Histórias: Equipe Matra

A Mecanique Aviation Traction foi fundada pelo engenheiro de aviação francês Marcel Chassagny em 1942, quando conseguiu vários contratos com o governo francês na área de defesa.


Em 1961, a DB Partnership, empresa de seu amigo René Bonnet, que produzia carros para fórmulas menores e carros esporte faliu tendo seu espólio comprado por Chassagny, mas somente em 1964, com as vendas em baixa, ele resolveu apostar no esporte a motor, como forma de propaganda para sua empresa, assim nasceu a Matra Sports. O primeiro carro, de F-3, foi construído em 1965, equipado com motor Cosworth, logo fez sucesso e Jean Pierre-Beltoise se sagrou campeão ao final do ano. Carros esporte também começaram a ser produzidos.

Em 1966 decidiram entrar na, F-2, usando um motor BRM, com Beltoise e Jo Schlesser como pilotos. Neste ano começou uma relação comercial entre a empresa e Ken Tyrrell, empresário de um jovem piloto, Jackye Stewart, surgindo assim a Matra International. Neste ano a Matra inscreveu seus dois pilotos para o GP da Alemanha de F-1, era tradição os carros de F-2 correrem em Nurburgring juntos com os de F-1, Beltoise terminou em 8º lugar geral, e em primeiro entre os, F-2. Ken Tyrrell também inscreveu dois Matra nesta corrida, com Hubert Hahne e Jacky Ickx. Na, F-3 francesa, venceram o campeonato com Johnny Servoz-Gavin.


Após um encontro entre o principal responsável pela Matra Sports, Jean-Luc Lagardere e o chefe da Elf, Jean Prada, em Mônaco, 1967, um acordo foi celebrado para a construção, de um motor de 3 litros para a, F-1, financiado pela petroleira francesa, e baseados em Velizy, os motores ficaram a cargo do engenheiro, da Simca, Georges Martin. Na, F-2 Beltoise continuava e Gavin foi promovido da, F-3. Mas uma vez os carros foram inscritos em corridas de F-1, Sevoz-Gavin, no GP de Mônaco e Beltoise, no GP do México, onde foi 7º lugar geral. Ken Tyrrell inscreveu Ickx para o GP da Alemanha. Schlesser com um Matra particular, também correu na Alemanha. Ickx venceu o campeonato de F-2 deste ano. Na, F-3 o sucesso foi estrondoso, Pescarolo se sagrou campeão, com os carros vencendo 20 das 30 corridas do ano.


Os motores Matra de F-1 ficaram prontos para a temporada de 1968, e duas equipes foram inscritas no certame, a Matra Sports, com Jean Pierre Beltoise e equipada com motor Matra V12 de 3 litros e a Matra International, comandada por Ken Tyrrell, usando os motores Ford Cosworth V8 e com Jackye Stewart como piloto. A Matra Sports utilizou o modelo MS 11 enquanto a Matra International usou o MS10, ambos projetados por Gerard Ducarouge. Stewart conquistou 3 vitórias no ano, Holanda, Alemanha e EUA, sendo vice-campeão, com 36 pontos, contra 48 de Graham Hill, da Lotus. Beltoise marcou 11 pontos, sendo 2º lugar na Holanda. Servoz-Gavin disputou 4 provas pela Matra International, sendo 2º lugar na Itália. Pescarolo foi parceiro de Beltoise em 3 GPs, sem destaque. Na, F-2 Beltoise se sagrou campeão.


Com o modelo MS 80, a Matra decidiu continuar a fornecer Chassis para KenTyrrell, e não inscrever a Matra Sports no campeonato. Os Ford Cosworth continuaram a equipar os carros e Beltoise passou a fazer parte da Matra International. Jackye Stewart dominou o campeonato, conquistando seis vitórias, África do Sul, Espanha, Holanda, França, Inglaterra e Itália, vencendo facilmente o mundial, com 63 pontos contra 37 de Jacky Ickx, da Brabham, o vice-campeão. Beltoise conquistou 3 pódios, sendo 2º na França e terminou o campeonato em 5º lugar com 21 pontos.Neste ano a Matra lançou o MS 84, com tração nas quatro rodas, uma inovação que acabou se mostrando um grande fracasso, a Lotus e a McLarem também produziram modelos deste tipo, Johnny Servoz-Gavin foi 6º lugar no GP do Canadá com este carro, a única vez que um carro de tração nas quatro rodas pontuou no mundial.Entre os construtores a Matra foi campeã com 66 pontos.Na, F-2, Servoz-Gavin se sagrou campeão.


No fim de 1969 a divisão automotiva da Matra foi vendida para a Chrysler francesa sendo renomeada como Matra-Simca. Em 1970 chegou ao fim a parceria com Ken Tyrrell, que passou a utilizar os chassis March, enquanto preparava seu próprio carro.Continuando a utilizar os motores V12, a Matra inscreveu dois carros pra 1970, com Beltoise e Pescarolo, mas os resultados foram fracos, Beltoise conquistou 16 pontos e dois 3º lugares, na Bélgica e Itália enquanto Pescarolo fez 8 pontos, sendo 3º em Mônaco. Nos construtores terminou em 6º com 23 pontos.


Chris Amon foi contratado para 1971, vencendo o GP da Argentina, que não contava pontos para o mundial, curiosamente esta foi á única vitória do neo-zelandês na, F-1, um dos mais habilidosos pilotos da década de sessenta, mas um tremendo “pé-frio”, pois perdeu diversas corridas praticamente ganhas, na sua fase de piloto Ferrari e não venceu nenhum GP oficial. O 3º lugar na Espanha foi seu melhor resultado no ano, e apenas 9 pontos no mundial. Beltoise, que se envolveu no terrível acidente que vitimou o italiano Ignácio Giunti, durante o GP da Argentina de Esporte protótipos, saindo muito ferido e sendo acusado pelo acidente, conseguiu apenas um único ponto, 6º na Espanha. Nos construtores foram 9 pontos e o 7º lugar.


Beltoise se transferiu para a BRM em 1972 e apenas um carro, com Amon, disputou o campeonato sendo 3º na França, e conquistando 12 pontos no mundial, terminando em sexto entre os construtores. O GP dos EUA foi o último da história da Matra, Amon largou em 7º, terminando em 15º. Ao final do ano a equipe de F-1 se desfez. Os Matra do campeonato de Esporte protótipos continuaram a correr, vencendo ás 24 horas de Le Mans de 1972(Pescarolo e G.Hill), 1973( Pescarolo e G.Larrousse) e 1974( Pescarolo e G.Larrousse) e o campeonato de protótipos nos anos de 1973 e 1974, no final deste ano a Matra abandonou definitivamente o esporte.A vitória de 1972 foi muito especial, pois, Graham Hill se tornou o primeiro e até agora único piloto da história a vencer a chamada tríplice coroa do automobilismo, o inglês venceu por 5 vezes o GP de Mônaco(1963,’64, ’65, ’68 e ’69), as 500 milhas de Indianápolis em 1966 as 24 horas de Le Mans em 1972 e de quebra foi bi-campeão de F-1, em 1962 e 1968, feitos quase impossíveis de serem igualados.Gerard Ducarouge e a maioria dos funcionários foram trabalhar na nova equipe francesa, a Ligier, que utilizou os motores Matra nas temporadas de 1976, 1977, 1978, 1981 e 1982 conquistando 3 vitórias. A Shadow também usou os motores Matra em 3 GPs em 1975.


A Matra disputou 61 GPs, com nove vitórias, quatro poles, doze melhores voltas e 155 pontos conquistados, sendo campeã de pilotos e construtores em 1969.

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