F1: Bruno Senna: “O meio do grid vai estar apertado”

Piloto da Williams faz balanço da pré-temporada e minimiza pressão sobre brasileiros

Depois de completar a distância de quase 18 grandes prêmios na pré-temporada, a primeira desde estreou na Fórmula 1 em 2010, Bruno Senna diz que a Williams está pronta para brigar pela meta de se classificar regularmente na zona de pontos. Mas adverte que os ensaios em Jerez de La Frontera e Barcelona sugerem uma disputa mais embolada que nos últimos anos. “O meio do grid vai estar apertado”, analisa, satisfeito com a resistência e o potencial de desenvolvimento do FW34.

Nesta semana, Bruno respondeu a perguntas enviadas por jornalistas brasileiros. Minimizou a pressão sobre os dois únicos representantes do País na Fórmula 1 – “todos os pilotos têm grande pressão para entregar resultados” -, colocou McLaren e Red Bull um passo à frente das rivais mais próximas e admitiu que o duelo com o companheiro Pastor Maldonado pesará no balanço final do campeonato. “O que vai determinar se foi uma boa temporada é aproveitar o máximo possível de todas as corridas e entregar sempre o máximo que o carro pode entregar”, alegou.

A íntegra da entrevista está abaixo. Para ouvir o áudio, CLIQUE AQUI:

Bruno
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Bruno
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P – No que o FW34 da Williams é diferente do R31 da Renault em termos de pilotagem e acerto?

Bruno Senna – Para falar a verdade, o R34 é muito diferente do R31. Tem muita diferença em termos de acerto mecânico e também na filosofia da aerodinâmica do carro. Os carros têm estilo de pilotagem bem diferentes, mas no final das contas o que conta são os pneus da Pirelli, e a gente está aprendendo bastante sobre isso. Os engenheiros melhoraram muito o carro em relação ao uso dos pneus e o R31 era bem mais macio em termos de suspensão. O FW34 é bem mais duro e, com certeza, as filosofias de acertos são bem diferentes neste sentido também.

P – O desempenho nos testes mostrou que a Williams tem pelo menos um carro confiável. Diante do que foi apresentado pelas demais equipes, já dá afirmar que a Williams avançou e não é mais apenas a 9ª força da Fórmula 1?

BS – Ainda é difícil dizer exatamente onde estamos em relação às outras equipes no grid. Com certeza, o carro tem boa confiabilidade. A gente conseguiu fazer 18 distâncias de corrida nessa pré-temporada acho que isto demonstra boa confiabilidade do carro, os problemas que tivemos foram sendo resolvidos e a maioria deles já foi resolvida. Claro que ninguém começa a temporada com o carro 100% pronto para correr sem nenhum problema, mas estamos bem próximos disso. E acho que o meio do grid vai estar bem apertado, vai estar todo mundo muito próximo um do outro. A gente vai ter de ralar bastante para conseguir andar na frente deles, mas o mais importante é ver o progresso que a equipe está tendo agora já nesta pré temporada.

P – Depois da longa espera pela estabilidade na Fórmula 1, finalmente um alívio. O que mudou em sua preparação para 2012 em comparação com os últimos dois anos?

BS – A preparação para 2012 obviamente foi muito diferente dos últimos anos. Até o ano passado tudo o que eu podia fazer durante este período da pré-temporada era preparação física. Agora pudemos andar no carro, fazendo preparação técnica com os engenheiros, com a equipe e tudo isso fez toda a diferença nesta pré-temporada. Chego neste estágio do campeonato com uma preparação provavelmente melhor que terminei o ano passado na corrida do Brasil.

P – A família Senna tem história na Fórmula 1. Isso, de alguma forma, passa pela sua cabeça, faz alguma diferença? É um orgulho para você?

BS – Claro que a família Senna tem história na equipe, a gente teve por aqui há alguns anos atrás e infelizmente a história foi um pouco curta. Mas todo mundo estava muito contente quando conseguimos o acento aqui na Williams para este ano. E com certeza é um motivo de muito orgulho para mim estar numa equipe com tanta história e tanta tradição. É muito importante conhecer o pessoal que trabalhava aqui, que estava junto com o Ayrton, que conversava com ele, muita gente veio falar comigo, é muito interessante realmente ver esta história, mas na hora do trabalho isso não passa pela minha cabeça. O que importa é entregar bom resultado na pista.

P – A Williams não tem conquistado os mesmos resultados do início da década de 90. Quais as suas expectativas e da equipe para 2012?

BS – A intenção da equipe sempre foi estar de volta aos dez primeiros, algo que não é fácil porque o salto é grande em relação à performance do ano passado. Mas esta é a meta que a equipe se colocou para este ano e, pela experiência da pré-temporada, acho que a gente está competitivo neste sentido. Vai ser muito apertado entre o pessoal que está na entrada dos dez primeiros, mas a gente vai ralar bastante para conseguir estar sempre por ali, marcando os pontos.

P – E em relação às adversárias? Quais as favoritas, as surpresas, qual o panorama da briga pelo campeonato na sua visão?

BS – Todas as equipes tiveram um pulo para frente, acho que a Force India, Toro Rosso e a Sauber estão fortes. Elas tiveram uma evolução razoável em relação ao ano passado, a Lotus também parece estar forte, a Mercedes também está ali junto com tudo mundo, parece. A Ferrari não aparenta estar com tanta performance, a não ser eles estejam escondendo o jogo. E a McLaren e a Red Bull estão um pouco na frente de todo mundo, pelo que parece. Acho que a grande surpresa foi a Caterham, que está tendo uma performance razoável chegando nas equipes que estão na frente. Então vai ser bem interessante ver o que vai acontecer. Espero que a gente esteja na frente de todo mundo.

P – O que achou da contratação do Alexander Wurz para ser uma espécie de tutor seu e do Pastor Maldonado? Você se sentiu menosprezado ou entende a necessidade de alguém mais experiente? Como tem sido a relação entre vocês? Ele tem ajudado no acerto do carro?

BS – Com certeza, o Alex Wurz vai ser muito bom para mim e para o Pastor em termos de ajudar a gente achar o caminho às vezes, quando tivermos algumas dificuldades. A experiência dele é muito importante em relação ao que a gente consegue entender das pistas, da evolução dos carros. A gente vai sempre poder pegar um pouco da experiência dele e ajudar a nós mesmos para entregar o melhor resultado. Não tem nenhum tipo de sentimento de ser menosprezado porque a experiência é sempre bem-vinda. E tenho certeza que a equipe me escolheu porque confia 100% em mim. Depois da pré-temporada, estou bastante confiante do que a gente vai poder entregar.

P- Tanto você quanto Felipe Massa têm contratos curtos e precisarão ir bem neste ano, evitando que o Brasil fique sem piloto na Fórmula 1 em 2013. Essa situação preocupa? Como é lidar com essa pressão?

BS – Todos os pilotos, independentemente de serem brasileiros ou não, têm a pressão grande para entregar resultados. Ser brasileiro ou não, não faz diferença no contexto da Fórmula 1. Claro que é muito importante para a gente ter brasileiros na Fórmula 1, mas estamos fazendo sempre o máximo que podemos, independentemente da duração do contrato. Acho que esse é o começo da minha carreira; com um bom trabalho neste ano, a gente pode estender esses contratos e, se Deus quiser, ficar bastante no futuro.

P – Mas a pressão não será maior porque os brasileiros são apenas dois?

BS – Acho que a pressão não vai ser maior. Acho que a torcida do Brasil vai dar mais apoio para a gente porque acredita no nosso potencial. Todos sabem que a gente está sempre fazendo o máximo que pode, nunca menos de 100%. Com certeza, o carinho da torcida faz toda a diferença para a gente.

P – Será mais difícil encontrar o acerto do carro neste ano com dois pilotos jovens na equipe?

BS – Somos pilotos jovens, mas com bastante experiência com os carros que pilotamos antes. Estive em carros diferentes na Fórmula 1 e tenho uma boa referência. Nesta pré-temporada a gente trabalhou com os engenheiros com muita experiência para ajudar a gente e estamos indo num caminho positivo.

P – Ao final de 2012, o que precisará ter feito para considerar que teve uma boa temporada?

BS – O que vai que decidir se foi uma boa temporada ou não é aproveitar o máximo possível de todas as corridas, entregar sempre o máximo que o carro pode entregar. Minha primeira referência é meu companheiro de equipe, e a gente vai ter de ver no final da temporada onde a gente vai estar. É isso que vai determinar se foi uma boa temporada.

P – Quais as coisas boas e ruins do seu carro, depois dos primeiros testes?

BS – O carro tem boas características. Acho que temos bastante potencial de melhorar o carro e achar mais velocidade, mas ele tem sido muito confiável. Conseguimos fazer muita quilometragem e o carro é dócil de pilotar no limite. Acredito que vamos poder achar mais velocidade no carro com os upgrades que vão sendo trazidos. E acho que vamos melhorar ainda mais em relação ao consumo dos pneus, que também já é um positivo do carro.

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