500km Interlagos: Porsche vence corrida mais difícil que o previsto

Um problema no acelerador logo na largada e uma escapada no meio da corrida ameaçaram a merecida conquista de Max Wilson/Marcel Visconde.

O resultado foi exatamente o esperado, mas a forma como foi conquistado surpreendeu a todos na 26ª edição dos 500 km de São Paulo, disputada neste domingo (15), em Interlagos. Ganhou o favorito, o Porsche RSR, guiado por Max Wilson/Marcel Visconde. Que apesar da superioridade passou um sufoco na corrida, muito em função dos fatores que fizeram desta uma das provas mais movimentadas dos 50 anos de história do evento, comemorados em 2008.

As dificuldades começaram a aparecer logo na largada, quando o Porsche RSR, que saiu na pole position, perdeu três posições na primeira volta por causa de um problema no acelerador. Max levou o carro aos boxes, o time precisou de duas voltas para corrigir o defeito e, quando ele voltou para a pista, a vitória estava bem longe do seu alcance. Quem liderava era Aloysio Andrade/Ciro Aliperti, que abandonariam na 24ª das 117 voltas, com problemas no Protótipo 5.0.

Enquanto o Porsche RSR descontava a diferença mais atrás, a briga pela liderança parecia restrita ao Eclipse de Eduardo Souza Ramos/Leandro Almeida e o Spyder 2.0 de Edmar Stedille/Fernando Stedille. Max Wilson/Marcel Visconde brigavam com a Ferrari 650 GT2 de Lucas Molo/José Castilho pela 3ª posição. Foi quando apareceu um novo desafio. Marcel perdeu o controle na Junção, escapou da pista e viu a diferença que era visual subir para trinta segundos. Era o segundo susto do dia.

Estava tudo dando errado para os favoritos. As coisas só começaram a mudar a partir da 77ª volta, quando a corrida virou completamente em função de uma chuva rápida e forte que desabou sobre o circuito. Uma rodada na reta dos boxes provocou a bandeira vermelha na passagem seguinte, mas como a dupla Eduardo Souza Ramos/Leandro Almeida estava nos boxes trocando pneus quando tudo aconteceu, por lá ficou, já que a saída só foi autorizada na relargada.

Para completar, o time ainda teve um problema no turbo e, na tentativa de solucionar, perdeu uma volta. Seu principal adversário, o Spyder 2.0, sucumbiu com a chuva e foi ficando para trás. A dupla Lucas Molo/José Castilho aproveitou para crescer, assumiu a liderança e começou a abrir certa vantagem. Menos em relação ao Porsche RSR. Este vinha se aproximando. Não demorou até que viesse mais um incidente, outro safety car e com ele o carro de Max Wilson/Marcel Visconde, agora colado no líder.

A manobra de ultrapassagem veio na 84ª volta. Daí em diante, Max Wilson/Marcel Visconde não foram mais incomodados e conseguiram finalmente impor na corrida a superioridade demonstrada ao longo do fim de semana. Ganharam com quase uma volta de diferença em relação a dupla Lucas Molo/José Castilho. Com as três intervenções do safety car e mais a bandeira vermelha, os 500 km foram completados em 3h44min25s154, bem próximo da previsão de quatro horas.

Apesar dos problemas, Max Wilson garante que em nenhum momento a equipe considerou a possibilidade de perder a corrida. “No início da prova, sabíamos que seriam muitas voltas percorridas e que dava para recuperar as duas voltas perdidas com o defeito no acelerador. E foi até mais interessante, porque em função disto tivemos trabalho, foi uma corrida legal, serviu para testar o carro”, disse o piloto, que ganhou a prova pela segunda vez na carreira, repetindo 2002.

Mesmo com toda a movimentação da prova e a liderança por algumas voltas, Lucas Molo sabia que seria quase impossível segurar o Porsche RSR. “Eu sempre achei que os carros mais fortes aqui seriam o Porsche e o Eclipse. Poderíamos ter largado melhor, talvez entre os três primeiros, mas queríamos estar exatamente ali, atrás destes carros. Era a nossa posição. Conseguimos um pouco mais, então estou feliz. Mas o tempo todo sabia que o Porsche chegaria e ganharia a posição”, comentou.

A vitória na categoria II ficou com Fábio Sotto Mayor/Henry Visconde. Na classe III, Edmar Stedile/Fernando Stedile chegaram na frente. E pela categoria IV o primeiro lugar ficou com Algacir Sermann/Augusto Baldo. Já na Corrida de Carros Antigos, que abriu a programação, ganhou Ricardo Malanga, andando de Puma. No total, o grid dos 500 km de Interlagos contou com 40 carros. Esta foi a 26ª edição do evento, realizado pela primeira vez em 1957.

O resultado final em Interlagos:

1) Wilson/ Visconde (I), 03:44:25.154
2) Molo/ Castilho (I), à 1:21.395
3) Fernando/ Edemar (III), à 2 voltas
4) Souza Ramos/ Almeida (I), à 2 voltas
5) Queirolo/ Vital (I), à 6 voltas
6) Zaninotto/ Pons (III), à 7 voltas
7) E. Amorim/ A. Marcondes (III), à 7 voltas
8) Viscondi/ Landi (I), à 9 voltas
9) Sotto Mayor/ Viscondi (II), à 11 voltas
10) Ribas/ Mauricio/Arazans (III), à 14 voltas
11) Perez/ Fiamma (III), à 16 voltas
12) Sermann/ Baldo Nt. (IV), à 16 voltas
13) Lima/ Bonilha (I), à 16 voltas
14) Dal Pont/ Cunha (IV), à 17 voltas
15) Rebellato/ Russel/Dilser (II), à 20 voltas
16) Estites/ Luque (IV), à 22 voltas
17) Mallmann/ Cardoso Jr (IV), à 23 voltas
18) Fabricio/ Cassiano/Henry (III), à 23 voltas
19) Rossi/ Mello (I), à 23 voltas
20) Ribeiro/ Cintra (IV), à 31 voltas
21) Jair/ Carlos (III), à 33 voltas
22) Baldini/ Flaquer (I), à 39 voltas
23) Ferreira/ Moreira (III), à 42 voltas
24) Camacho/ Haddad (III), à 47 voltas
25) Giocondo/ Gustavo (III), à 51 voltas
26) Samed/ Arantes (I), à 53 voltas
27) Fabio/ Paulo/Lorenzo (III), à 57 voltas
28) Paulo/ Edson (I), à 60 voltas
29) Pinheiro/ Bianchini (II), à 62 voltas
30) Medeiros/ Leandro/Cozzi (I), à 68 voltas
31) Ricardo/ Bruno (I), à 71 voltas
32) Santana/ Rossete (I), à 73 voltas
33) Luis/ Roberto (I), à 80 voltas
34) Crestani/ Cruz (I), à 85 voltas
35) Andrade/ Aliperti (I), à 93 voltas
36) Isadora/ Luciano/Airton (IV), à 102 voltas
37) Zocolotte/ Cazumi (III), à 102 voltas
38) Duarte/ Motta (I), à 104 voltas
39) Cardoso/ Ventura (III), à 106 voltas
40) Roberto/ André (I), à 108 voltas

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