IndyCar: “Rei de São Paulo” Will Power vence pela terceira vez

O australiano Will Power (Penske) venceu neste domingo (29/04) a São Paulo Indy 300, no circuito Anhembi, quarta etapa da temporada. Foi a sua terceira vitória consecutiva no ano. E também na prova. O norte-americano Ryan Hunter-Reay (Andretti Autosport) foi o segundo, seguido pelo japonês Takuma Sato (Rahal Letterman Racing).





Mesmo sem a chuva, que foi protagonista das duas primeiras edições da prova, ninguém foi páreo para o australiano. Power largou na pole e só não liderou durante as janelas para reabastecimento e trocas de pneus. Foram 63 voltas na ponta, das 75 disputadas.


A primeira bandeira amarela foi agitada na 23ª volta, depois que o australiano Ryan Briscoe (Penske) acertou o muro da curva dez. Na relargada, enquanto Power mantinha o controle da prova, o escocês Dario Franchitti (Chip Ganassi), que era seu maior perseguidor até então, levava um toque do inglês Mike Conway (A.J.Foyt) no Esse do Samba. O atual tricampeão teve que ir para os boxes, e caiu para 22º.


Na relargada, na 29ª volta, um múltiplo acidente na curva dois envolveu seis carros: Conway, o francês Sebastien Bourdais (Dragon), o inglês James Jakes (Dale Coyne) , o norte-americano Josef Newgarden (Sarah Fisher Hartman), a suíça Simona de Silvestro (HVM) e o inglês Charlie Kimball (Chip Ganassi).  Apenas de Silvestro abandonou. A prova recomeçou na 33ª volta.


Nessa altura da prova, os quatro brasileiros estavam entre os dez primeiros.


A primeira vez que Power perdeu a liderança foi em uma rodada de pit stops, na 51ª volta. Com bandeira verde, e diversas estratégias diferentes de paradas nos boxes, Franchitti liderou uma volta (a 52), com o brasileiro Helio Castroneves (Penske) sendo o líder nas duas seguintes. O norte-americano James Hinchcliffe (Andretti Autosport) apareceu em primeiro na 55ª volta, sendo sucedido pelo neozelandês Scott Dixon (Ganassi), que largou em 3º, mas teve problemas logo no começo da prova.  


Com as batida de Newgarden e do compatriota Ed Carpenter (Ed Carpenter Racing), em pontos diferentes da pista, a quarta amarela da prova apareceu na 63ª volta. Dixon foi para os boxes na volta seguinte, com Power reassumindo a ponta. Hunter-Reay era o 2º, seguido por Franchitti, que fazia uma grande prova de recuperação, Castroneves e Sato. Com problemas no treino classificatório (que ocasionou a troca do motor), o japonês não marcou tempo, e alinhou em 25º. Depois de levar um drive-through, por excesso de velocidade nos pits logo na 12ª volta, o ex-piloto de F-1 contou com uma excelente estratégia de paradas nos boxes nas horas certas, aliada às bandeiras amarelas, e o arrojo nas ultrapassagens, para alcançar as primeiras posições.


Na relargada, na 67ª volta, Sato aproveitou a cautela de Castroneves e Franchitti, e passou os dois no Esse do Samba. Logo depois outro múltiplo acidente envolveu oito carros: Dos brasileiros Tony Kanaan (KV Racing) e Bia Figueiredo (Andretti Autosport), Dixon, Conway (em seu terceiro acidente na prova), Jakes, os norte-americanos Marco Andretti (Andretti Autosport) e Graham Rahal (Chip Ganassi) e o francês Simon Pagenaud (Sam Schmidt). A pista ficou bloqueada, com a quinta amarela sendo agitada. Na relargada final, na 71ª volta, Castroneves passou Franchitti pelo 4º lugar. Hunter-Reay ainda tentou passar Power, por fora na curva um, sem sucesso.


Após as 75 voltas programadas; Power recebeu a bandeirada com 0s9 de vantagem sobre Hunter-Reay.


“Cada corrida foi diferente, ano a ano. Você precisa de um pouco de sorte, uma boa estratégia e não cometer erros. É assim que se ganha uma corrida”, resumiu, mas sempre valorizando a atuação dos concorrentes: “Eu tive que andar no limite o tempo todo, nunca estive seguro ou no domínio da situação”, declarou o vencedor.


“Foi uma corrida difícil e tive de dar tudo o que tinha para conseguir essa vitória”, admitiu o australiano. “Mas, no geral, tivemos um desempenho muito consistente. Nossa estratégia foi boa e o carro também era rápido. A equipe foi eficiente no trabalho de box e acho que a soma de tudo isso foi uma corrida difícil na qual sempre estivemos competitivos”, resumiu o australiano.


Pela primeira vez, em 44 anos de história, a Penske venceu as quatro primeiras provas da temporada.


“É ótimo estar no Brasil, a gente adora vir aqui, é um evento fantástico, um dos melhores do ano. Eu dei o meu máximo hoje na corrida, mas o Will é muito forte aqui. Nunca tive alguma chance para ultrapassá-lo. Mas lutamos pela vitória, estamos felizes com o resultado e fizemos um bom show para a torcida. Isso é o que importa”, afirmou Hunter-Reay.


Sato, o melhor com motor Honda, foi o 3º e conquistou o seu primeiro pódio na categoria.


“Não teríamos o mesmo resultado se não fossem as bandeiras amarelas”, admitiu o japonês.


Castroneves, que foi o primeiro a entrar nos boxes na 9ª volta (em uma decisão da equipe, e que só foi cumprida pelo piloto depois de uma ordem expressa da equipe) , terminou em 4º. O tri-campeão das 500 Milhas de Indianápolis alinhou no final do pelotão, após bater no treino livre e comprometer o ajuste do carro. No final, a ordem da equipe de antecipar a primeira parada, foi a decisão certa.


“É duro classificar o carro na 20ª posição”, disse Castroneves, referindo-se à sua posição no grid. “Mas hoje pela manhã acordei com uma energia positiva pensando em um bom resultado. A estratégia da equipe no meio da corrida foi muito boa e isso nos colocou no pelotão da frente. Acho apenas que tivemos um problema no motor, pois na troca de marcha ele falhava um pouco. Com a vitória, o (Will) Power abriu 45 pontos de vantagem. A vitória vale 50 pontos e é importante não deixar abrir mais do que isso daqui para a frente”, disse o melhor brasileiro na prova.


Franchitti fechou o Top-5. Hinchcliffe foi o 6º, seguido pelo norte-americano J.R.Hildebrand (Panther) e Kimball. O venezuelano Ernesto Viso e o brasileiro Rubens Barrichello, parceiros na KV Racing, fecharam os dez primeiros. Barrichello revelou que seu carro tinha algum problema elétrico, e engasgava na reta, nas mudanças de marchas, perdendo rendimento. Castroneves relatou que teve o mesmo problema que o compatriota. Ambos os carros são equipados com o motor Chevrolet.


“Foi uma tarde cheia de aventuras. Tivemos alguns problemas de velocidade em reta, no motor, que eu acho que deve ser de natureza eletrônica. Isso prejudicou um pouco nossa corrida, pois o Tony e o Ernesto Viso (companheiros de Rubens na equipe KV Racing) me passaram sem muitas dificuldades. De modo geral, estou contente pela adaptação e por andar na frente. Nas provas de Fórmula Indy, não dá para se acomodar quando se está em primeiro. Nas relargadas, em fila dupla, tudo pode mudar. Basta ver o que aconteceu com o Dario Franchitti”, explicou Barrichello.


O espanhol Oriol Servia (Dreyer&Reinbold) foi o melhor dos equipados com motor Lotus, em 11º. Seu carro ainda estava na garagem, quando o hino nacional brasileiro começou a ser tocado. Com isso o espanhol teve que largar dos boxes e depois ainda levou um drive-through, na 19ª volta, por excesso de velocidade nos pits. 


Pagenaud foi o melhor rookie, em 12º. Kanaan, em 13º, ficou muito chateado com os erros de estratégia da equipe, que prejudicou a prova dos três carros da KV.


“Nosso maior problema ficou por conta das paradas. Se você adota uma estratégia errada, você está fora da briga pela vitória. Foi o que aconteceu com a gente neste fim de semana. Mas é assim mesmo. Somos uma equipe, ganhamos e perdemos juntos”, afirmou Kanaan.


Figueiredo chegou a andar em 5º lugar, e a levantar o público com ultrapassagens ousadas. Contudo o toque com Kanaan no final, aliado a duas punições (uma por excesso de velocidade nos pits, e outra por um toque com Carpenter)   relegaram a piloto a 20ª posição final.


“Infelizmente, fui punida por passar em velocidade acima da permitida no pit e depois pelo toque no Ed Carpenter. Tive também problemas de velocidade na reta, nosso carro era três milhas mais lento que os demais. Mas estou feliz em função das condições de prova. Andamos entre os primeiros, me adaptei rápido ao carro novo e vamos com tudo para as 500 Milhas de Indianápolis”, afirmou.


A melhor volta da prova foi marcada por Newgarden, 1m23s1317 (109,821 mph), na 58ª volta.


Briscoe lidera o campeonato com 180 pontos, 45 a mais do que Castroneves.


A próxima prova, a 500 Milhas de Indianápolis, acontece no dia 27 de maio.


Resultado final da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé:
1º. Will Power (AUS/Penske-Chevrolet), 75 voltas
2º. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti-Chevrolet), a 0s904
3º. Takuma Sato (JAP/Rahal Letterman-Honda), a 2s390
4º. Hélio Castroneves (BRA/Penske-Chevrolet), a 4s548
5º. Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi-Honda), a 5s172
6º. James Hinchcliffe (CAN/Andretti-Chevrolet), a 6s261
7º. J. R. Hildebrand (EUA/Panther-Chevrolet), a 8s376
8º. Charlie Kimball (EUA/Chip Ganassi-Honda), a 8s590
9º. Ernesto Viso (VEN/KV-Chevrolet), a 10s344
10º. Rubens Barrichello (BRA/KV-Chevrolet), a 10s847
11º. Oriol Servià (ESP/Dreyer & Reinbold-Lotus), a 24s477
12º. Simon Pagenaud (FRA/Schmidt Hamilton-Honda), a 1 volta
13º. Tony Kanaan (BRA/KV-Chevrolet), a 1 volta
14º. Marco Andretti (EUA/Andretti-Chevrolet), a 1 volta
15º. James Jakes (ING/Dale Coyne-Honda), a 1 volta
16º. Graham Rahal (EUA/Chip Ganassi-Honda), a 1 volta
17º. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi-Honda), a 1 volta
18º. Sébastien Bourdais (FRA/Dragon-Lotus), a 1 volta
19º. Mike Conway (ING/A. J. Foyt-Honda), a 2 voltas
20º. Bia Figueiredo (BRA/Andretti-Chevrolet), a 3 voltas
21º. Ed Carpenter (EUA/Carpenter-Chevrolet), a 3 voltas


Não completaram:
Justin Wilson (ING/Dale Coyne-Honda)
Josef Newgarden (EUA/Fisher Hartman-Honda)
Simona de Silvestro (SUI/HVM-Lotus)
Ryan Briscoe (AUS/Penske-Chevrolet)
Katherine Legge (ING/Dragon-Lotus)


Confira a classificação da Izod Indycar Series após quatro etapas:
1 Will Power (AUS/Penske-Chevrolet) – 180 pontos
2) Helio Castroneves (BRA/Penske-Chevrolet) – 135
3) James Hinchcliffe (CAN/Andretti-Chevrolet) – 123
4) Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti-Chevrolet) – 121
5) Simon Pagenaud (FRA/Schmidt-Hamilton-Honda) – 118
6) Scott Dixon (NZL/Ganassi-Honda) – 109
7) Takuma Sato (JPN/Rahal-Letterman-Laningan-Honda) – 83
8) Ryan Briscoe (AUS/Penske-Chevrolet) – 83
9) JR Hildebrand (EUA/Panther-Chevrolet) – 83
10) Dario Franchitti (ESC/Ganassi-Honda) – 82
11) Rubens Barrichello (BRA/KV-Chevrolet) – 79
12) Graham Rahal (EUA/SC-Ganassi-Honda) – 76
13) EJ Viso (VEN/KV-Chevrolet) – 76
14) Tony Kanaan (BRA/KV-Chevrolet) – 71
15) Charlie Kimball (GBR/NN-Ganassi-Honda) – 68
16) Justin Wilson (GBR/Dale Coyne-Honda) – 64
17) Oriol Servia (ESP/Dreyer Reinbold-Lotus) – 64
18) Mike Conway (GBR/AJ Foyt-Honda) – 62
19) Marco Andretti (EUA/Andretti-Chevrolet) – 61
20) Sebastien Bourdais (FRA/Dragon-Lotus) – 59
21) James Jakes (GBR/Dale Coyne-Honda) – 58
22) Josef Newgarden (EUA/Fisher-Hartman-Honda) – 54
23) Ed Carpenter (EUA/Ed Carpenter-Chevrolet) – 52
24) Simona de Silvestro (SUI/HVM-Lotus) – 48
25) Katherine Legge (GBR/Dragon-Lotus) – 46
26) Alex Tagliani (CAN/Barracuda-Lotus) – 37

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