Historias: Equipes independentes Parte 1

No inicio da Fórmula 1 era muito comum a existência de equipes independentes, que usavam chassis adquiridos das equipes chamadas construtoras. Muitas destas equipes competiram durante muitos anos, usando variados chassis. Até o final dos anos setenta estas equipes ajudaram a encher os grids da Formula 1, conquistando até vitórias e revelando vários talentos para as equipes de fábrica. Nesta série vamos contar as histórias das principais equipes independentes, cuja mais importante foi a Rob Walker. Vamos começar pela Scuderia Centro Sud.

 

Scuderia Centro Sud


 


Guglielmo “Mimmo” Dei, um negociante de carros Maserati fundou a Scuderia Centro Sud, no meio dos anos cinqüenta, como um hobby. O nome veio da localização de seus negócios, o centro e o sul italianos. Utilizando Maseratis 250 F, a equipe apareceu pela primeira vez nas pistas da F-1, no GP de Mônaco de 1956, com o piloto local Louis Chiron. O carro não conseguiu se classificar para a largada. Na corrida seguinte, GP da Bélgica, com o italiano Luigi Villoresi, o carro se classificou em 22º no grid, terminando num ótimo 5º lugar. Naquele ano a equipe disputaria mais dois GPs, na Alemanha e Itália, com diferentes pilotos, como o norte-americano Harry Schell.


 


Em 1957, a equipe participou de cinco GPs. E conseguiu o seu melhor resultado no GP de Mônaco. O norte-americano Masten Gregory chegou em terceiro. Ele ainda conquistaria dois quartos lugares no ano, totalizando 10 pontos no mundial de pilotos. Harry Schell também conquistou um quarto lugar no GP da Argentina para a equipe.  Outros pilotos, como o sueco Joakim Bonnier, também guiaram para o time.


 


Com diversos pilotos diferentes, a equipe esteve em oito GPs em 1958. Mas não conseguiu nenhum bom resultado, o sétimo lugar, com o francês Maurice Trintignant no GP da Bélgica, foi o melhor. O campeão das 500 Milhas de Indianápolis, em 1952, Troy Ruttman, disputou o GP da França, pela equipe.  Também se inscreveu para o GP da Alemanha, mas não se classificou para a largada.


 


Com a saída da Maserati da F-1, Guglielmo Dei passou a usar o chassi Cooper T51, com o motor Maserati. O inglês Ian Burgees disputou quatro, dos cinco GPs em que a equipe se inscreveu, sendo sexto colocado no GP da Alemanha. O segundo carro, como de costume foi conduzido por diversos pilotos, como o português Mario Cabral. O brasileiro Fritz D’Orey, o último representante verde-amarelo na F-1, até Emerson Fittipaldi, estreou na categoria com uma Maserati da equipe, no GP da França.


 


Depois de dois anos, um carro da equipe voltou a terminar entre os primeiros num GP. O argentino Carlos Menditeguy cruzou em quarto lugar o GP da Argentina de 1960. Os carros foram inscritos em oito, dos dez GPs da temporada. O norte-americano Masten Gregory voltou a pilotar para a equipe, sem sucesso. O alemão Wolfgang Von Trips defendeu a equipe em uma prova, o GP dos EUA.


 


Em 1962 Guglielmo Dei contratou um jovem e promissor piloto italiano, Lorenzo Bandini. Mas o velho Cooper T53, adquirido em substituição ao T51, já estava obsoleto. A equipe se inscreveu em apenas quatro GPs. O italiano Massimo Natilli guiou o T51 em duas etapas. O melhor resultado no ano foi um oitavo lugar, no GP da Itália, com Bandini.


 


A equipe não participou da temporada de 1962, devido ao equipamento obsoleto que dispunha. Bandini foi para a Ferrari. Para 1963 a Scuderia Centro Sud retornou e pela primeira vez, sem nenhuma ligação com a Maserati. Foi adquirido um BRM P57, carro que venceu o campeonato de pilotos e construtores em 1962.  O chassi foi trabalhado em uma garagem próxima a fabrica da BRM. Porém a Scuderia Centro Sud teve que esperar a BRM lançar o seu novo modelo, o P 261, para estrear no campeonato. Na quarta etapa do ano, GP da Bélgica, a equipe reapareceu num grid da F-1, com o carro pintado de vermelho.


 


Lorenzo Bandini retornou a equipe, pois perdera o seu lugar, na Ferrari, para o belga Willy Mairesse. Na corrida seguinte, GP da Inglaterra, o italiano terminou em quinto lugar. Depois do GP da Alemanha, Bandini saiu da equipe, pois impressionou tanto o Comendador Enzo Ferrari nas três corridas, que retornou a Ferrari, na etapa seguinte, o GP da Itália. Substituindo o belga Mairesse, que havia sofrido um sério acidente na corrida alemã e nunca mais retornou a F-1. Trintgnant e o mexicano Moises Solana substituíram Bandini nos GPs da Itália e México respectivamente. Um velho Cooper T60 foi inscrito para o português Mário Cabral em duas etapas, mas ele só largou no GP da Alemanha.


 


A dupla, Tony Maggs, da África do Sul e Giancarlo Baghetti, da Itália, começaram a temporada de 1964. Em seis etapas disputadas os melhores resultados vieram com Maggs. Ele marcou quatro pontos com um sexto, no GP da Alemanha e um quarto, no GP da Áustria.


 


1965 foi o último ano da equipe. Ainda usando o P57 Masten Gregory, depois de um bom tempo afastado da F-1, retornou a equipe. Foram quatro GPs disputados no ano, sem nenhum bom resultado. O GP da Itália foi o último da equipe.


 


A equipe sempre alinhou no fim dos grids de largada, mas a sua maior contribuição foi ter servido de ponte para diversos pilotos no inicio de suas carreiras. No total 36 pilotos guiaram para a equipe. De desconhecidos, como o italiano Alfonso Thiele, a pilotos que mais tarde se consagrariam como Wolfgang von Trips e Lorenzo Bandini.


 


A Scuderia Centro Sud disputou 47 GPs, tendo como melhor resultado o terceiro lugar, com Masten Gregory, no GP de Mônaco de 1957. Pontuou em nove etapas do mundial. Foram 24 pontos, computados para as equipes Maserati, Cooper e BRM, da qual utilizava os chassis.


 

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