de novo o 3º lugar. Na, F-2 a March foi campeã com Peterson e Alan Ress deixou a equipe ao final do ano, para se juntar a uma nova que estava sendo montada, a Shadow.



Peterson continuou para 1972 agora com a companhia de Lauda, Frank Willians contratou o brasileiro José Carlos Pace para ser companheiro de Pescarolo.Um March 721 foi adquirido para o alemão Rolf Stomellen e modificado sendo rebatizado Eifelland 21, disputando 8 provas, sem destaque. Peterson conquistou apenas 12 pontos sendo 3º lugar na Alemanha. Lauda não pontuou no ano. Pace marcou 3 pontos com o March de Frank Willians. Nos construtores 15 pontos e o 6º lugar.



Peterson foi contratado pela Lotus em 1973, e o novato francês Jean Pierre Jarier, foi inscrito em ambos os campeonatos, de F-1 e F-2, como piloto oficial da fábrica. Frank Willians resolveu apostar em um chassi próprio, denominado Iso, não utilizando mais os March. O lord inglês Hesketh comprou um carro para a promessa inglesa James Hunt e Mike Beutler continuava a correr, pelo terceiro ano seguido, com seu velho March. Os melhores resultados vieram, com o carro de Lord Hesketh, Hunt foi 3º na Holanda e 2º nos EUA, marcando 14 pontos no campeonato. A equipe oficial, porém, teve um ano difícil, Jarier não conseguiu marcar nenhum ponto e ainda teve o terrível acidente com o jovem inglês Roger Williansson, que substituía Jarier, no GP da Holanda, o piloto de 25 anos capotou ficando com as 4 rodas para cima e não conseguindo sair do carro, que começava a pegar fogo, os fiscais de pista foram incapazes de ajudar o piloto, para desespero do piloto David Purley, que parou seu March e tentou, em vão, virar o carro em chamas, Williansson morreu queimado, no acidente mais estúpido da história da F-1, até hoje ele, que foi campeão da F-3 Inglesa em 1971 pela March, é lembrado pela impressa inglesa como o maior talento inglês perdido nos fatídicos anos setenta. Nos construtores a equipe terminou em 5º lugar com 14 pontos, e na, F-2 Jarier venceu, com facilidade, o campeonato.



O alemão Hans Stuck Jr, filho do lendário piloto dos anos trinta Hans Stuck, substituiu Jarier, que foi para a Shadow, em 1974, tendo com companheiro o italiano Vittorio Brambilla. Lord Hesketh deixou os chassis March para construir o seu próprio. Stuck marcou 5 pontos no ano, sendo 4º lugar na Espanha, Brambilla conseguiu apenas um 6º lugar, na Áustria. No final do ano apenas seis pontos e o 9º lugar entre os construtores.



Em 1975, Brambilla, com o patrocínio de uma fábrica de ferramentas, permaneceu na equipe, conseguindo dois surpreendentes resultados, a pole-position para o GP da Suécia e a vitória no conturbado GP da Áustria, corrida marcada pelo acidente fatal, ocorrido no Warm-Up do americano Mark Donohue, da Penske, mas que pilotava um March adquirido por Roger Penske a pedido do piloto, um fiscal de pista também faleceu. No dia da prova caiu um temporal o que levou a direção de prova a encerrar a corrida na 29º volta, Brambilla de tão feliz pela vitória levantou os braços, batendo seu March logo depois de receber a bandeirada. A italiana Lella Lombardi tornou-se a primeira mulher a correr regularmente na, F-1, com o apoio de um marca de café, comprou um March sendo 6º lugar no GP da Espanha, mas só levando meio ponto, pois, a corrida foi interrompida antes de se completar 75% das voltas, devido a um terrível acidente com o alemão Rolf Stommelen, da Hill, que liderava a prova, mas, perdeu o aerofólio traseiro, que voou sobre os espectadores, matando cinco. Foram 6,5 pontos e o 8º lugar entre os construtores.



Brambilla entrou em sua terceira temporada com a equipe, e dois ex-pilotos retornaram a March em 1976, Hans Stuck Jr e Ronnie Peterson. Stuck marcou oito pontos, com Peterson conseguindo os dois últimos grandes resultados da equipe na década, a pole-position para o GP da Holanda e a vitória no GP da Itália. Brambilla marcou apenas um ponto. Lella Lombardi só disputou o GP do Brasil com o March. Nos construtores, o 7º lugar com 19 pontos.



O pior ano da equipe foi 1977, o brasileiro Alex Dias Ribeiro e o sul-africano Ian Scheckter, irmão de Jody, ambos patrocinados por marcas, diferentes, de cigarro foram inscritos para a temporada. A equipe já estava em fase terminal, Max Mosley, envolvido com a FOCA, não dava a mínima atenção para a equipe, que num golpe de publicidade anunciou a construção do March 240, de seis rodas, duas na frente e quatro atrás, o carro nunca foi testado. Frank Willians voltou a usar os chassis March, com o belga Patrick Neve. Diversos outros pilotos particulares, como o holandês Boy Hayje e o italiano Arturo Merzario usaram o chassi, nas poucas corridas em que conseguiram se classificar, nenhum ponto foi conquistado. Ao final do ano Mosley e Herd decidiram fechar a equipe, vendendo o espólio para a equipe ATS. Com a venda Mosley se desligou do time. Os carros de fórmulas menores continuaram a ser produzidos, com sucesso. Herd, o único membro remanescente, em 1981, depois de um acordo com a RAM Automotive, uma equipe independente que comprava chassis, construiu um chassi de F-1, o chileno Eliseo Salazar disputou uma prova com o carro, sendo substituído pelo inglês Derek Daly, que teve como, melhor resultado, o 8º lugar no Canadá. Em 1982 foram inscritos dois carros, para o brasileiro Raul Boesel e o veterano alemão Jochem Mass, o 7º lugar do alemão no GP dos EUA-Leste foi a melhor colocação do carro. Depois dos treinos para o GP da Alemanha, no qual o canadense Gilles Villeneuve, da Ferrari, morreu após bater na traseira do March de Mass e decolar, Jochen decidiu abandonar a F-1, o inglês Rupert Keegan assumiu seu lugar. Um terceiro carro, particular, foi inscrito, em cinco GPs, com o espanhol Emílio de Villota, que não se classificou para largar em nenhum. Ao final do ano a RAM decidiu construir seu próprio chassi, encerrando o acordo com a March.



A fábrica continuava a fazer sucesso em diversas outras categorias, com a F-2 e a F-Indy, onde começou a operar no início dos anos oitenta, dominando a categoria até meados da década de oitenta. Na F-3000 venceu os três primeiros campeonatos.



Devido ao sucesso nos EUA, Herd junto com Gordon Coppuck, decidiu retornar a F-1 em 1987, equipado com um motor Judd, o modelo 871 não ficou pronto para a primeira prova do ano, GP do Brasil, o italiano Ivan Capelli usou um F-3000 adaptado, sendo utilizado a partir do GP de San Marino. O 6º lugar em Mônaco foi o melhor resultado no ano, e depois de 11 anos a March voltava a figurar no mundial de construtores, com um ponto e o 11º lugar.



O brasileiro Maurício Gugelmin foi contratado como parceiro de Capelli em 1988, a temporada foi animadora, Capelli conquistou 17 pontos e dois pódios, 2º lugar em Portugal e 3º lugar na Bélgica. Gugelmim marcou 5 pontos no ano. Foram 22 pontos e o 6º lugar entre os construtores. O sucesso da March em seu retorno á F-1, porém, não durou muito tempo Tanto na Europa quanto na F-Indy a fábrica estava tendo sérios problemas, e isto acabou refletindo na F-1, o 3º lugar de Gugelmim no GP do Brasil, e a melhor volta do brasileiro no GP da França, foram os únicos bons resultados em 1989. Capelli não pontuou nenhuma vez. Foram apenas 4 pontos e o 12º lugar nos construtores. No final do ano Herd, deixou a March, vendendo as equipes de F-1 e F-3000 para Akira Akagi, dono da Leyton House, principal patrocinador da equipe.



Em 1990 a equipe passou a se chamar Leyton House, Capelli e Gugelmim continuaram como pilotos, mas o ano foi péssimo, o único bom momento foi o 2º lugar de Capelli no GP da França, depois de liderar a prova por 45 voltas. Gugelmim marcou apenas um ponto. Nos construtores foram 7 pontos e o sétimo lugar. Os motores Illmor substituíram os Judd em 1991, mas o 6º lugar, de Capelli, na Hungria foi o melhor resultado no ano, o austríaco Karl Wendlinger substituiu Capelli nas duas últimas provas do ano. Nos construtores um ponto e o 12º lugar. Em setembro Akagi foi preso for fraude e a equipe foi vendida para um consórcio, voltando a se chamar March.



Capelli foi contratado pela Ferrari e Gugelmim pela Jordan, Karl Wendlinger e o francês Paul Belmondo, filho do astro do cinema Jean Paul Belmondo, começaram a temporada de 1992, Belmondo foi substituído pelo italiano Emanuelle Naspetti a partir do GP da Bélgica e Wendlinger, pelo veterano holandês Jan Lammers, nos dois últimos GPs do ano. O 4º lugar, de Wendlinger, no Canadá, foi o único bom resultado no ano. Nos construtores, 9º lugar com 3 pontos. O GP da Austrália de 1992 foi o último da história da March, Lammers terminou em 12º e Naspetti abandonou. A equipe não conseguiu se vendida novamente fechando as portas no início de 1993.



A March disputou 236 GPs, com 3 vitórias,5 poles-positions, 7 melhores voltas e 172,5 pontos conquistados.

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