Racing Festival: Fórmula Futuro acaba por falta de pilotos

Sem conseguir cumprir os objetivos e resultados esperados em dois anos, a RM Events, organizadora do Racing Festival, anunciou nesta quarta-feira a extinção da F-Futuro, categoria de base criada pela família Massa em 2010 e apadrinhada pelo piloto da Ferrari.

O campeonato fazia parte de um evento que conta ainda com a Copa Fiat (antigo Trofeo Linea) e competições de motociclismo. Ele foi criado como alternativa para jovens saídos do kart e que pretendiam iniciar carreira nos monopostos, mas, em duas temporadas de existência, apresentou grids quase sempre vazios, com médias muitas vezes inferiores a dez carros.
Durante a curta vida da F-Futuro, os promotores tentaram diversos caminhos para salvar a categoria: de 2010 para 2011, os custos para a disputa da temporada caíram de R$ 280 mil para R$ 200 mil. Neste ano, os organizadores anunciaram o acréscimo de uma bateria extra a cada rodada, além de sessões adicionais de testes ao competidores.
Além disso, desde o ano passado, a F-Futuro oferecia bolsas para os três primeiros colocados de algumas provas do kartismo nacional. No ano passado, foram contemplados o Brasileiro e a Copa Brasil. Para 2012, seria incluído também o GP Nacional.
Em entrevista ao Tazio Autosport durante o lançamento da Copa Fiat, na semana passada, um dos organizadores do evento, Titônio Massa, já havia admitido as dificuldades para formar um grid com um número razoável de carros nesta temporada, com apenas seis pilotos inscritos até aquele momento.
“Nós estamos entrando em contato, negociando, mas está difícil. A dificuldade para o jovem que sai do kart e ingressa nas corridas de monoposto conseguir patrocínio é muito grande. A gente repara em vários nomes que vencem no kart e não vão para a F-Futuro, mas também não estão correndo em nenhum outro lugar”, constatou.
Titônio explicou que, dos seis inscritos, três faziam parte do grupo de pilotos contemplados com as bolsas oferecidas durante a Copa Brasil e o Brasileiro de Kart. O empresário defendeu ainda que, no Brasil, não existia nenhuma outra categoria de base com um custo-benefício tão atrativo, mas reconheceu que, para muitos competidores, pular do kart diretamente para competições fora do país. “Como nossa moeda está bastante valorizada, muitos veem vantagem em competir diretamente na Europa”, observou.
O executivo da RM Events, Carlos Romagnolli, contabilizou um investimento de quase R$ 7 milhões na categoria em dois anos: R$ 2 milhões para a importação dos 18 chassis usados pela categoria; R$ 3 milhões em serviços técnicos de preparação, manutenção dos carros e operação do campeonato; R$ 200 mil para contratação de engenheiros; R$ 800 mil em premiações; e R$ 900 mil em subsídios aos pilotos.
Porém, de acordo com o diretor, a falta de participantes e de patrocínios deixou as contas no vermelho. “Não dava para prosseguir neste quadro de dificuldades, agravado pela retração dos patrocinadores”, justificou. “Não poderíamos permitir que o prejuízo aumentasse.”
A organização chegou a tentar implacar um projeto junto à Lei de Incentivo ao Esporte (o mesmo do qual se beneficia o neto de Emerson Fittipaldi, que compete em uma divisão regional da Nascar) para facilitar a captação recursos, que não foi aprovado pelo Governo Federal. “Ele foi rejeitado com a alegação de que a categoria contava com apoio de empresas, mas na verdade todas elas eram originárias da Copa Fiat. Não tivemos o mesmo tratamento de outros agentes do esporte”, criticou Romagnolli.
A Copa Fiat, carro-chefe do Racing Festival, continua a ser disputado normalmente. A organização do evento também criou para este ano o R1 1000 GP, campeonato de motociclismo patrocinado pela Yamaha e que entra no lugar das extintas Hornet 600 e CB 300, capitaneadas pela rival Honda. A estreia da temporada 2012 está marcada para os dias 2 e 3 de junho, em Londrina.

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