Outras: Clássicos de Competição mostra a ‘década de ouro’ do esporte a motor brasileiro

Os anos 1960 marcaram o boom do automobilismo no País. Foi quando deu-se o início da profissionalização, da criação das equipes oficiais de fábrica e do nascimento de alguns dos maiores nomes mundiais no esporte. Vários carros e pilotos míticos poderão ser vistos no Clássicos de Competição.


Entre os dias 25 e 28 de janeiro próximos, no Clássicos de Competição, evento que comemorará o aniversário da cidade de São Paulo no Autódromo de Interlagos, poderão ser vistos vários dos carros de corrida que fizeram época nas nossas pistas desde os anos 30 até os anos 90. Entre várias outras atividades, destaca-se uma que foi denominada “Túnel do Tempo”, na qual, separados por década, serão mostrados alguns dos principais carros de corrida que até hoje povoam as mentes dos aficionados por automobilismo. Sempre que possível, o modelo de competição estará acompanhado pelo seu similar de rua, para que se possa ter um parâmetro das suas diferenças.

Um dos destaques do Túnel do Tempo é a chamada década de ouro do esporte a motor nacional – os anos 1960. A então recente chegada de várias montadoras ao Brasil ― algumas das quais já fora de atividade no País ― impulsionou de forma decisiva as competições. Nessa década foram criadas as primeiras grandes equipes da nossa história: a Vemag, dirigida por Jorge Letry; a Willys, comandada pelo carismático e polêmico Luiz Antonio Grecco; e a Simca, chefiada por Chico Landi, foram alguns dos primeiros exemplos dessa evolução.

Com motor de dois tempos e três cilindros, os DKW eram os opositores mais ferrenhos da Berlineta Interlagos, modelo derivado do Renault Alpine A108, francês. Para se ter a noção da importância que a marca deu para o início de construção desse carro, veio ao Brasil o francês Jean Rédélé, da Renault, que era considerado o “pai” dos Alpine. O homem que deu “alma” e fama mundial aos pequenos esportivos.

Havia também algumas equipes “particulares” que enfrentavam de igual para igual as esquadras oficiais. Entre elas se destacava a Jolly, dirigida por Emílio Zambello e Piero Gancia ― que também eram pilotos. Os carros da Jolly – Alfa Romeu GTA e GTAM – eram difíceis de serem superados também quando eram pilotados pelos irmãos Alcides e Abílio Diniz e por Ubaldo Lolli. Os carros vinham preparados pela Auto Delta, da Itália, e eram bem mais potentes que os modelos nacionais.

Também teve destaque entre os particulares os carros feitos pela Dacon de Paulo Goulart, representante da Porsche. No final da década os Karmann Ghia com mecânica alemã eram praticamente os únicos que podiam fazer frente aos bólidos italianos. Além do desenvolvimento técnico, a época foi de formação de várias feras das nossas pistas: Luis Pereira Bueno, Bird Clemente, José Carlos Pace, Jan Balder, Ciro Caires, Emerson e Wilsinho Fittipaldi, Chiquinho Lameirão e muitos outros. Clemente foi, inclusive, o precursor no Brasil da profissão de piloto profissional, já que foi o primeiro da nossa história a receber salário em troca da aplicação de seu (enorme) talento ao volante.

Pode-se dizer os as corridas foram usadas como um eficientíssimo laboratório para as montadoras que ainda se instalavam no Brasil. Também foi a década em que Emerson e Wilson Fittipaldi “descobriram”, na Europa, o Fórmula V. Então, construíram uma versão nacional chamada Fitti Vê, que acabou virando categoria de sucesso. Tratava-se de um monoposto com motor VW 1200 que era um excelente como carro-escola. “Eram mais estreitos que os Fórmula V originais, e os pilotos praticamente vestiam o carro. Lembro que Bob Sharp, Maneco Combacau, Pace, Lameirão, Cacaio (Joaquim Carlos Telles de Matos), Marivaldo Fernandes, Emerson, Wilsinho, Pedro Vitor Delamare, entre muito outros, andaram na categoria. Foi o início de carreira de muitos deles”, comenta Antonio Carlos de Oliveira, o curador da mostra Clássicos de Competição.

“Em minha opinião, os anos 60 também foram os anos de ouro para as corridas de longa duração. Atraiam um público enorme, comparável ao que comparece às corridas da Stock Car na atualidade. Corridas como Mil Milhas, 500 Quilômetros, 12 Horas de Interlagos, 6 Horas de Interlagos, foram fantásticas para público e participantes. Também foram os tempos áureos das carreteras”, detalha Oliveira.

Vários modelos de competição dessa década estarão expostos no Clássicos de Competição. O público poderá ver de perto a Berlineta Interlagos, o Malzone GT com motor DKW ― Emerson Fittipaldi e Jan Balder chegaram a liderar por várias horas a Mil Milhas de 1966, andando na frente das carreteras que tinham enormes motores de Corvette. Terminaram a prova em terceiro lugar ―, o DKW Mickey Mouse, um Fórmula Fitti Vê, um Karmann Ghia Porsche, e muitos outros. Na mostra estarão presentes também exemplares Ferrari Testarosa (1958) e GTO (1956) bem como Mercedes Benz 300 Asa de Gaivota (1957), Alfa Romeo 1750 6C (1934), Biposto Amilcare (1927) e o Ryler Treen (1930).

O evento será um grande parque temático no que diz respeito aos automóveis e sua história. Por exemplo, o público poderá, entre outras atividades, assistir palestras, filmes sobre corridas, andar de autorama em pistas profissionais, curtir um show musical, participar com seu próprio carro de uma prova de regularidade na pista de Interlagos.

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