Coluna: Criticas são necessárias. Mas com limites

Tem algo que realmente não gosto, e não faço. Criticar as pessoas por criticar. Escrevo sobre automobilismo desde 2004 (em rádio comecei aos 15 anos). E sempre achei desrespeitoso dizer que piloto tal é ruim, que outro é melhor……. Afinal trata-se de um esporte. E lógico, existem os melhores, e os piores. Mas simplesmente “detonar alguém” não é comigo.

 

Na F-1 principalmente, devido ao enorme talento de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna é comum ler e ouvir criticas e até insultos, a qualquer outro piloto brasileiro que chegou a F-1. Mas que não foi Campeão Mundial de F-1. Rubens Barrichello e Felipe Massa não me deixam mentir. São fenômenos? Não. Só talentosos. Sim. Foram escudeiros de dois fenômenos da F-1. Sim. E se não fossem talentosos, não teriam guiado por tantos anos os carros da Ferrari.

 

Bom exemplo é o piloto alemão Bernd Schneider. Na F-1, não teve oportunidades. Guiou carros fracos em poucas provas. E por acaso, alguém o considera um piloto ruim? Só quem não entende nada de automobilismo. Em provas de turismo e longa distancia, Schneider é uma referencia. De títulos e vitórias. Tão aclamado em seu país quando Michael Schumacher, dono de sete títulos na F-1.

 

Hoje li uma crítica ácida em uma matéria publicada, em um grande site brasileiro. Sobre o brasileiro Pietro Fittipaldi. Dizendo que ele não é Max Verstappen.

A critica é em relação a sua contratação pela Fortec, para a disputa da F-3.5 V8 (a antiga World Series by Renault). Dizendo que ele fez um ano fraco na F-3 Europeia, e dando a entender que Pietro só conseguiu a vaga devido a ser neto de Emerson Fittipaldi. E que ele não é Max Verstappen, que pulou direto da F-3 Europeia para a F-1.

 

Para começar. Essa de comparar pilotos não é nada legal. O Verstappen foi um caso a parte na F-1 (o mais jovem piloto a estrear na F-1, com apenas um ano de provas em monopostos). Agora se o talentoso holandês (para muitos, mais piloto do que foi o pai Jos Versttapen) vai ter uma longa e vitoriosa carreira na F-1, não sei. Espero que sim.

 

Pietro tem apenas 19 anos, se vai chegar a F-1. Também não sei. Espero que sim. Se vai ser vitorioso lá. Também não sei. Espero que sim.

 

Mas escrever, detonando um jovem piloto que carrega um sobrenome famoso. Não é o correto.

 

Só para lembrar aos “entendidos” em F-1. O finlandês Keke Rosberg estreou na F-1 em 1978 aos 29 anos! Com um carro muito ruim. O Theodore TR01. Passou pela equipe Fittipaldi, e somente aos 32 anos conseguiu um lugar em um carro de ponta na F-1. Sendo Campeão Mundial de F-1 em 1982, com apenas uma vitória.

Em um ano marcado por dois trágicos acidentes com os dois pilotos favoritos ao título. O canadense Gilles Vlileneuve, que faleceu no GP da Bélgica. E seu parceiro na Ferrari o francês Didier Pironi, que foi obrigado a encerrar a carreira, após o acidente na Alemanha. Rosberg deu sorte de ser campeão? Mas que não precisa de sorte?

 

Rosberg era talentoso, mas não um fenômeno. Nico Rosberg já tem mais vitórias na F-1 do que o pai. E ai, o velho Keke se tornou um “roda pressa” por causa disso?

 

Daqui uns bons anos, sim. Poderemos comparar as carreiras de Pietro e Verstappen. Por enquanto. Deixe os dois garotos se divertirem. Independente do sobrenome que carregam.

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