Stock: Marco Campos recebe homenagem na Stock Car

Pintura do capacete do piloto, falecido em 1995 aos 19 anos, em prova da F-3000, será utilizada por Julio Campos em Brasília

O dia de hoje, 15 de outubro, marca os 16 anos do falecimento de uma das maiores promessas que o automobilismo brasileiro teve nos anos 90. Marco Campos, piloto paranaense da mesma safra de Ricardo Zonta, Enrique Bernoldi e Tarso Marques, perdeu a vida na última volta da última corrida da extinta Fórmula 3000 (atual GP2), disputada no circuito francês de Magny-Cours.

Para manter viva a memória de Marco, que perdeu a vida pouco antes de completar apenas 20 anos de idade, o irmão Julio, que seguiu os mesmos passos e hoje é um dos destaques da Copa Caixa Stock Car, decidiu fazer uma homenagem: correr com um capacete igual ao utilizado pelo piloto em sua meteórica carreira nas pistas.

Sempre inspirado por Marco, Julio já corre com um casco dotado do mesmo desenho (que simula um banho de tinta na parte de trás, com as gotas escorrendo na parte frontal), mas com as cores preta e vermelha. Contudo, decidiu utilizar a mesma pintura na etapa deste fim de semana da Stock Car, que acontece em Brasília neste domingo. Antes disso, Julio só havia usado um capacete semelhante no kart, quando o irmão ainda era vivo.

“Tinha 13 anos e lembro de tudo, de toda a situação. Já corria de kart desde os nove anos; aliás comecei no kart por causa dele. Toda a minha história no automobilismo foi por causa dele. Quando ele faleceu, na semana seguinte eu corri, pois sabia que, se parasse, meus pais não me deixariam voltar. Ele foi enterrado na terça e no domingo eu estava correndo”, relembra Julio.

“Isso é nada mais que uma homenagem. É aquele negócio, onde ele estiver, está vendo e sabe que a família aqui está toda emocionada com isso. Eu entrei dentro do carro chorando, hoje, e estou emocionado até agora. É um negócio muito difícil para mim e minha família. É uma coisa muito maluca andar com o capacete dele”, conta o piloto da Crystal Racing Team, que sempre conta com a companhia dos pais Roberto e Márcia, que superaram o trauma e hoje voltaram a frequentar os autódromos, agora com o filho mais novo.

“Minha família está muito emocionada em ver essas cores na pista de novo. É uma coisa para a família, para a gente recordar, e para todo mundo que conheceu o Marco, já que ele faleceu com 19 anos. Muito cedo. Todo mundo sabe que ele era uma grande estrela dentro do automobilismo e chegaria muito longe. Uma pena. Aconteceu muito cedo e ele não conseguiu mostrar quem sabe seu talento na F-1 ou em outras categorias. Estou aqui para tentar ser pelo menos um décimo do que ele foi para mim, o que já está mais do que bom. Ele sempre foi um grande cara e é ótimo fazer o que venho fazendo. Não quero nunca chegar nem perto dele e do que ele foi. Quero só fazer o meu”, completa.

A homenagem recebeu também o aval do melhor amigo de Marco, Enrique Bernoldi, que também recorda detalhes da convivência e de um momento bem peculiar. “O Marco era um amigão meu, provavelmente o meu melhor amigo na época. Nós estudamos juntos no mesmo colégio, em salas diferentes, mas no recreio sempre ficamos juntos, corremos muitos anos juntos disputando as vitórias no kart.”

“Ele era um grande piloto e chegaria na F-1, sim. Minha primeira viagem para a Europa foi com ele. Eu tinha 15 anos e ele me levou para fazer um teste na Alfa Boxer. Ele já estava na Europa fazia um ano e me ajudou no início lá. Eu era bem próximo dele, desde pequeno e o Julio era um molequinho, que ficava pentelhando a gente”, recorda Bernoldi, hoje competindo no Mundial de FIA GT.

Bernoldi inclusive lembra de um momento triste que aconteceu no dia do acidente fatal: “Falei com ele na véspera do acidente pelo telefone. Ele estava em Magny-Cours e eu correndo em Monza, na minha estreia na F-Renault. Combinamos de falar após as nossas corridas, eu venci e liguei empolgado, mas não consegui mais falar. À noite meu pai me ligou e me deu a notícia. Corri minha próxima corrida com uma mensagem no carro dizendo ‘We miss you Marco’, que quer dizer ‘Sentimos saudade, Marco’. Aliás, ele faz falta até hoje… Hoje, quando vi a foto do capacete com o Julio, minha voz ficou embargada. É uma justa homenagem a um cara que brilhou muito nas pistas”.

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