Kart: Brasileiros relatam experiência positiva na Malásia

Esse foi o primeiro passos dos seis jovens talentos rumo a uma carreira de sucesso no automobilismo internacional.

União é a palavra que define a saga da delegação brasileira no Red White Sangari Internacional Kart Grand Prix, realizado no último final de semana (21 e 22/11) em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Mais do que resultados, os seis jovens talentos – com idade entre 10 e 22 anos – acumularam importantes experiências no automobilismo internacional. A disputa reuniu 120 competidores de nove países.

Os brasileiros conquistaram o direito de participar do Red White Sangari Internacional Kart Grand Prix após disputarem a Copa Brasil de Kart, realizada no dia 11 de outubro em Lauro de Freitas (BA). O campeão de cada categoria, mais um piloto convidado, ganhou o direito de disputar a competição na Malásia. A iniciativa é inédita no kartismo nacional e nasceu de um acordo entre a Reunion Sports, agência de marketing esportivo da Sangari no Brasil, e a Comissão Nacional de Kart da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

Para cinco dos seis kartistas, essa foi a primeira experiência em uma competição internacional. Driblar dificuldades com idioma, alimentação e hábitos foi o primeiro e importante aprendizado, já que todos querem construir uma carreira de sucesso no automobilismo internacional.

A estrutura enxuta – apenas três mecânicos para os seis karts– ajudou a unir ainda mais o time. “A equipe teve pouco tempo para montar e deixar os nossos karts prontos para podermos treinar. Nessa hora, a união entre toda a delegação brasileira foi fundamental e fez a diferença”, explicou Rafael Suzuki, 22 anos, sexto colocado na categoria Sênior, o mais experiente da delegação, escolhido justamente para auxiliar os mais jovens. Suzuki compete na Fórmula 3 Alemã, tem passagem pela Fórmula 3 Asiática e foi convidado para a disputa na Malásia.

Caçula vice-campeão – De acordo com Giuliano Raucci, de apenas 10 anos, todos colocaram “a mão na massa”. “Trabalhamos muito para ajudarmos uns aos outros. Eu enchi pneu para que o Vinícius Perdigão pudesse ir pra pista, também ajudava a esvaziar os pneus de todos os karts no final do dia”, afirmou o caçula do grupo, que voltou para casa com o vice-campeonato na categoria Micromax.

Mateus Protti, 16 anos, 11º colocado na Sênior, também ressaltou o aprendizado. De acordo com o piloto, a experiência malaia o fez crescer muito. “Lá na Malásia tivemos que ‘botar a mão na massa’ e isso me fez crescer muito como piloto. Pretendo continuar disputando os principais campeonatos de kart do Brasil e essa experiência me servirá muito”, afirmou.

A diferença entre os karts brasileiros e estrangeiros também foram sentidas. O modelo utilizado no Red White Sangari Internacional Kart Grand Prix empregou chassi e motor diferentes das competições oficiais brasileiras – a categoria Sênior também utilizava sistema de freios diferente. O piloto Vinícius Perdigão, 19 anos, sétimo colocado da Sênior, afirmou que sua adaptação às diferenças foi rápida. O piloto trouxe lembranças marcantes da Malásia. “Não dei muita sorte nas primeiras corridas, mas a bateria final da minha categoria ficará para sempre na minha memória. Larguei em 34º e cheguei em sétimo”, afirmou.

Para Victor Franzoni, 14, a viagem não poderia ter sido melhor. Essa foi sua primeira experiência fora do Brasil. Apesar de não ter gostado muito da comida malaia, o jovem piloto adorou o país. Franzoni voltou para o Brasil com o segundo lugar na categoria Junior, resultado que ele próprio considera surpreendente. “Minha expectativa era terminar entre os dez primeiros. Eu não imaginava ir tão bem. O nível estava muito alto”, disse. Franzoni afirmou que já tinha experiência com acertos de kart – aprendeu com o pai – e ficou muito feliz de poder ensinar o que sabia aos demais.

Para Pietro Rimbano, de 11 anos, as lembranças poderiam ter sido ainda melhores. O piloto venceu a categoria Micromax – a mesma de Raucci – mas foi desclassificado porque estava usando fluido no radiador. A proibição não constava no regulamento técnico da competição e também não foi comunicada aos brasileiros. Rimbano afirma que ficou chateado, mas prefere ressaltar os pontos positivos da experiência internacional. “Aprendi a me virar sozinho nessa viagem à Malásia. Também aprendi muito sobre o acerto do kart e, como trabalhamos muito para ajudar uns aos outros, passei a dar mais valor ao esforço da minha equipe aqui no Brasil. Fiquei muito triste com a minha desclassificação porque me esforcei muito, mas bola pra frente”, disse.

Os pilotos pretendem continuar competindo e já elegeram uma meta: repetir o feito e conquistar novamente a vaga para a edição de 2010 do Red White Sangari Internacional Kart Grand Prix, que deve acontecer na Indonésia. 

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