Outras: Mais ‘verde’, Mundial de Turismo dá largada em Curitiba

Novo biocombustível é destaque da abertura da temporada do WTCC.

Com a primeira sessão de treinos livres nesta sexta-feira, das 15 às 15h30, o WTCC – Campeonato Mundial de Carros de Turismo da FIA inaugura no Autódromo Internacional de Curitiba – Pinhais não apenas o seu quinto ano de existência, mas ingressa também na segunda fase de sua proposta de cada vez mais se adequar às crescentes demandas por um automobilismo menos poluente e prejudicial ao meio-ambiente. Neste ano, a gasolina utilizada pelas quatro montadoras representadas na categoria – BMW, SEAT, Chevrolet e LADA – conterá 10% de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar que serão adicionados aos 90% de gasolina sem chumbo. A proporção de etanol é a mesma para os motores a diesel dos cinco SEAT León oficiais de fábrica.

O combustível foi testado durante os treinos de inverno na Europa e a adaptação dos motores foi considerada satisfatória pelos engenheiros das equipes. “Claro que foram necessárias algumas modificações na parte eletrônica, mas nada que não tenha sido solucionado com rapidez”, explicou o paranaense Augusto Farfus, do time oficial da BMW-Alemanha e único brasileiro na categoria. Neste final de semana, não é a nova gasolina a maior fonte de preocupação de Farfus, sexto colocado no ano passado. “A altitude de Curitiba, quase 1.000 metros acima do nível do mar, favorece os motores turbodiesel dos SEAT”, lembra.

A casa espanhola, de fato, dominou a prova de 2008 no Brasil – venceu as duas baterias, com o campeão Yvan Muller e Gabriele Tarquini. Como ocorre regularmente, a FIA alterou o regulamento técnico para devolver o equilíbrio às disputas e acalmar a insatisfação manifestada pelos adversários em relação ao poderio dos SEAT TDI – a marca ganhou 12 das 24 corridas. Como as principais forças não se encontraram nos testes de pré-temporada, a eficácia das medidas começará a ser comprovada na capital paranaense. Muller, no entanto, já admite que as complicações para o bicampeonato de pilotos e construtores serão bem maiores. “Será muito difícil conservar os dois títulos”, antecipa.

As duas outras novidades são o formato das sessões classificatórias de sábado, que obedecerão ao bem-sucedido modelo da Fórmula 1, e a estréia oficial da LADA entre os fabricantes. Dos 24 carros que entrarão na pista na primeira sessão, apenas os 10 mais rápidos decidirão a pole na segunda, que terá duração – 10 minutos – reduzida pela metade. “Na Fórmula 1 deu certo. Vamos ver se aqui também funciona”, diz o alemão Jörg Müller, companheiro de equipe de Farfus e ex-piloto de testes da Sauber e da Arrows no final dos anos 90.

A russa LADA disputará a primeira parte do calendário ainda com o modelo 110 utilizado no ano passado e que encontrou dificuldades para acompanhar o ritmo das rivais. A expectativa dos dirigentes da equipe é que dois dos três pilotos passem a correr com o novo Priora a partir da etapa da República Tcheca, em junho, ou de Portugal, no início de julho. “O 110 realmente não é um modelo competitivo, mas a LADA reforçou seu quadro técnico e deve crescer com o novo carro”, prevê Farfus.

Nesta quinta-feira, enquanto os mecânicos cuidavam dos detalhes finais da montagem dos carros, os pilotos se entregavam às atividades promocionais. Pela manhã, Yvan Muller foi “passageiro” do carro conduzido pelo atual campeão Nicolas Vouilloz no “shakedown” do Rali de Curitiba, válido como segunda etapa do International Rally Championship (IRC). Perguntado se havia gostado da experiência, Muller explicou: “Gostar não é a palavra apropriada, porque para um piloto o banco do passageiro não é uma sensação agradável. Mas fiquei impressionado com a pilotagem do Nicolas, a ponto de pensar em tirar a chave da ignição depois de algumas curvas. Brincadeiras à parte, foi interessante.” No começo da tarde, quase todos os pilotos participaram da sessão de autógrafos diante da sede do HSBC, principal patrocinador do evento. À noite, representantes de cada marca, capitaneados pelo astro local Farfus, receberiam a imprensa em coletiva que contaria também com a presença do prefeito Beto Richa.

Os organizadores acreditam que as arquibancadas e camarotes do autódromo voltarão a lotar, a exemplo das edições anteriores da prova na capital paranaense. É a quarta vez que Curitiba sedia a prova e a terceira como abertura do calendário. À base de troca por dois quilos de gêneros alimentícios, que serão destinados ao Instituto Pró-Cidadania de Curitiba, ingressos estão disponíveis em 14 postos espalhados pela cidade (inclusive em nove ruas da cidadania). Sábado e domingo, poderão ser trocados também na portaria do autódromo. Crianças até seis anos, acompanhadas dos pais ou responsáveis, terão entrada livre.

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