F3: Dia de trabalho intenso para as equipes em Interlagos.

Razia foi o mais rápido, enquanto seus dois rivais na disputa pelo título tiveram problemas em Interlagos. Todos os pilotos disseram que a borracha deixada pela Fórmula 1 no traçado tornou os carros instáveis.

O treino realizado pelas equipes do Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3, nesta quinta-feira (16), em Interlagos, viu engenheiros e pilotos empenhados nos testes de soluções técnicas que configurem alguma vantagem na rodada dupla final do torneio, marcada para os dias 25 e 26 de novembro no traçado paulista. Mas um imprevisto acabou sendo o assunto do dia no circuito: a borracha deixada pelos pneus da F-1 durante o GP do Brasil ainda impregna o asfalto de Interlagos e deixou os carros instáveis. “É como se fosse um farelo, que não combina com o tipo de composto que usamos nos nossos pneus Pirelli, e assim essa borracha da F-1 funcionou como se fosse sujeira no piso e os carros escorregavam nela”, comentou Luiz Razia, da equipe Dragão Motorsport, que foi o mais rápido do dia. “Alterei meu traçado em uns quatro lugares diferentes, pois o traçado tradicional era menos eficiente por causa da sujeira”, explicou.


Líder do torneio com 81 pontos, o baiano Razia estabeleceu a melhor volta em 1:29.69. Ele era um dos centros das atenções justamente por duelar com os paulistas Mário Moraes (equipe Bassan Motorsports) e Diego Nunes (Bassani Racing), seus rivais na briga pelo título. Diego ficou com o segundo tempo do dia, com 1:30.14, mas não ficou satisfeito: “Não sei se foi por causa dessa borracha, que tornou o traçado muito diferente do que ele costuma ser em termos de aderência, mas nosso carro não funcionou como queríamos”, comentou o piloto de 19 anos, que soma 72 pontos na tabela. “Vamos levar nosso Dallara/Berta para a oficina e desmontá-lo inteiro. Vamos descobrir se há algum problema, pois já viramos aqui 1:29.50 e não conseguimos repetir essa marca hoje”, completa Ruben Borges, engenheiro da equipe Bassani Racing.


Segundo na tabela com 79 pontos, Mário Moraes também não se conformou com o resultado de seu treino. Ele ficou com a quarta melhor marca (1:30.80), empatado com a paulista Bia Figueiredo (equipe Cesário Fórmula): “Perdi cerca de 7 km/h de velocidade nas retas”, comentou ele, enquanto mostrava os gráficos de sua volta na tela do computador da equipe Bassan Motorsport. “Sem um motor em condições ideais você não tem como fazer uma avaliação precisa de seu desempenho. Mas acho que nos treinos da próxima semana, quando faremos a rodada dupla, teremos um carro 100%”, completou Eduardo Bassan, engenheiro do carro de Moraes. O paulista também interrompeu seu treino devido à quebra de uma peça do câmbio, fato que o deixou parado nos boxes por alguns minutos.


Pilotagem – Bia, por seu lado, concentrou-se no acerto básico e em desvendar a pilotagem em Interlagos a bordo de um carro de Fórmula 3. Oriunda da F-Renault, a piloto tem pouca experiência com o bólido da categoria sul-americana no traçado paulistano. Este também é o caso de seu companheiro na equipe Cesário Fórmula, o mineiro Clemente Farias Júnior, vencedor da etapa anterior da F-3, em Buenos Aires: “Essa é a primeira vez que andamos em Interlagos na atual temporada”, observou Clemente, que fez sua corrida de estréia na categoria na última etapa do ano passado, justamente em Interlagos. “Naquela prova eu virei aqui 1:29.9, bem mais rápido do que consegui hoje (1:31.06). Mas isso é por que não estamos preocupados com o tempo de volta em si, mas com o acerto e o nosso traçado na pista. Vamos pensar nas folhas de tempo só quando viermos aqui para correr para valer”.


O terceiro melhor tempo foi do paulista Fernando Galera, da equipe Prop Car Racing, dirigida pelo tio de Rubens Barrichello, Dárcio dos Santos. “Este treino foi uma espécie de radiografia do que veremos no fim de semana da corrida”, comentou o engenheiro Guilherme Ferro, que acompanhou o desenvolvimento do carro de Galera. “Mostramos que estamos competitivos. Nosso tempo poderia ter sido melhor se não fosse uma pequena escorregada devido à sujeira na pista. Mas esse pequeno deslize nos custou décimos de segundo que fazem a diferença na folha de tempos”, observou o técnico da Prop Car.


Adrenalina – No geral, os pilotos e equipes tiveram um dia de trabalho bastante produtivo. “Minha meta era apenas me acostumar com a tocada aqui em Interlagos, mas acabamos descobrindo detalhes que exigirão pequenos ajustes no carro. Se isso acontecesse somente na semana da prova, certamente seria mais difícil encontrar a melhor solução no meio da adrenalina dos dias que antecedem as corridas”, comentou Fábio Casagrande, que possui equipe própria na categoria. “Foi um treino muito bom para o nosso time, pois cumprimos as metas que traçados: avaliar o carro em condições de corrida (com pneus gastos e tanque cheio) e preparado para disputar a pole (pneus novos e tanque com apenas a gasolina necessária para completar as voltas)”, disse Luiz Razia. “Saímos de Interlagos com a certeza de que seremos competitivos”, finalizou o líder do torneio.


Confira os oito primeiros do treino coletivo em Interlagos:
1) Luiz Razia (Dragão Motorsport), 1min29s66;
2) Diego Nunes (Bassani Racing), 1min30s14;
3) Fernando Galera (Prop Car Racing), 1min30s68;
4) Bia Figueiredo (Cesário Fórmula) e Mário Moraes (Bassan Motorsport), 1min30s80;
6) Clemente Faria Júnior (Cesário Fórmula), 1min31s06;
7) Fábio Beretta (Dragão Motorsport), 1min31s32;
8) Pedro Nunes (Dragão Motorsport), 1min31s90.

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