F3 Espanhola: Jimenez não terá carro atualizado nos testes

Fábrica italiana Dallara tem muitos pedidos. E, sem patrocínio,

brasileiro só pôde confirmar sua inscrição na categoria espanhola na última hora.


Pelo menos por enquanto, o superkartista brasileiro Sérgio Jimenez terá que continuar a medir forças com seus rivais utilizando um carro inferior, até praticamente as vésperas da abertura do Campeonato Espanhol de Fórmula 3, marcada para o dia oito de abril, em Valência. O motivo é uma lei do mercado: quem encomendou o equipamento antes, vai receber primeiro. Sem patrocínio – fato que emperrou sua carreira até 2005 –, Jimenez teve sua inscrição no torneio confirmada tardiamente, entrando na fila de entrega da versão 2006 do chassi Dallara no limite do prazo. Isso, no entanto, não desanima o piloto que conquistou nove títulos do Campeonato Paulista (o principal do país) e cinco do Brasileiro de Kart – além de cerca de outros 20 títulos da modalidade.

“Até que eu estou indo bem, não acha?”, comenta Jimenez, que vem utilizando um carro da classe B da F-3, versão do ano 2000. “Claro que fico preocupado com o acerto do carro, especialmente nas etapas iniciais, pois terei que correr ‘atrás do prejuízo’ enquanto outros rivais estarão dando seguimento ao desenvolvimento que terão feito nos treinos coletivos. Mas o mais importante, acho eu, é conhecer bem o traçado das pistas, pois eu nunca corri em nenhuma delas. Isso, com certeza, posso fazer bem com o carro da classe B. Mas, mesmo com este atraso, estou feliz com o que conseguimos até agora.”

De fato, Jimenez tem surpreendido em sua nova fase européia. Nos dois treinos coletivos extra-oficiais realizados em Albacete (Espanha) e Estoril (Portugal), o piloto brasileiro ficou com o quarto lugar entre os participantes, a apenas 0s4 e 0s3 do líder, respectivamente, em cada prática. “O fato é que estamos sendo competitivos mesmo com equipamento defasado. E, por isso, eu agradeço muito à experiência dos pessoal da equipe Racing Engineering: sei que vamos chegar à primeira corrida brigando por bons resultados”, frisa Jimenez. “Um ponto positivo é que a suspensão e os amortecedores são os mesmos, e isso está me ajudando a entender com precisão como é a reação do F-3 da classe A, apesar de estar usando um classe B. No fim das contas, o que importa é que a avaliação da equipe é que estamos indo bem. E eu acredito que eles têm razão. Se Deus quiser, teremos um grande ano nesta categoria.”

Sérgio Jimenez esteve afastado das corridas de automóvel por duas temporadas, justamente por falta de apoio financeiro. Neste período, deu continuidade à sua carreira no kartismo ­– estabelecendo padrões que hoje são parâmetro para as novas gerações da modalidade. No final de novembro, ele foi convidado a participar de uma seletiva financiada pela Repsol, multinacional espanhola da área de combustíveis. Vencedor da seletiva, o brasileiro recebeu como prêmio uma quantia equivalente a ¼ da temporada da F-3. Mas a equipe Racing Engineering não pôde confirmar sua participação até que ele conseguisse verba para pelo menos 50% das corridas. Isso só aconteceu no final de janeiro – e só então seu carro foi encomendado.

“No fim de 2003, quando eu não tinha mais patrocínio, decidi não ficar reclamando da vida e trabalhar duro para ser piloto profissional”, diz Jimenez. “Foi o que fiz, e por isso continuei no kart. Foi graças a esta decisão que eu cheguei até aqui, que me deram esta chance – e eu vou agarrá-la como se fosse a última da minha carreira. Não será a primeira nem a última oportunidade que estarei em desvantagem. Acho que é nessas horas que você mostra para a sua equipe que merece o trabalho que todos fazem por você.”

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