Rally Dakar: Etanol a 4 mil metros de altitude

Ao cruzar a fronteira entre Argentina e Chile, ontem, Klever Kolberg e Giovanni Godoi subiram e desceram a Cordilheira dos Andes.

O Valtra Dakar Eco Team segue sua aventura pelos nove mil quilômetros do maior rally do mundo. Hoje foi disputado o sétimo dia da competição, já em território chileno, entre as cidades de Copiapo e Antofagasta, em um trajeto de 670 quilômetros (483 deles cronometrados). E para a dupla formada pelo experiente Klever Kolberg e pelo navegador Giovanni Godoi, foi um dia mais tranqüilo.

“A viagem foi tranqüila e o carro funcionou perfeitamente hoje. Ontem cruzamos a fronteira pela Cordilheira dos Andes, subimos até quatro mil metros de altitude, enfrentamos um frio muito intenso e tanto o motor como o combustível desempenharam suas funções muito bem naquelas condições”, descreveu Kolberg, o primeiro competidor na história do Dakar a usar um veículo movido a etanol. O carro usado pelo Valtra Dakar Eco Team – um Mitsubishi Pajero Sport Flex – foi produzido e preparado no Brasil, assim como o combustível, 100% brasileiro.

“Antes de começarmos a viagem de hoje, aproveitamos para fazer uma revisão completa no carro”, contou. O dia anterior, no entanto, foi o mais difícil para o Valtra Dakar Eco Team no rally até agora. No trecho entre La Rioja e Fiambala – onde tivemos o problema de embreagem -, além da areia muito fofa, havia muito pó, o que além de prejudicar a visibilidade, penetrou em várias peças do carro, afetando inclusive algumas chaves eletrônicas”, descreveu Kolberg.

Com os problemas enfrentados na embreagem durante o quarto dia, ainda na Argentina, mas nas dunas do Deserto do Atacama, Klever Kolberg e Giovanni Godoi foram obrigados a se dirigirem ao acampamento sem passar pelos pontos obrigatórios de cronometragem e, por isso, a organização da prova desclassificou a dupla.

“A poeira invadiu o sistema que aciona a embreagem, deixando o pedal excessivamente duro. Conforme eu fazia mais pressão para acioná-la, a sobrecarga acabou rachando o ‘burrinho’ do acionamento e, apesar de ser uma peça bem vedada, o pó era muito fino e também entrou ali. A pressão do pedal causou uma rachadura, o que fez vazar o fluido e assim perdemos a embreagem”, explicou o veterano de 22 participações no Dakar.

Nenhum reparo conseguiu segurar o vazamento durante a especial do quarto dia, então a dupla foi obrigada a rumar diretamente para o acampamento. “Só então pudemos fazer a troca da peça e hoje desmontamos o câmbio para limpar o sistema de embreagem e seguir o roteiro do rally com menor risco do problema acontecer novamente”, disse.

Mesmo assim, Kolberg e Godoi optaram por continuar no percurso para testar o Mitsubishi Pajero Sport Flex, o primeiro carro na história do Dakar a competir usando o etanol como combustível.

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