F-BMW: Papo reto com Pedro Bianchini

Ser um piloto Red Bull é privilégio de quatro brasileiros, atualmente: além dos botas da Red Bull Racing, Hoover Orsi e Daniel Serra, e do atual campeão da categoria, Cacá Bueno, somente o paranaense Pedro Bianchini, de 15 anos, usufrui da condição.

Fenômeno no kart, Bianchini é atleta Red Bull desde os oito anos de idade. Em 2007, fez a transição para os carros de fórmula optando pela F-BMW alemã, após ganhar a seletiva mundial da categoria no final do ano passado.

As expectativas eram altas, mas a sorte foi baixa: em um teste antes do início da temporada, Bianchini teve seu carro atingido por outro piloto e quebrou a perna direita. A recuperação o deixou de fora das duas primeiras rodadas da F-BMW em 2007.

“Foi em um treino em Oschersleben, onde também aconteceu a primeira corrida“, relata. “Na primeira curva, que é bem travada, o piloto que vinha atrás perdeu o freio e bateu no meio do meu carro enquanto eu fazia a tomada”.

“Na hora você até nem sente tanto, por causa da adrenalina. Mas quando esfria… Tentei sair do carro sozinho, mas minha perna estava pressionada pelas ferragens dentro do cockpit. Demoraram um tempão para me tirar – sem contar que socorreram antes o tal alemão, que tinha saído do carro sozinho e já estava de pé!”

“Quando me tiraram deu para ver o sangue e eu não sentia minha perna… Deu para levar um susto, sim. Mas isso faz parte da profissão de piloto. Bola pra frente. Quem quer fazer do automobilismo uma carreira tem de saber que essas coisas podem acontecer, mais cedo ou mais tarde”.

A estréia finalmente aconteceu no último final de semana, no circuito de rua de Norisring, mas, mais uma vez, o excesso de arrojo da concorrência atrapalhou: Bianchini foi colhido em um acidente na largada da primeira corrida (os finais de semana da F-BMW são disputados em rodadas duplas) e não pontuou.

“Larguei bem e quando tentava ganhar a sexta posição levei um toque na roda traseira que quebrou a suspensão,” lamentou. Apesar da decepção na pista, Pedrinho mantém um astral bom na aventura de morar sem os pais na Europa. “É uma vida nova para mim, mas estou gostando. Estou morando na Áustria, em Fuschl-am-See, do ladinho da Red Bull, com dois outros pilotos, um italiano e um francês”.

“Não tem lá muito o que fazer; me ocupo mais indo à academia todos os dias. A mulherada também é interessante, claro, com todas aquelas loiras lindas. Só falta um pouco daquele calor humano brasileiro…”

Durante a recuperação da fratura, Bianchini visitou a Red Bull Racing na Copa Nextel Stock Car, na etapa de Curitiba, e gostou do que viu.

“É uma categoria bonita de se ver, cada vez mais disputada, com patrocinadores novos e fortes e vários pilotos com passagem pela Fórmula 1 e outras categorias importantes. Acho que a tendência é continuar crescendo cada vez mais, até porque correr lá fora está bastante difícil, então vários novos talentos estão buscando chegar à Stock. Conquistar o título da Stock já é uma grande conquista para o currículo de um piloto”.


Bianchini reconhece, porém, que ainda é cedo para pensar em trocar de lugar com Hoover ou Serrinha.

“Hoje a minha vontade é de andar de fórmula e o meu sonho é a Fórmula 1”, explica. “Mas é claro que vendo o ‘stockão’ aqui dá vontade de dar uma brincada, sim. Automobilismo é minha vida, e qualquer carro que você der na minha mão eu vou querer acelerar ao máximo! Gosto bastante das categorias de turismo também”.

Mas a prioridade, evidentemente, é continuar avançando nos monopostos: “A Red Bull é que vai decidir meu futuro ano que vem, mas o meu desejo seria estar em uma das Fórmula 3, inglesa ou européia, ou na F-Renault Eurocup”.

Na F-BMW alemã, Pedrinho volta à ação na quarta rodada da temporada, dia 22 de julho em Nurburgring, como parte do final de semana do GP da Europa de F1.

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