Às vésperas do Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1, no Circuito das Américas, Lando Norris quebrou o silêncio sobre o clima interno na McLaren após o polêmico incidente com o companheiro Oscar Piastri na etapa anterior, em Singapura. Em entrevista durante o dia de mídia em Austin, o piloto britânico confirmou que ambos receberam severas advertências da direção da equipe, mas garantiu que continuam liberados para disputar posições roda a roda na pista.
Na corrida Sprint de Singapura, Norris e Piastri colidiram na volta final. Embora os comissários da FIA tenham classificado o contato como incidente de corrida normal, Norris assumiu a responsabilidade pelo ocorrido perante os engenheiros e dirigentes de Woking.
“Levei muitas broncas e muitas conversas duras aconteceram nos bastidores. Mas nós ainda estamos autorizados a correr um contra o outro”, revelou Norris aos jornalistas.
Apesar da permissão mantida pelo chefe Andrea Stella, o piloto deixou claro que a tolerância para novos entreveros entre os carros cor de papaia agora é zero.
“É evidente que não podemos repetir o que aconteceu no último fim de semana, ou o que aconteceu aqui mesmo no ano passado [quando a dupla se tocou na curva 1 durante a Sprint]. Continuamos com permissão para disputar, mas obviamente não podemos ter outro contato. Temos que evitar isso a todo custo”, enfatizou.
Alerta crítico sobre a dirigibilidade do carro
Além das regras de convivência com Piastri, Lando Norris trouxe uma análise contundente sobre o desempenho recente do MCL38. Após uma fase dominante no verão europeu — com direito a vitórias contundentes na Hungria e na Holanda, além de três pole positions —, a equipe britânica viu seus rivais reagirem e exporem as limitações do projeto.
Para o piloto, o bólido atingiu o teto de dificuldade de pilotagem, operando no limite absoluto de instabilidade:
“Este era um carro em que encaixar uma volta rápida na classificação era quase uma missão impossível, e ser tão veloz quanto fomos beirava o milagre. Não é como se estivéssemos vencendo tudo com facilidade”, desabafou.
“Foi provavelmente um dos carros mais difíceis que já pilotei. Eu consegui extrair voltas limpas e me virar, mas este não é um carro com o qual você ganha um campeonato mundial. Ainda acredito que uma vitória isolada é possível este ano com mais ritmo, mas para o ano que vem precisamos de um projeto muito mais fácil de guiar”, concluiu.
Foco no Circuito das Américas
Com o formato Sprint em vigor no Circuito das Américas, em Austin, a McLaren chega ao fim de semana pressionada para maximizar pontos e evitar qualquer atrito entre seus dois pilotos. Norris busca redenção imediata e mira reduzir a desvantagem nas sessões competitivas, mantendo o equilíbrio delicado entre a agressividade nas ultrapassagens e a integridade dos carros da equipe.


