Rally dos Sertões: Com brios estimulados, competidores reforçam importância do Sertões

Gillette diz que vai pagar inscrição da próxima edição para os três primeiros de cada categoria, caso eles cheguem ao final do Rally com a barba feita

Nesta terça-feira (10), foi realizada no Flamboyant Shopping Center, a coletiva oficial do 18º Rally Internacional dos Sertões. Com a presença de Marcos Moraes, organizador da prova; Carlos Ronay, diretor de infra-estrutura e operações turísticas da Goiás Turismo e presidente do Fórum Estadual de Turismo; alguns pilotos foram comunicados de um desafio por parte de José Cyrillo, diretor da Gillette.

Os pilotos de moto, Marc Coma, bicampeão do Dakar (2006 e 2009) e tricampeão mundial (2005, 2006 e 2007); David Casteu, duas vezes vice-campeão; Zé Hélio, cinco vezes campeão do Sertões; de quadriciculo Carlos Collet; de carro André Azevedo; e de caminhão Edu Piano receberam com entusiasmo o comunicado de Cyrillo.

“A Gillette está muito feliz de participar do Rally dos Sertões. Vamos aproveitar este primeiro ano para lançar um desafio aos competidores para mostrar que a Gillette entrou de vez no Sertões. Estamos dispostos a pagar a inscrição dos três primeiros colocados de todas as categorias ao final do Rally, caso eles cheguem barbeados em Fortaleza”, comunicou, colocando um largo sorriso no rosto dos pilotos.

Zé Hélio, o alvo na categoria motos
Após a excelente notícia, o consenso entre os competidores foi que a prova nacional é um dos ralis mais difíceis do mundo, com dificuldades, muitas vezes, tão grandes quanto o Dakar. “É um dos mais duros e complicados que existe em todo o mundial, então é um grande desafio só de completar o Rally dos Sertões. O rali tem 18 anos de história, então está consolidado. Sabemos que temos pilotos muito fortes e com muita experiência, como o Zé Hélio, mas vamos tentar tirar o máximo. Não viemos para competir. Viemos para ganhar! Mas será muito difícil enfrentar os concorrentes que temos aqui, pois o nível é muito alto”, afirmou Coma.

“Estou muito feliz de estar de volta ao Brasil. Parabéns à Dunas pela perfeita organização, e muito obrigado. O rali é muito difícil. Na minha opinião, o Sertões é um dos mais importantes do mundo para os pilotos. É um teste duríssimo para o piloto e o equipamento. Serve também de preparação para o Dakar. A cada ano a prova tem 4.500km, o que a torna a maior etapa do Campeonato Mundial, o qual estou liderando com mais de 30 pontos de vantagem. Este ano vou tentar superar o Zé hélio e sei que não vai ser nada fácil”, analisou Casteu.

Citado pelos dois competidores estrangeiros e apontado como o cara a ser batido na categoria motos, Zé Hélio se mostra motivado para competir no Sertões com uma BMW 450, com apoio oficial da marca alemã, pela primeira vez. “Estou com uma moto nova, que me traz um pouco mais de chances. Um equipamento ao qual nunca tive acesso. Venci as três últimas edições, mas segui outros rumos. Apesar de o roteiro desse ano ser 95% inédito, a gente conhece um pouco da região”, comentou.

O pentacampeão da maior prova off road nacional contou os motivos que o levaram a trocar a vitoriosa parceria com a Honda pela moto germânica. “Comecei a conversar com o pessoal da BMW da Alemanha em 2007. Eles tinham acabado de lançar uma nova moto off road, mas não topei porque tinha acabado de entrar na Honda, e chegamos a um ponto em que não tínhamos o mesmo objetivo. Ano passado, surgiu novamente esse convite e aceitei. Nem é tão bom financeiramente para mim, por enquanto, mas é uma boa oportunidade tanto pelo equipamento mais competitivo, de mais qualidade do que eu tinha antigamente, como para futuras oportunidades no exterior. Fazendo um bom Sertões, posso pensar em um bom Dakar”, comentou.

Campeões de quadris e caminhões com novos desafios
Entre os caminhões do Sertões, o atual tricampeão, Edu Piano passará a competir na categoria “pesados” este ano e comentou as mudanças que tiveram de serem feitas para adaptar a máquina para os desafios dos 4.486 quilômetros entre Goiânia (GO) e Fortaleza (CE). “O caminhão é muito diferente do que eu usava até 2009. É um projeto novo, que começamos do zero. Pegamos um caminhão de fábrica, original 4×2, e transformamos em um caminhão de rali. A estrutura da equipe muda muito para fazer isso, mas todos estão muito empolgados e entrosados para encarar meu 15º Rally dos Sertões”, analisou.

Como Piano, Carlo Collet, campeão da categoria quadriciculos em 2007 e vice em 2009, busca conquistar mais um título este ano, que tem escapado nas últimas edições. “Desde 2007, quando mudei de equipamento, cada ano vem um probleminha, e, mesmo assim, a gente vai beliscando bons resultados. Mas agora resolvemos tudo isso e espero vencer o Sertões desta vez”, disse.

Disputa nacional deve marcar a categoria carros
Melhor brasileiro colocado na categoria carros no ano passado, Jean Azevedo acredita que a briga pelo título nesta edição será muito acirrada e também vê o Sertões como uma excelente preparação para o lendário Rally Dakar, ainda mais agora que é disputado na América do Sul (na Argentina e no Chile).

“Esse ano, a categoria carros vai estar mais interessante, pois a equipe Volkswagen não veio ao Brasil. No primeiro ano em que corri na categoria carros houve disputas mais intensas, mas entre dois carros na frente (VW Touareg) e a gente brigando de terceiro pra trás. Esse ano vai ser mais emocionante para todo mundo, principalmente para o público que acompanhar. Vai ser mais equilibrado, com oito ou dez carros brigando pelas primeiras colocações. Para quem vê de fora vai ser muito mais interessante essa briga”, avaliou.

“Depois que o Dakar veio para a América do Sul, ele ficou mais parecido com o Sertões. A parte argentina tem as mesmas características do Sertões. No Chile é mais deserto, mas na parte da Argentina, o piloto brasileiro estará habituado com as condições. A dificuldade é muito parecida, a diferença é que lá são 15 dias, e aqui são dez”, comentou.

A 18ª edição do Rally dos Sertões começa nesta terça-feira (10), com a realização do super prime na arena montada ao lado do Flamboyant Shopping Center, em Goiânia (GO), e percorrerá 4.486 quilômetros até o Beach Park, em Fortaleza (CE), dia 20 de agosto. O trajeto deste ano será 95% inédito e contará com 52,7% de especiais, um recorde na história da prova.

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