Papo de Box: Correndo em família, por Fernanda Parra

Olá pessoal! Estou aqui novamente participando do Site SpeedRacing com a minha segunda coluna!!! Dessa vez, vou contar para vocês como foi participar das Mil Milhas 2006!

Eu corri com um Omega, o mesmo que andei nas Mil Milhas de 2005, porém com um upgrade: um motor V8 que foi montado e importado dos Estados Unidos. Começamos a comprar as peças em setembro mas o motor só ficou pronto no começo de janeiro. Na verdade, a primeira vez  que o colocamos na pista foi na classificação das Mil Milhas.


 


Já dá para imaginar que eu não tinha a menor idéia de como seria o rendimento do Omega durante a corrida. Na classificação de quarta-feira tivemos muitos problemas. O principal deles foi que o motor veio dos Estados Unidos com cabeçote de motor de rua e não de competição. Então, enquanto a gente estava na pista treinando, o preparador estava na oficina arrumando os cabeçotes de competição que ficaram prontos só na quinta-feira a tarde, durante a última sessão de treinos. Como não teríamos tempo para testar o novo cabeçote – e como nas corridas sempre existe a Lei de Murphy – resolvemos não arriscar e não trocar os cabeçotes. Sabíamos que o desempenho não seria o mesmo, mas por ser uma corrida de longa duração e de resistência, o carro teria menos chances de quebra. Com os cabeçotes de rua, viramos 1’46”. Imagine com os cabeçotes de competição e o carro acertado…


 


Como houve essa correria por causa do motor, eu e o meu pai não convidamos outro piloto para andar com a gente. Na quinta-feira de manhã, último dia de treino, ele ainda me perguntou se deviamos chamar alguém. Mas eu estava gostando daquele “espiríto em família” e achava que, apesar de cansativo, nós dois conseguiriamos aguentar as 10horas de prova sem problemas. Então, resolvemos fazer a corrida somente pai e filha. A maioria das equipes corre as Mil Milhas em 3 ou 4 pilotos.


 


Classificamos em 2o Lugar na categoria e em 20o Lugar na Geral. Participavam da categoria MMSTC (Silhouette e Touring Cars): Omega, Alfa Romeo, BMW e Vectra. A Alfa que classificou em primeiro, ficou apenas 4 décimos na frente do nosso Omega.


 


O combinado para a corrida era fazer uma parada a cada 1 hora para reabastecimento porque o nosso tanque era pequeno e tinha capacidade para somente 70 litros. A cada duas paradas para reabastecimento, trocariamos os pneus e o piloto. Assim, cada piloto faria tocadas de aproximadamente 2 horas.


 


 


Meu pai largou e logo no início a BMW assumiu a liderança da categoria. Mas ela não teve muita sorte e quebrou em seguida. Minha primeira tocada durou 2 horas e 20 minutos. A temperatura em Interlagos era de 34o  mas chegava a 60o dentro do carro. Fazia muito calor e o interior do carro ficava quente demais. A cada parada para reabastecimento, me entregavam garrafas de água que eu jogava em todo macacão para refrescar. Durante as tocadas eu tovama soro fosiológico para hidratar.


 


Após quase 5 horas de prova, assumimos a liderança. Nós tínhamos 2 voltas de vantagem para o segundo colocado – a Alfa Romeo – quando eu comecei a minha última tocada após 8 horas de corrida. Já estava escurecendo e como nossos faróis não eram fortes o suficiente, ficava bem difícil enxergar. Logo depois que escureceu, começou a chover. O meu vidro dianteiro embaçou completamente e aí é que eu não enxergava nada mesmo. Chovia forte e como eu não podia enxergar pelo vidro da frente, eu guiava olhando pela minha janela da lateral esquerda. Quando eu sabia que era a zebra de dentro que estava do meu lado esquerdo, dava para ver a curva pela janela. Quando era a zebra de fora, eu acompanhava a zebra até ela acabar. Quando ela acabava eu sabia que era mais ou menos a hora de puxar pra fazer a curva. A subida dos boxes era uma das partes mais complicadas da pista. Como  não conseguia enxergar, eu olhava o muro do meu lado para tentar acompanhá-lo. E no Café (curva que antecede a reta dos boxes) era onde eu tinha mais receio de enfiar o carro no muro!!


 


Fiz uma parada não esperada para trocar os pneus slick para pneus de chuva. A Alfa optou por não trocar os pneus – como ela tem tração dianteria (o único carro dianteiro das Mil Milhas) fica mais fácil andar na chuva. Isso porque um carro dianteiro segura mais na chuva que um carro traseiro, principalmente se comparado a um Omega.


 


Com a chuva, nós fizemos duas paradas a mais que a Alfa e perdemos a liderança com aproximadamente 8 horas de prova. No final da corrida estávamos somente há duas voltas atrás deles – mas a bomba de direção do nosso Omega começou a falhar e infelizmente não deu mais para alcançá-los. Mérito do Caparelli, piloto da equipe da Alfa,  que teve a sorte de chover no final da corrida e guiou muito bem o tempo inteiro na chuva de pneus slick.


 


Sem dúvidas, essa corrida me trouxe bastante experiência. Principalmente, por correr junto com o meu pai. Foi bem cansativo, mas valeu a pena. Sinto não termos vencido, mas subir ao pódio numa edição histórica das Mil Milhas com o meu pai foi muito bom!! Essa foi primeira fez na história das Mil Milhas que pai e filha sobem no pódio!


 


Bom, é isso! Ainda não decidi do que vou andar neste ano. Talvez na Stock Car V8 Light, talvez no Trofeo Maserati ou talvez no Brasileiro de Endurance. Estou correndo atrás…vamos ver o que acontece…


 


Valeu! Grande abraço a todos!

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