Kart – Brasileiro: Que a verdade seja dita – Direito de resposta Rodrigo Piquet

Prezados amigos,

Venho através deste, esclarecer a pela assessoria de imprensa JV5Racing (João Vasconcelos).


O piloto do kart 101 não perdeu no “tapetão” o título da Sênior A no Campeonato Brasileiro de Kart de 2006, perdeu sim porque sua equipe levou vantagem durante a competição, usando de má fé e desrespeitando o artigo 37, III, do capítulo VIII, do Regulamento Técnico Desportivo de 2006 que é muito explicito e de fácil entendimento.

“Não serão permitidos quaisquer métodos de aquecimento ou resfriamento artificial dos pneus ou uso de aditivos. Será proibida ainda a utilização de qualquer produto que altere a característica original dos pneus, ou seja, eles não poderão receber qualquer tipo de tratamento, como aplicação de líquidos ou de produtos pastosos, ou ainda de qualquer outro aditivo especial.”

É bom lembrar que durante a competição a temperatura da pista em Itumbiara chegava perto dos 60 graus, e os pneus chegavam ao boxe com a temperatura em torno de 110 graus. Sendo assim, fica muito clara a vantagem que o piloto do kart 101 teve quando usou toalhas molhadas em seus pneus no momento da largada da segunda bateria do Brasileiro, na frente de todos, no meio do grid e na maior cara de pau. O fato de perguntar ao Diretor de Prova se podia fazer uso das toalhas, não dá razão alguma para que uma equipe e piloto tão experientes tenham cometido tal erro, e com isto levarem uma vantagem significativa em cima do restante do grid.

Em minha opinião, dois erros dos comissários mudaram a história do campeonato:

1) A partir do momento que avisei ao Diretor de prova, no exato instante em que a irregularidade era cometida, durante a formação do grid, os comissários já teriam subsídios suficientes para penalizarem o piloto do Kart 101. Porém não o fizeram. Vale ressaltar que o Diretor de Prova não tem autoridade para deixar ou não um item do regulamento ser burlado. Sendo que eventuais perguntas sobre o que se pode ou não fazer, devem ser dirigidas aos comissários técnicos.

2) Por este fato entrei com um recurso. Meu recurso foi julgado, sendo que a decisão do mesmo foi favorável e o piloto do kart 101 deveria ser penalizado. Porém, os comissários mais uma vez erraram ao notificar o piloto sobre a irregularidade cometida. No documento entregue ao mesmo esqueceram de mencionar sua punição, o que deixou aberto o caminho para uma liminar, o que permitiu ao mesmo novamente largar na primeira posição na terceira bateria, ao meu lado. O correto seria o mesmo ter largado em último lugar, em função da irregularidade cometida, ficando o primeiro lugar automaticamente comigo. Se este procedimento tivesse sido adotado, devemos concordar que o rumo da prova provavelmente teria sido outro e, consequentemente, o resultado do campeonato também teria sido outro.

Dos 7 treinos (incluindo os warm-up’s) fui o mais rápido em 4 deles, inclusive o tempo mais rápido da semana foi o meu. Das 4 corridas fui o mais rápido na pista em 3 delas. Então, quando digo que o rumo da prova poderia ter sido outro, digo isso com justificativas bastante sólidas.

A única coisa que posso dizer ao piloto do Kart 101 é “parabéns pela pole position do Brasileiro”. Agora, a declaração do piloto, caso tenha sido ele mesmo o autor, é muito infeliz, pois ganhar na pista significa ganhar e seguir as regras de um regulamento; ganhar levando vantagem, é algo mesquinho e revoltante, que denigre a imagem do esporte, e desrespeita os mais de 20 pilotos do grid. O fato de não querer recorrer ao Supremo Tribunal, porque ganhou na pista é mais ridículo ainda, pois mesmo se o fizesse não teria embasamento jurídico algum.

Como o piloto Renato Russo não tinha nada a ver com isto, acabou como campeão da categoria. Sendo que este sim ganhou na pista, e está de PARABÉNS.

Fiz um grande investimento de tempo e dinheiro com o objetivo de defender o meu título de Campeão Brasileiro de 2005, e acabei não conseguindo realizá-lo. Mesmo assim, acho que aprendi muito neste campeonato. Infelizmente com assuntos fora da pista, mas automobilismo também é feito disto. Dúvidas ainda pairam na minha cabeça, pois quando nós pilotos erramos na pista recebemos até multas dos comissários em forma de dinheiro. Mas e quando os comissários erram? O que deveria acontecer? Nem desculpas eu recebi. Será que isto é correto?

Atenciosamente e obrigado por aqueles que torceram por mim,

Rodrigo Piquet



A reportagem pode ser conferida aqui!!

Foto: Allkart

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