F1: Renault apresenta R28, o carro que Nelsinho estreará na categoria

A equipe Renault F1 Team apresentou nessa quinta-feira (31/01) o novo modelo R28, com o qual disputará temporada deste ano da F1, que começa em março, na Austrália. Com Fernando Alonso e Nelsinho Piquet competindo, o carro contará com outro brasileiro no trabalho de desenvolvimento: Lucas Di Grassi, novo terceiro piloto do time.

Batizado de R28, o novo carro da Renault F1 Team se beneficia do máximo tempo possível de desenvolvimento no túnel de vento. A principal diferença em relação ao modelo anterior, o R27, é a adoção de uma montagem de suspensão do tipo “quilha-zero”. A equipe Renault concluiu, por meio de testes em seu túnel de vento, que essa configuração de suspensão abriu novos caminhos para o desenvolvimento aerodinâmico. Por isso, a escuderia também trabalhou bastante para, mesmo com a mudança, manter a boa e eficiente configuração mecânica dos carros anteriores.

Uma olhada na dianteira do R28 revela que esta parte do carro mereceu muita atenção. A distribuição de peso e o equilíbrio aerodinâmico exigidos pelos pneus Bridgestone tornaram esta área especialmente crítica, e a equipe encontrou algumas soluções radicais. A asa dianteira de três mesas – usada pela primeira vez na Renault – também apresenta uma asa intermediária através do nariz, que agora está mais baixo. E conta ainda com um arranjo inovador para fixar a mesa principal ao cone do bico.

O monocoque passou por diversas modificações de detalhes e os sidepods (caixas laterais que abrigam sistemas como radiadores e eletrônica) apresentam aberturas menores do que no R27. Com as exigências de arrefecimento do motor RS27 já bem conhecidas, a equipe sentiu-se confiante para ousar mais no desenho do carro. Os espelhos agora estão muito próximos da carenagem. Com o arranjo anterior, a visibilidade poderia ser comprometida pela nova proteção da cabeça do piloto, que é maior e está situada nas laterais do cockpit.

Os apêndices aerodinâmicos seguem as linhas utilizadas nos últimos carros da equipe. A carenagem traseira está ainda mais compacta que as de seus antecessores, visando otimizar o fluxo do ar que segue para a asa de trás, enquanto a própria asa mantém o apoio central apresentado no R26 para poupar peso sem comprometer a rigidez.

Sob a carenagem, a equipe trabalhou na redução de peso e no aumento do lastro disponível a fim de realizar ajustes de acordo com cada pista. Os técnicos também melhoraram a rigidez de todo o chassi e mantiveram o arranjo característico do suporte entre o chassi e a caixa de câmbio. Projetado para durar quatro corridas, o câmbio novamente utiliza uma caixa de titânio e a adoção da nova unidade chamada de SECU (Standard Electronic Control Unit – Unidade Padronizada de Controle Eletrônico) não afetou a velocidade de seu mecanismo de trocas rápidas.

A equipe Renault iniciou os estudos com o mecanismo SECU mais de um ano antes de o carro andar pela primeira vez. Foi também um dos primeiros times a testar na pista a versão 2008, em setembro, no traçado de Monza, Itália. Ao contrário de outros times, após a perda do controle de tração, a Renault F1 Team não mudou sua abordagem em relação à dinâmica do veículo. A equipe acredita que um carro precisa de controles mecânicos consistentes, tenha ele ou não controles eletrônicos, e defende que qualquer alteração neste sentido pode ser implementada em seus parâmetros tradicionais de acerto.

Temporada 2008

Com o novo carro e sua nova configuração de pilotos, a equipe planeja uma retomada na temporada que se inicia no próximo dia 16 de março, na Austrália. “Esperamos ver nossa equipe de volta ao seu lugar natural, lutando na frente do grid”, disse Bernard Rey, Presidente da equipe Renault F1 Team. “Este é o objetivo que nossa equipe estabeleceu para o novo carro. No campo técnico, todos trabalharam muito para superar os problemas encontrados em 2007. No lado dos pilotos, o retorno de Fernando Alonso foi um estímulo importante. Há otimismo tanto na equipe quanto na Renault inteira”, explica o executivo.

Rey também frisou a importância do projeto Fórmula 1 para a empresa: “A Fórmula 1 é um dos principais pilares das estratégias de vendas e marketing da empresa”, explicou. “Em mercados não tradicionais, a Fórmula 1 é uma ferramenta poderosa para construir a percepção de marca – e, em 2007, as vendas da Renault fora da Europa cresceram em 16,5%. Nosso status, como uma das principais escuderias da Fórmula 1, mostra que a equipe Renault pode fabricar carros que ofereçam desempenho, confiabilidade e alta tecnologia. Para tirar o máximo de nosso envolvimento com a categoria, nossa linha de produtos utiliza estes valores. Em uma perspectiva geral, a Fórmula 1 é significativa e lucrativa para a Renault”.

O Diretor-administrativo Flavio Briatore destacou que a Renault F1 Team continua sendo uma equipe de ponta na Fórmula 1: “A Renault e a Ferrari são as únicas que venceram campeonatos mundiais desde 2000. Isso diz tudo”, resumiu Briatore. “Nós tivemos um ano ruim em 2007, mas o mesmo aconteceu com a Ferrari em 2005 e com a McLaren em 2006. Isso faz parte da Fórmula 1: algumas vezes a equipe assume riscos demais, outras elas não se arrisca o suficiente. O importante é mostrar que pode voltar ao topo”.

Flavio Briatore explicou que a equipe Renault planeja brigar por títulos, e para isso fez grandes investimentos: “Nós temos a força necessária para superar dificuldades”, disse ele. “A Renault fez investimentos para o futuro em Enstone (Inglaterra, uma das sedes técnicas da equipe), especialmente no novo Centro de Dinâmica Computacional de Fluidos, que nos dá a estabilidade que precisamos para seguir adiante. O novo carro significa uma mudança de direção para a equipe, e nós fomos agressivos em seu conceito. E quando você coloca no pacote a capacidade de Fernando Alonso de liderar uma equipe na pista, temos uma combinação poderosa”.

Briatore também disse que a Renault F1 Team novamente estabeleceu objetivos ambiciosos. “A Fórmula 1 é dominada pela pressão. E as equipes que conseguem lidar com ela da melhor forma são as que obtêm sucesso, pois sempre haverá pressão e exigência de desempenho. Nós estabelecemos objetivos ambiciosos e quando não os atingimos, como no ano passado, é preciso identificar os problemas – e eliminá-los. Nós fizemos isso. Os resultados que obtivemos com o desenvolvimento do carro são muito positivos, achamos que temos um ótimo Fórmula 1. Agora precisamos apenas aguardar a oportunidade de compará-lo com os nossos rivais”.

Briatore elogiou muito os efeitos do retorno de Fernando Alonso, na escuderia e no próprio piloto: “Nós conhecemos Fernando, e sabemos o que ele pode fazer”, disse o diretor-administrativo da Renault F1 Team. “Já nos testes ele se apresentou como um homem diferente – focado, calmo e feliz. Alonso voltou para a equipe com entusiasmo, e está envolvido em todos os níveis do trabalho. Ele está trabalhando mais duro do que nunca. Nós temos uma responsabilidade para com Fernando, agora, de lhe entregar o carro que merece”. Nelsinho Piquet também gera grande expectativa na equipe, segundo Briatore. “É sempre assim com um novato, a expectativa é grande, e ainda maior quando ele vem de uma família famosa”, destacou. “Nelsinho conquistou sua vaga por sua qualidade como piloto, e não pelo sobrenome. Nós vimos na GP2 que ele é capaz de pilotar em um nível muito alto, e eu acredito que Nelsinho seja um grande talento. Mas vai precisar de tempo para crescer. Assim como fizemos com (Heikki) Kovalainen em 2007, nós vamos dar este tempo a Nelsinho”.

Dois pilotos brasileiros na equipe Renault F1 Team

A equipe Renault contará com dois pilotos brasileiros em 2008, Nelsinho Piquet, que estreará neste ano na F1 como piloto titular da equipe Renault F1 Team ao lado do espanhol Fernando Alonso, e Lucas Di Grassi, que integrou o RDD (Renault Driver Development – programa de apoio a novos talentos do automobilismo promovido pela empresa) até o ano passado e que será o terceiro piloto do equipe nesta temporada.

Nelsinho Piquet está muito feliz com esse novo e importante passo em sua carreira “Eu sempre quis ser piloto: adoro dirigir, e não importa se eu estou em um kart ou em um carro de corridas ou mesmo em um carro de rua. Eu conquistei meu lugar na F-1 por mérito próprio, e trabalhei muito duro para isso. Depois de trabalhar por um ano com a equipe Renault como piloto de testes, foi bom ver meu esforço recompensado com a oportunidade de competir”.

Nelsinho também disse que está pronto para a missão que terá pela frente. “Se tivessem me dado a oportunidade de competir no ano passado, já a teria aceitado sem pestanejar”, comentou. “Eu sou um piloto de competição, então o que quero mais do que tudo na vida é pilotar. Mas eu também acredito que aprendi muito como piloto de testes. Vou iniciar minha primeira temporada com uma equipe que conheço bem, e isso pode ser muito positivo. Estrear pela Renault foi a opção ideal, e estou muito feliz por estar acontecendo dessa forma. Eu espero tirar o máximo desta oportunidade, do carro e da equipe, quero fazer um bom trabalho. Claro, sou uma pessoa competitiva e adoraria brigar por vitórias. Então, vou fazer de tudo para tornar isso possível. Há muito o que aprender, mas vou aproveitar todas as oportunidades que estiverem à minha frente”.

O brasileiro Nelsinho Piquet já estabeleceu um ótimo ambiente com o seu colega de equipe, o espanhol Fernando Alonso. “Eu não o conhecia antes do meu retorno à equipe. Nós temos um bom relacionamento, pois visamos os mesmos objetivos: trabalhar com a equipe para tirar o máximo do carro, desenvolvê-lo e ajudar o time a ser competitivo novamente”, explicou Alonso.

Já Lucas Di Grassi lembrou que é integrante do RDD desde 2004. “Ao longo da minha carreira eu tive a sorte de contar com o apoio da Renault, e agora vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar a equipe a ser competitiva em 2008. Esse trabalho desenvolvido pela Renault com os novos pilotos foi minha escola”, comentou o novo terceiro piloto da Renault F1 Team. “Este ano vou participar da maior parte do trabalho da equipe de testes e estarei em todas as corridas como piloto reserva. Vou observar a equipe e entender melhor como ela opera, de forma que possa me desenvolver continuamente”.

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