Histórias: De tratores a Fórmula-1

Equipe Ferguson:
O irlandês Harry Ferguson nasceu em 1884. Em 1911 constituiu sua companhia de motores. Dois anos antes ele tinha construído seu próprio aeroplano, completando o primeiro vôo motorizado de um irlandês. Durante a guerra ele desenvolveu um trator de baixo custo que se tornou muito eficiente para os fazendeiros irlandeses.

 


Com seu sucesso Harry Ferguson tornou-se um regular piloto na Irlanda. Em 1953 ele uniu sua companhia com a Massey nos EUA, surgindo a Massey-Ferguson, empresa que nos dias atuais produz vários tipos de maquinas agrícolas no mundo inteiro. Ele então se retirou para Gloucestershire para desenvolver um carro de F-1 com tração nas quatro rodas, fundando a Ferguson Research Ltd.


 


Ferguson usou os últimos dias de sua vida trabalhando no carro, para poder demonstrar a tecnologia que tinha desenvolvido. Ele morreu em outubro de 1960. O piloto inglês Tony Rolt continuou a tocar o projeto, com a ajuda de Rob Walker, proprietário da equipe Rob Walker Racing de F-1, e que teve o inglês como piloto na década de cinqüenta.


 


O carro, denominado Ferguson P99, com tração nas quatro rodas, foi desenhado por Claude Hill e equipado com um motor Climax de 1,5 litros, instalado na dianteira do carro, ao contrario da maioria dos carros que já usavam os motores na traseira. Utilizava um sistema de freios denominado Dunlop Maxaret, que evitava que as rodas travassem em caso de derrapagens, como os ABS atuais. Os pneus eram da Dunlop. Conduzido pelo inglês Jack Fairman o Ferguson apareceu no British Empire Thophy de 1961, abandonando com problemas na transmissão.


 


Com um motor de 2,5 litros no lugar do 1,5 litros o Ferguson P99 foi inscrito para o GP da Inglaterra de F-1, pela Rob Walker Racing, uma semana depois da primeira aparição. Fairman classificou o carro para a largada na 20º posição. Stirling Moss, que pilotava um Lotus da equipe Rob Walker, também foi inscrito no carro, participando inclusive dos treinos com os dois modelos. Fairman largou com o P99 e depois que Moss abandonou na 44º volta, com problemas nos freios de sua Lotus, ele entrou nos boxes e pegou o modelo com tração nas quatro rodas (4WD). Mas poucas voltas depois ele foi chamado aos boxes e desclassificado, pois o carro foi empurrado para sair dos boxes, o que era proibido pelo regulamento. Foram apenas 56 voltas completadas. Depois desta corrida o Ferguson P99 nunca mais foi inscrito em um GP oficial.


 


Dois meses depois o carro foi inscrito em uma prova extra-campeonato, a Oulton Park Gold Cup, com Stirling Moss ao volante. E surpreendentemente Moss venceu a corrida, debaixo de chuva, com Jack Brabham e Bruce McLaren, ambos da Cooper, em segundo e terceiro. Ele também fez a melhor volta da prova. Foi a única vitória de um modelo 4WD, na história da F-1, e a última da carreira de Moss, na Europa.


 


Em 1962 o carro foi para a Austrália e Nova Zelândia, participar da Copa da Tasmânia, sendo conduzido por pilotos como Innes Ireland e Graham Hill. Mas foram nas subidas de montanha que o Ferguson P99 se tornou um sucesso, vencendo o campeonato Britânico de Subida de Montanha de 1964 com Peter Westbury.


 


A Ferguson Research Ltd, com o seu projeto de tração nas quatro rodas despertou o interesse do automobilismo norte-americano, com a empresa, que estava nas mãos de Tony Rolt, supervisionando o projeto do Novi P104, de Andy Granatelli, que disputou diversas edições das 500 Milhas de Indianápolis.


 


Na F-1, o sistema 4WD, desenvolvido pela Ferguson, foi utilizado pela BRM, no modelo P67 de 1964. O Jensen FF GT Car, de 1966, também utilizou o sistema. Três anos depois varias equipes de F-1 construíram modelos baseados no sistema de Harry Ferguson, como a Matra, Lotus e McLaren. Logo os projetos foram abandonados. O último carro a utilizar o sistema 4WD foi o Lotus 56B, o carro turbina, de 1971.


 


Em 1997 Stirling Moss elegeu o Ferguson P99 como o melhor carro de F-1, que havia pilotado na carreira, em uma entrevista para a revista MotorSport. O P99 encontra-se atualmente no Museu de Donington.


 


O Ferguson P99 disputou apenas uma corrida oficial na F-1.


 

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