F3 Sulamericana: Fim de semana repleto de definições em Interlagos

A categoria volta à principal pista do Brasil em busca de respostas e decisões que influenciarão seu futuro.

Interlagos recebe neste final de semana a última rodada dupla da Fórmula 3 Sul-Americana da temporada 2007, que já tem Clemente Faria Junior como campeão e Mario Romancini estabelecido como vice. Mas as corridas do Autódromo José Carlos Pace servirão para várias definições, tanto na pista como nas perspectivas para a próxima temporada. Conheça as respostas que a categoria vai buscar no fim de semana, com comentários do piloto goiano Rodolpho Santos (Neo Química/Palu Suisse/Wurth), estreante da categoria que completa sua primeira temporada na Fórmula 3:

Novos recordes“Acho que a maior curiosidade de forma geral é sobre quanto devem baixar os tempos de volta com o novo asfalto”, diz Rodolpho Santos, referindo-se ao novo piso instalado para a disputa do GP do Brasil de Fórmula 1. “A Fórmula 3 ainda não correu neste novo asfalto. Competimos em Interlagos no começo do ano, no asfalto antigo, mas os carros não estavam tão desenvolvidos e os pilotos não eram tão preparados quanto agora – temos muitos novatos, como eu próprio. Eu aposto que a pole deverá ser uns três segundos mais rápida do que nas duas primeiras etapas do ano. E acho que teremos novos recordes de melhor volta em corrida e de tempo total de prova também”, afirmou o piloto, que compete pela equipe Amir Nasr Racing.

Classificação final – Com o campeão e o vice já definidos, resta saber como ficará o restante da tabela de 2007. “É a hora do vai ou racha. Todo mundo vai partir para cima sem dó, pois é o momento de ganhar ou perder definitivamente posições na classificação”, comenta Rodolpho Santos. A “medalha de bronze” tem como candidatos Fernando Galera, com 56 pontos, Felipe Guimarães (48) e William Starostik (43). Rodolpho Santos vem na sexta posição com 29. “Vai ser uma briga interessante, isso eu garanto”, diz o piloto da Neo Química/Palu Suisse/Wurth.

Novos equipamentos – Os chefes de equipe da Fórmula 3 também se reunirão durante o final de semana para discutir os rumos da categoria para 2008. Fala-se na adoção de novos carros – os chassis atuais são de fabricação da italiana Dallara, com projeto de 2001, embora contem com o motor mais potente da categoria em todo o mundo. Representantes da Dallara e da fabricante francesa Mygale deverão estar em Interlagos para negociar a aquisição de modelos mais atualizados, que entrarão na pista em 2009. “Os chassis atuais devem ser utilizados em uma espécie de categoria Light”, observa Rodolpho.

Decisões para 2008 – Interlagos marca a despedida da temporada 2007 da Fórmula 3, e o final de semana será marcado por várias reuniões e conversas. Quais novos pilotos deverão ingressar na categoria, quem troca de equipe, quem continua? Alguns deverão trocar de carro, apenas; outros de categoria, até mesmo deixando o país rumo à Europa ou Estados Unidos. “Eu mesmo ainda não sei para onde vou no ano que vem”, diz Rodolpho Santos, de 19 anos. “Ou vou para a Europa ou faço mais um ano aqui. Eu sou novo e tenho tempo para decidir, mas sei de colegas que já estão de malas prontas, então a rodada dupla do fim de semana será sua despedida das pistas brasileiras”.

Os tempos realmente cairão? – Apesar de toda expectativa em relação ao novo asfalto, as marcas obtidas na Stock Car no fim de semana passado realmente não superaram para valer os tempos anteriores registrados pela categoria no piso antigo. O fenômeno pegou todos os especialistas de surpresa: “O tempo da pole-position da Stock no fim de semana passado foi cerca de 0s020 mais rápido que a registrada na etapa paulistana disputada em julho. É muito pouco, praticamente nada. Consultei os engenheiros da nossa equipe e eles disseram que todos na categoria não entenderam o que aconteceu. A única resposta seria uma queda no rendimento dos pneus em relação à etapa de julho, mas ninguém conseguiu identificar isso. E os pilotos saíam da pista com a sensação de maior aderência e velocidade. Pior, os motores usados em dezembro tinham alguns cavalos a mais do que em julho. Então, ficou no ar um mistério. O que aconteceu? Vai também se repetir na F-3? Só vamos saber quando nossos Dallara entrarem na pista”.

Desvantagem dos “forasteiros”“O regulamento da Fórmula 3 determina que cada equipe tenha apenas uma pista para testar. Assim, muitas são de São Paulo e treinam em Interlagos, mas várias outras, como a nossa, usam pistas em outros Estados. Isso vai gerar uma desvantagem inicial nos treinos que poderá se refletir na corrida, especialmente devido ao fato de termos um elemento novo e desconhecido dos ‘forasteiros’ que é a qualidade do piso. Quem é de São Paulo vai mesmo sair na frente”, prevê Rodolpho Santos. Algumas equipes, como a própria Amir Nasr, tentaram fazer simulações em suas pistas-sede para chegar a Interlagos melhor preparadas. O caso do time do piloto goiano é especialmente interessante: “Nossa equipe teve engenheiros trabalhando na Mil Milhas e também competiu na Stock em Interlagos. Aproveitamos cada oportunidade para coletar dados. E creio que até os treinos de classificação da sexta-feira já estarei no ritmo dos paulistas”.

A vitória mais “longa” – Quem será o vencedor das últimas provas do ano? “Tradicionalmente, vencer o último confronto é muito desejado por todos, pois essa vitória fica na memória das pessoas – fãs, imprensa e patrocinadores – até o começo do ano seguinte. É a vitória com o sabor mais prolongado da temporada, e isso é muito legal também para quem vai competir na temporada seguinte, pois começa bastante motivado”, comenta Rodolpho Santos. “Eu mesmo, como novato, ainda persigo minha primeira vitória na temporada. E espero que tenha chegado a sua hora”.

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