Stock: Possível fim de Curitiba preocupa pilotos

Júlio Campos e Antonio Pizzonia lamentam provável fechamento de mais um autódromo

Os rumores de fechamento do Autódromo Internacional de Curitiba-Pinhais ganharam um tom mais elevado nos boxes da Stock Car nesta sexta-feira durante a abertura dos treinos livres da 10ª e antepenúltima etapa da temporada. A área já teria sido vendida para uma incorporadora, disposta a erguer um empreendimento imobiliário em futuro próximo. “Parece que agora está tudo concretizado e só voltaremos a correr aqui em mais duas datas até o meio de 2016. Depois, adeus”, lamenta o paranaense Júlio Campos, da Equipe Prati-Donaduzzi. As prováveis datas do calendário do ano que vem já foram informadas às equipes, sem confirmação de qualquer praça até o momento.

Com 53 provas realizadas desde sua inauguração em 1989, o circuito da região metropolitana de Curitiba só perde para as 125 de Interlagos em número de corridas sediadas. Nos anos recentes, no entanto, não apenas superou o traçado paulistano como se tornou uma espécie de porto seguro e plano B da Stock Car. “Curitiba está sempre pronto para receber a categoria porque tem uma ótima estrutura. É só chegar aqui e correr. Além disso, custa muito menos do que Interlagos, onde a dificuldade de datas é sempre séria”, lembra o amazonense Antonio Pizzonia, companheiro de Campos.

Para Campos, o baque do desaparecimento da pista seria ainda mais doloroso. Único piloto local a ganhar em Curitiba, vitória conquistada em maio passado, Campos sente que um pedaço de sua própria história pode estar com os dias contados. “Como curitibano, sempre vi o autódromo como uma parte da minha casa. Seria muito triste passar na frente e ele não estar mais aqui. Se essa notícia se concretizar, espero que alguém consiga encontrar uma alternativa, porque o fechamento é ruim para a cidade e para o automobilismo brasileiro. Corridas são uma ótima opção de entretenimento em qualquer local. Já perdemos Rio de Janeiro e Brasília. Se continuar assim, vamos acabar indo apenas para pistas de rua, que também são interessantes, mas não oferecem ao público os mesmos espaços dos autódromos.”

Pizzonia, que nesta etapa está usando a decoração do capacete como veículo de apoio ao Outubro Rosa, campanha mundial de prevenção ao câncer de mama, observa que Curitiba oferece um nível de segurança acima da média e fará falta caso desapareça mesmo do calendário. “Não é uma dessas pistas mais antigas, com poucos cuidados na manutenção. Em termos de estrutura, é uma das melhores do Brasil, num centro importante, porque o automobilismo sempre foi muito forte no Paraná. A cidade perderia bastante e a gente ficaria de mãos atadas, sem poder fazer nada. Temos de torcer para que novas opções surjam no Brasil ou que os autódromos mais velhos sejam recuperados. Existem vários espalhados pelo país, mas sem poder abrigar uma categoria como a Stock Car. É o caso de Londrina, onde já fomos diversas vezes, mas hoje não dispõe da segurança necessária a uma categoria como esta. O funil está cada vez mais estreito e precisamos brigar para que essas pistas sejam reformadas. Não é apenas a Stock Car, mas todas as categorias seriam prejudicadas com o fechamento de Curitiba”.

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