F1: Em crise, Renault admite rever investimento na categoria

Queda de rendimento neste ano, mesmo depois de contratar, a peso de ouro, Daniel Ricciardo; a não-renovação do contrato com a McLaren, última cliente de fornecimento de motores que ainda restava; a prisão do CEO Carlos Ghosn e a queda dos lucros mundiais; e, para piorar a desclassificação do GP do Japão por uma irregularidade técnica. O momento da Renault na Fórmula 1 não poderia ser mais delicado, e coincide com a negociação da renovação dos contratos do time com a categoria. Com a presença da montadora garantida só até o fim do ano que vem, o chefe Cyril Abiteboul reconhece que será uma tarefa difícil convencer os acionistas de que permanecer apostando no esporte é um bom negócio.

A Renault vinha numa crescente desde que voltou à Fórmula 1 como time, em 2015. Ano passado, a equipe era claramente a quarta força, e esperava chegar nos times grandes neste ano, ainda mais depois da contratação de Daniel Ricciardo, cujo salário só perde para o de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel e está na casa dos 20 milhões de dólares por ano.

No entanto, o que se viu foi uma queda do time francês em 2019. Pior do que isso, eles foram superados pela única equipe que também usa o motor Renault, a McLaren, e lutam para não perder também a quinta posição entre os construtores.

A McLaren, inclusive, já divulgou que voltará a contar com motores Mercedes a partir de 2021, deixando a Renault sem clientes.

Não é por acaso que a CEO interina da montadora, Clotilde Delbos, admitiu que a Fórmula 1 está na lista de investimentos que serão revistos. “Não estou especificamente mirando nestas atividades. Mas claramente a revisão de nossos planos futuros significa que eles serão colocados na mesa. É um processo normal – a revisão que faremos não é pequena. Vamos levar em consideração o novo contexto do mercado, as mudanças no uso, mobilidade etc, e a situação atual do grupo.”

Tal revisão global da montadora Renault não poderia vir em momento pior para a equipe, que teve os resultados do GP do Japão anulados devido a um protesto da Racing Point que foi aceito pela FIA. Os rivais denunciaram que a Renault usava um sistema que modulava eletronicamente o equilíbrio de freios do carro, o que foi considerado ilegal por ferir a regra que diz que o piloto “deve pilotar sem ajudas”.

Perguntado pelo UOL se a punição poderia se tornar uma gota d’água para a situação da Renault, Abiteboul disse que “obviamente, não ajuda. Mas não acredito que a Renault vá tomar uma decisão baseada em nove pontos. Estamos no esporte há 42 anos e genuinamente acreditamos que isso é importante para o marketing e para contar uma história em termos de tecnologia.”

Abiteboul, no entanto, aproveitou para colocar o ponto de vista da Renault a respeito do que deve ser obtido com as regras de 2021, a grande discussão do momento da Fórmula 1. “O que essa pequena história da punição diz é que está mais e mais difícil desenvolver algo inovador na Fórmula 1. Essa é a questão, e talvez se não pudermos fazer mais nada do ponto de vista tecnológico, talvez tenhamos mesmo que reconsiderar [a presença na categoria].”

Outra briga da Renault é pela diminuição dos gastos na categoria. “Não vejo por que nos posicionaríamos de forma diferente em relação a 2015 [quando a Renault voltou à Fórmula 1 e assinou o contrato que vai até o fim de 2020]. O mais importante é que possamos projetar ter resultados razoáveis com um investimento razoável.”

Abiteboul revelou que a Renault recebeu a primeira versão do contrato de 2021 recentemente e disse que ele deve ser assinado “nos próximos meses”. Meses estes que serão fundamentais para o futuro dos franceses na categoria.

Fonte: UOL Esporte

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