Rally dos Sertões: Abram alas para os gigantes do rali

A categoria Caminhões impressiona e para os mais leigos desperta a dúvida: como é possível acelerar um veículo deste porte por trilhas repletas de obstáculos? A equipe tetracampeã brasileira, Salvini Racing, responde.

Se pilotar motos e carros já é uma tarefa difícil, imagine guiar um caminhão em alta velocidade pelas trilhas do Rally dos Sertões! E mais, conduzir um veículo com mais de 6 toneladas durante 5.045 quilômetros por 11 dias de competição… Essa é uma aventura que poucas pessoas ousam encarar, mas quem aceita o desafio, diz que é uma das melhores experiências no off-road.

“É emocionante, e como todo o esporte, precisa-se treinar muito. Acredito que o mais importante é ter talento, faro e rapidez de reflexo, pois não há tempo para pensar. Acima de tudo, é necessário respeitar a máquina e não perder o controle. Erros são imperdoáveis, que no mínimo, podem comprometer a continuidade na disputa”, explicou o piloto Guido Salvini, que compete ao lado do navegador Weidner Moreira e do copiloto Fernando Chwaigert. Juntos, eles formam o time da Salvini Racing, tetracampeã brasileira (título conquistado em 2008 por Moreira, entre os navegadores).

Na 17ª edição do Rally dos Sertões, que acontece entre 23 de junho e 3 de julho, as equipes largarão de Goiânia, atravessarão os estados do Tocantins, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, e chegarão à capital potiguar, Natal. ”O computador (cérebro) tem que estar alerta e já ter programado os problemas e situações que aparecerão ao longo das especiais. Coragem e aptidão estão implícitas nos participantes”, completou Salvini.

O trio compete a bordo de um Mercedes-Benz Atego 1725, equipado com motor OM926 LA. Tem potência de 500 cv a 2.300 rpm, e torque de 142,7 mkgf a 1.500 rpm. Para estar apto a encarar as condições mais severas de terreno, o caminhão passou por algumas adaptações, entre elas, a redução da distância entre os eixos, deixando-o mais leve. O câmbio é um G85, de 6 marchas.

Na suspensão dianteira e traseira, o grandalhão leva feixes de molas com amortecedores que utilizam nitrogênio. O tanque tem capacidade para 450 litros de diesel, e no baú ainda há um tanque extra de 140 litros. Com 6.800 quilos, esse Mercedes ultrapassa a velocidade de 170 km/h – entretanto no rali, a categoria é limitada até 150 km/h. ”Nosso Atego conta com eletrônica embargada de última geração, maior conforto e espaço interno para a tripulação. Possui uma caixa de transferência com diferencial integrado, que proporciona uma melhor dirigibilidade e estabilidade, tornando o veículo mais seguro, principalmente, em curvas”, detalhou Moreira.

Pelo fato do Atego ser alto e largo, o maior desafio da Salvini Racing é a concorrência com os caminhões pequenos, os Ford F-4000. “Comparados ao nosso veículo, eles são bem menores e mais leves e, consequentemente, levam vantagem em trechos de mata fechada, travessia de pontes, estradas estreitas etc. Por este motivo, não podemos perder o ritmo de prova diante de determinadas barreiras; o que nos deixa em uma situação complicada. Existem casos que temos que dosar na velocidade, pois não se brinca com um equipamento do porte do Atego; e como disse anteriormente, é preciso respeitar a máquina”, considerou Salvini.

A categoria Caminhões é dividida em duas subcategorias: T1 – para caminhões até 4.800 quilos –, e T2 – com mais de 4.801 quilos –; mas é a vitória na classificação Geral que eles almejam. “Temos duas qualidades do Atego que se sobressaem neste tipo de competição: a robustez e a potência do motor. Vamos fazer valer dessas duas características para vencer o rali”, concluiu Salvini.

A Salvini Racing foi campeã do Rally dos Sertões em 2003, vice-campeã em 2005; e em 2006 e 2007, venceu a categoria T4.2 – destinada aos caminhões pesados.

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