F1: Na ‘contramão’, Mercedes volta e se junta às montadoras vitoriosas

Em postura contrária à de outras fabricantes como Honda, BMW e Toyota, que recentemente abandonaram a Fórmula 1, a Mercedes-Benz anunciou nesta segunda que acertou a venda de sua participação na McLaren para comprar a Brawn GP, campeã de 2009. A montadora passará a ter 75,1% das ações da equipe, que vai se chamar “Mercedes GP” a partir do ano que vem.

Ao criar seu próprio time, a Mercedes vai na contramão da tendência da categoria, que em 2010 será marcada pelo fim do período em que as montadoras dominaram o grid. A próxima temporada lembrará os campeonatos dos anos 90, com número elevado de equipes, sendo a maioria delas “garagistas”.

A empresa alemã se juntará à Ferrari – que nasceu para corridas mas se tornou fabricante de esportivos – e Renault, únicas montadoras que permaneceram, sendo que ainda existe o risco de o time francês também deixar a categoria. No restante do grid, McLaren, Force India, Red Bull, Toro Rosso, Williams e as novatas Campos, Lotus, Manor e USF1 são as equipes independentes.

O retorno da Mercedes em uma época de debandada das montadoras prova que não é o cenário econômico mundial, mas sim as vitórias que fazem a Fórmula 1 ser comercialmente interessante para as fabricantes. A diferença entre as que ficaram para as que saíram é justamente a vocação esportiva: ou seja, o sucesso obtido com equipes próprias na categoria.

Em 1954 e 1955, a Mercedes foi campeã com o argentino Juan Manuel Fangio e, em 12 corridas disputadas, venceu nove e largou oito vezes da primeira posição. Já a Ferrari é o time mais antigo e mais bem sucedido da Fórmula 1, com16 títulos de construtores e 15 de pilotos, e um total de 793 Grandes Prêmios disputados, 210 vitórias e 203 pole positions.

A Renault, por sua vez, conquistou dois títulos mundiais de construtores e de pilotos (2005 e 2006, com Fernando Alonso) nas suas 17 temporadas de F-1. Foram 262 corridas, 35 vitórias e 51 poles. No entanto, após a queda no desempenho nos últimos anos e o recente escândalo de Cingapura, o time francês teve sua imagem arranhada e ainda corre risco de deixar a categoria, o que é agravado pelo fato de o presidente da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn, não ser um grande entusiasta da Fórmula 1.

Em contrapartida, as fabricantes que entraram na categoria no final da década de 90 e início dos anos 2000 encararam a F-1 simplesmente como mais uma estratégia de marketing, e acabaram deixando a categoria sem resultados expressivos. Peugeot, Jaguar, BMW, Toyota e Honda tiveram equipes próprias durante a última década. Juntas, neste período (a Honda também teve equipe própria na década de 60) elas têm 430 GPs disputados, apenas duas vitórias (uma da BMW e outra da Honda) e nenhum título mundial.

Sem brigar por títulos, a exposição da marca não teve o retorno desejado e essas empresas acabaram deixando a categoria. É claro que a crise econômica mundial influenciou a decisão da maioria delas, principalmente BMW, Toyota e Honda. No entanto, é difícil imaginar que essas gigantes do mercado internacional deixariam a F-1 caso tivessem conquistado um título mundial, ou ao menos lutado por um.

Fonte: UOL Esportes

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