Rally Dakar: Do Atlântico ao Pacífico, ASO confirma novo destino do Dakar

Edição 2012 do maior rali do planeta muda rota vai de Mar Del Plata, na Argentina, passará pelo Chile para terminar no Peru, terceiro país incluído no roteiro da competição

Confirmando as expectativas do piloto Klever Kolberg, do Valtra Dakar Eco Team, o Rally Dakar 2012 terá um roteiro bastante renovado em relação às três edições anteriores, que tiveram largada e chegada em Buenos Aires e passagem pelo Chile. Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (23) em Paris, na França, a ASO, organizadora do rali, anunciou que o Peru será o destino final da prova que terá início em 1º de janeiro do próximo ano.

Para formalizar esta aliança entre os três países dentro da rota do Dakar, o presidente do Instituto Peruano de Esportes, Arturo Woodman Pollitt, visitou Paris para a apresentação oficial do evento na manhã desta quarta-feira. Ele teve a companhia de Enrique Meyer, ministro do Turismo da Argentina, Gabriel Ruiz Tagle, secretário de Estado dos Esportes do governo chileno e de Etienne Lavigne, diretor do evento.

Mais do que isso, os desafios do Dakar serão maiores. Os mesmos nove mil quilômetros divididos em 14 etapas foram melhor distribuídos: em vez do trajeto de ida e volta entre Buenos Aires (Argentina) e Arica (Chile), a próxima edição terá início na cidade de Mar Del Plata, no litoral argentino, cruzará o país, passará pelas dunas do Deserto do Atacama, cruzará a fronteira com o Chile pela Cordilheira dos Andes e buscará o litoral chileno até encontrar a capital peruana de Lima, à beira do Oceano Pacífico.

“Com este anúncio, os organizadores oferecem uma nova perspectiva deste grande desafio, com o rali descobrindo o Peru. Pela primeira vez desde que o Dakar veio para a América do Sul o percurso não formará um circuito. E ao que tudo indica, teremos um rali muito duro”, espera Klever Kolberg, pioneiro do Brasil no Dakar e dono de 23 participações na competição off-road mais perigosa e desafiadora do planeta. “Ainda não sabemos exatamente quais serão as cidades de todas as 14 etapas, mas saber as datas e os países pelos quais passaremos já é um bom indicativo. Agora a ASO trabalha na confecção do roteiro completo da competição, mas isso leva mais tempo”, apontou.

Pioneiro na utilização do etanol na competição, Kolberg prefere pensar em cenários de grandes desafios. “Nas três edições anteriores, a etapa mais difícil aconteceu na Argentina, na região de Fiambala, nos pés da Cordilheira dos Andes. A região é de dunas e com areia muito fina, praticamente um pó, que se estiver novamente no trajeto fará uma seleção natural entre homens e meninos. Já no Chile, as dunas e pedras do Deserto do Atacama não deverão oferecer qualquer tipo de facilidade para os competidores. E no Peru, o roteiro deve acompanhar a costa do Pacífico, com mais dunas, areia e trilhas apertadas e perigosas nas montanhas”, comentou o piloto.

Klever conhece a região. Competiu por duas vezes no Rally dos Incas, em 1988 e 1989, quando ainda corria de moto. “As dunas lá são gigantescas e as trilhas nas montanhas são extremamente traiçoeiras”, analisou.

O piloto do Valtra Dakar Eco Team, campeão do Rally dos Sertões do ano passado na categoria Etanol, continua seus preparativos para a prova brasileira que acontece em agosto, mas divide sua preparação com o foco na diminuição de custos e no aumento da segurança para quem optar por usar o combustível 100% brasileiro e renovável na próxima edição do Dakar. “Vou tentar junto à organização uma atualização do regulamento para os carros, a fim de permitir reabastecimentos (com mais pontos entre as etapas) e tornar os combustíveis verdes e renováveis mais atrativos. O Dakar precisa colocar a sustentabilidade em primeiro lugar”, concluiu.

O Brasil, ao contrário do que se especulou nos últimos meses, não fará parte do roteiro. “Infelizmente, tudo não passou de boatos”, resignou-se.

Sobre Klever Kolberg: Engenheiro, palestrante e piloto. Pioneiro brasileiro no Rally Dakar, onde já representou o Brasil por 22 vezes. Klever começou no Dakar competindo de moto, entre 1988 e 1996, sagrando-se campeão da categoria Motos Maratona em 1993, ano em que foi o quinto colocado no geral. A partir de 1997 passou a disputar o Dakar entre os carros, obtendo o título vice-campeão na categoria Carros Maratona em 1999 e 2000 e na categoria Carros Diesel em 2002. Também é pioneiro e criador no Dakar da categoria Experimental para combustíveis limpos, onde em 2010 foi o primeiro a utilizar Etanol de Cana de Açúcar como combustível. Na maior prova off-road do país, o Rally dos Sertões, Klever é bicampeão da categoria carros e foi o campeão da categoria Etanol em 2010, tendo sido o vice-campeão na classificação geral. É autor de três livros sobre o assunto e é comentarista de rali no canal ESPN desde 2007.

Sobre Flavio Marinho de França: Cirurgião-dentista e navegador, começou competindo com motos em 1992, nas modalidades de Enduro de Regularidade e Rally Cross-Country. Em 1995 passou a competir também com carros como navegador em provas de Rally de Regularidade e Rally Cross-Country. Em 2009 passou a competir também em rallys náuticos com barcos. Flavinho, como é mais conhecido, participa do Rally dos Sertões desde 2003 quando foi campeão na categoria Production Gasolina ao lado de Paulo Buda. No Sertões 2005 foi campeão na categoria Super-Production Diesel ao lado de Riamburgo Ximenes, em 2010 foi o campeão da categoria Etanol ao lado de Klever Kolberg, tendo sido o segundo na classificação geral. Flavio é Bicampeão do Rally Cerapió (2006 e 2007), Campeão do Rally RN 1500 em 2003, Tricampeão Brasileiro de Rally de Regularidade (2003, 2004 e 2006) e desde 2008 é organizador de provas de Rally de Regularidade no RN.

O Valtra Dakar Eco Team é patrocinado pela Valtra, e apoiado por Borrachas Vipal, Banco Fator, Veolia Water, Artfix, Sparco, Dakar Inovação, Arycom e Unica.

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