Stock: Risco de desidratação ronda Stock Car no Rio

Calor leva a temperatura acima de 60 graus no interior dos carros.


Um inimigo invisível pode se transformar na principal ameaça aos pilotos que disputam neste domingo, no Autódromo de Jacarepaguá, a terceira e penúltima etapa dos playoffs da Stock Car: o calor acima de 60 graus no interior dos carros, previsto para o horário da corrida, cria o cenário perfeito para os males provocados pela desidratação, como a perda momentânea de consciência e, em casos mais severos, até mesmo um colapso.

A preocupação com as altas temperaturas é de tal ordem que a Federação Internacional de Automobilismo patrocinou estudo em 2004 para verificar o “efeito estufa” no cockpit dos carros do mundial de rali. Os resultados foram assustadores: a 40 graus centígrados, a temperatura corporal do piloto e do navegador chegou a 38 graus depois de apenas 20 minutos. “Esse já é um quadro de febre e que pode provocar conseqüências perigosas, até mesmo de delírios. O estudo revelou que a chance de o piloto cometer um erro sobe em 30%”, afirma Dino Altmann, médico-chefe do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 e da Stock Car.

Altmann lembra que casos recentes reforçam a necessidade de os pilotos obedecerem às recomendações do guia sobre segurança no automobilismo publicado pela FIA no ano passado. Em 2005, o carioca Duda Pamplona – que em teoria deveria estar mais adaptado aos rigores do clima tórrido da cidade – sucumbiu à desidratação ao final da prova. Na primeira prova dos playoffs, em Tarumã, Thiago Camilo precisou ser retirado do carro e atendido no ambulatório, embora a quebra da direção hidráulica tenha contribuído para o esgotamento físico que apresentou.

Os conselhos do organismo máximo do automobilismo mundial indicam a necessidade de uma alimentação leve e o consumo de líquidos antes, durante e depois da corrida. Álcool e alimentos de difícil digestão, como melão, pepino, cebola e molhos fortes, por exemplo, devem passar a quilômetros da dieta dos pilotos. Bebidas gasosas, café, chá e até mesmo quantidades exageradas de frutas e doces também precisam ser evitadas. O ideal é se abastecer de água mineral, suco de frutas, bebidas energéticas, massa, arroz, pão e alimentos absorvidos rapidamente e de alto valor calórico, como frutas secas.

O bicampeão Giuliano Losacco foi outro que sentiu o desgaste da vitória em Tarumã, onde deixou o carro aos pés do pódio clamando por um pouco de água. A Equipe Medley, no entanto, tem suas próprias armas para combater os perigos da alta temperatura. Além da garrafinha com uma mistura de água e isotônico, Losacco e o companheiro Guto Negrão usam um sistema de refrigeração por baixo do macacão, constituído de compartimento térmico que transporta a água fria por toda a parte frontal do tronco por meio de dutos, gerando uma redução da sensação térmica de até 30%. A FIA recomenda o consumo de dois litros de líquidos durante uma prova de Fórmula 1, mas o chefe da Medley acredita que o volume de 0,75 litro das garrafinhas da equipe é suficiente. “Nossas corridas duram no máximo 50 minutos, enquanto as da F1 têm em média uma hora e quarenta”, justifica Patrick Grandidier. A determinação do dr. Dino Altmann é que a garrafinha volte vazia para os boxes. “Eles devem beber um pouco toda vez que entrarem na reta”, recomenda.

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