Entrevista: ‘Vou continuar com a Dodge Dakota, pois, acredito que ela pode ser campeã!’

Flávio MarcÁ­lio disputa o Campeonato Brasileiro de Pickup Racing a borda da única Dodge Dakota da categoria, mesmo assim esse paulista que tem gasolina nas veias e muita vontade de vencer não se deixa abater pelas dificuldades na carreira.


Em 1995, sua carreira de piloto tem inÁ­cio com o kart. DaÁ­ para frente, sempre querendo crescer no meio automobilÁ­stico, MarcÁ­lio não parou mais e em 1997 conquistou seu maior sonho: pilotar no Autódromo José Carlos Pace, mais conhecido como Interlagos. Neste circuito, sua trajetória profissional passou pelas categorias Speed (fuscas), Corsa, Força Livre e Pálio, todas válidas pelo Campeonato Paulista. Mais tarde, em 2001, MarcÁ­lio destaca-se outra vez e se torna um dos primeiros pilotos a adentrar-se Á  Copa Pick up Racing, categoria na qual permanece até os dias de hoje.

Confira essa entrevista exclusiva que o piloto da Dodge Dakota número 38 forneceu ao SpeedRacing.com.br:

SpeedRacing: Após uma classificação com problemas, na última etapa você terminou em 7º. e ainda marcou a melhor volta da prova. O que poderia falar sobre essa corrida?

Flávio MarcÁ­lio: Foi uma corrida de recuperação, tenho me dedicado muito com minha equipe. Esse ano além de piloto montei minha própria equipe e estamos evoluindo a cada etapa.

SR: As primeiras corridas da temporada 2006 não foram muito boas, com problemas na classificação e também não terminando. Como está sendo essa temporada para você?

FM:
A primeira etapa não participei, pois, estava sem patrocÁ­nio, a categoria mudou o combustÁ­vel e meu maior patrocinador era justamente ligado ao GNV. A segunda colocamos a pick up a nÁ­vel de participar e não competir, pois, cada etapa que participávamos era como um treino, pois, não tÁ­nhamos verbas para treinar, já na terceira etapa ficamos na nona colocação, pois, evoluÁ­mos na quarta conseguimos a mesma colocação e na quinta a sétima e a melhor volta. Ou seja, estamos mostrando que nossa equipe está evoluindo, tenho a única Dakota, por isso, é complicado porque não temos com quem “trocar informações” e nosso trabalho é totalmente sozinho.


SR: Após uma boa temporada em 2004, principalmente quando chegou ao pódio em Interlagos (SP), esperava-se muito do Flávio MarcÁ­lio para 2005, inclusive a disputa por vitórias e tÁ­tulos. O que aconteceu na temporada 2005?

FM: Em 2004 competÁ­amos com o GNV aspirado, tÁ­nhamos o acerto da pick up aÁ­ veio a turbina, nossa equipe nunca tinha trabalhado com motor turbo ainda mais no GNV o desenvolvimento foi muito difÁ­cil, pois, o motor quebrava e não achávamos onde estava o erro. Essa mudança nos atrapalhou muito, não conseguimos acertar.


SR: Após anos na categoria, você é o único representante da Dakota no campeonato. Hoje a marca já não é mais fabricada no paÁ­s, mesmo assim não seria melhor mudar para uma pickup S10 (Chevrolet) ou Ranger (Ford)?

FM: Na visão de marketing não, pois, sendo a única Dodge Dakota o retorno é muito maior do que com as outras marcas, pois, eu sou o único com ela. Temos com isso um foco diferente dos outros na imprensa.

SR: Por ser o único no grid a utilizar uma pickup Dakota, as mudanças no regulamento que ocorreram em 2005 (adoção do turbo) e 2006 (mudança do GNV para o álcool) tendem a ser mais lentamente assimiladas pela equipe, uma vez que não existe outro time para compartilhar informações?

FM: Em competição não existe muito essa troca de acertos. Quem pode mais chora menos. A maioria acaba copiando quem está na frente. Realmente não tenho com quem trocar informações, mas, pelos nossos resultados é possÁ­vel ver que mesmo sozinho, nós estamos chegando no acerto correto.


SR: O pentacampeão da categoria João Campos, hoje na Super Clio, várias vezes foi acusado por outros pilotos a correr fora do regulamento. Como era seu relacionamento com ele?

FM:
Não tinha muito contato com ele, pois, ele se achava superior a todos.


SR: A Pickup Racing perdeu muito com a saÁ­da de João Campos da categoria?

FM: Não faz falta nenhuma. Competição é competição. Este ano o Michael Schumacher está saindo da Fórmula 1 e creio que os pilotos em si não vão “sentir sua falta”, afinal, a disputa pode ficar mais eletrizante ainda!


SR: O que pode dizer da nova geração que está andando bem na Pickup Racing, como Cláudio Ricci e Marcel Wolfart?

FM:
Tanto o Ricci quanto o Marcel são grandes pilotos e que admiro muito, pois, são simples e muito profissionais. Com os anos, pilotos saem novos pilotos vem e é exatamente isso que abrilhanta a categoria: O renovo.


SR: Qual a sua pista brasileira favorita?

FM:
Indiscutivelmente Interlagos, tanto pela história que minha famÁ­lia tem quanto pelos resultados que já tive lá. Meu avÁ´ e meu pai competiram muito em Interlagos e desde pequeno eu acompanho corridas lá. Inclusive um dos momentos mais marcantes da minha carreira foi quando andei pela primeira vez em Interlagos.


SR: Em 2006, infelizmente a categoria não correrá em Interlagos (SP). Qual a sua opinião sobre uma categoria nacional do nÁ­vel na Pickup Racing não correr em um dos centros mais importantes do automobilismo brasileiro?

FM: Acho muito normal, temos que ver que o é melhor para a nossa categoria, estamos crescendo a cada ano e com isso temos que achar o melhor custo benefÁ­cio tanto para os pilotos como para os organizadores. E a Formula 1 acaba atrapalhando um pouco as competições nacionais, pois, o autódromo fica fechado por dois ou três meses.


SR: Quais são os planos para o futuro para o piloto Flávio MarcÁ­lio?

FM:
Teremos duas pick up para o ano que vem, com isso, teremos muito mais chances de mostrarmos resultados para nossos patrocinadores. E eu, vou continuar com a Dogde Dakota, pois, acredito que ela pode ser campeã!