Rally dos Sertões: Estrangeiros destacam alto nível da competição

Campeões falaram sobre a evolução do percurso do Sertões, bem como dos equipamentos dos competidores e na qualidade dos pilotos e navegadores

Depois de 4.486 quilômetros percorridos por seis estados brasileiros em dez dias de competição, pilotos, navegadores e equipes participantes da 18ª edição do Rally Internacional dos Sertões puderam ter uma noite de merecido descanso no Beach Park Resort em Fortaleza (CE), local de chegada da maior aventura do fora de estrada brasileiro, que começou em Goiânia (GO) no último dia 10. E na manhã deste sábado (21), os campeões das categorias carros, caminhões e quadriciclos, além do mais o novo campeão mundial de Rally Cross Country na categoria motos até 450 cm³ de cilindrada, estiveram presentes em coletiva de imprensa realizada nas dependências do Beach Park Suites.

Em comum nas declarações dos campeões, os elogios à organização e ao roteiro do segundo maior rali do planeta, e as dificuldades e prazeres de se participar de uma competição de tal magnitude. “O Sertões tem ficado mais difícil a cada ano que passa. A categoria 450 estava muito dura e a cada dia os resultados eram bastante imprevisíveis, pois todos tinham condições de vencer”, afirmou o francês David Casteau, quarto colocado no acumulado geral entre as motos, resultado que lhe garantiu o título mundial. “Foi muito importante ter conquistado o mundial aqui no Brasil, uma experiência muito positiva”, disse.

Após seis anos de fora do Sertões, o carioca Guilherme Spinelli voltou e de cara conquistou o tricampeonato. “Pelo fato de termos tido somente equipes e duplas brasileiras entre os carros, diferentemente dos dois últimos anos, a competitividade estava garantida. No início, me perguntavam se eu me sentia na condição de favorito e eu respondia que havia pelo menos dez duplas em condições de vencer. Por isso digo que esta conquista teve um sabor muito especial, porque o nosso carro era completamente novo e só havíamos feito 60 quilômetros de testes antes de embarcarmos para Goiânia, e a nossa expectativa era justamente desenvolver o equipamento”, explicou.

Vencedor entre os caminhões, Marcos Cassol vivenciou o pior tipo de disputa que um competidor pode vivenciar: contra o próprio irmão, e com o mesmo equipamento. “Neste ano eu esperava que a equipe Autoliner fosse a nossa principal concorrente, e para minha surpresa o meu irmão colou em mim e não queria ‘largar o osso’ de jeito nenhum. Foi uma disputa bem difícil, em casa, mas muito saudável, e ele se provou um grande piloto”, disse Marcos referindo-se a Vanderlei. “Nossa equipe veio muito preparada. A Ford e a Território 4×4 trabalharam muito bem e o rali foi decidido por uma questão de minutos, com nós dois brigando até o final”.

O polonês Rafal Sonik, também apelidado por “SuperSonik”, foi o primeiro piloto estrangeiro na história do Rally dos Sertões a levar o título entre os quadriciclos, um feito reservado até 2010 exclusivamente aos pilotos brasileiros. E a vitória (assim como o título mundial) veio em sua estréia no segundo maior rali do planeta. “Eu não sou o mais novinho aqui; acho mesmo é que sou um dos mais velhos. Mas ainda assim eu sendo um piloto mais experiente eu estava muito nervoso antes do rali, porque um colega havia me dito que o Sertões é um dos mais difíceis do mundo, mais difícil inclusive que o Dakar. E também me disseram que os caras dos quadriciclos daqui são os mais rápidos que eles já viram na vida”, elogiou Sonik, que se disse maravilhado por ter competido no Brasil.

“Entrei com muita cautela e respeito, e neste rali eu descobri que as pessoas aqui são muito abertas, felizes e prestativas, e todos os meus colegas competidores daqui me diziam o tempo todo para eu ficar tranqüilo, que qualquer coisa que eu precisasse eles me ajudariam. Os brasileiros são as pessoas mais simpáticas que já vi na vida, e eu viajo o mundo todo praticando o meu esporte. Aqui até as árvores sorriem para nós”, brincou o polonês.

“Posso dizer que meu foco não era simplesmente no desafio, mas também no prazer imenso que eu sentia todos os dias competindo. Quando você faz isso, dá tudo certo. A pilotagem foi puro prazer em todas as especiais. Este foi meu 140º rali e me sinto privilegiado. Em nenhum momento me senti inseguro, sempre fui prontamente atendido, as planilhas foram perfeitamente precisas. Não me canso de agradecer à organização por terem proporcionado este rali para nós”, elogiou.

Representante do Ceará, Riamburgo Ximenes alimentava chances de conquistar o título até a última especial, quando um problema mecânico encerrou suas possibilidades. “O rali deste ano exigiu mais dos navegadores, e quem tem navegador bom, o que foi o meu caso, pôde chegar a Fortaleza brigando pela vitória. Tivemos uma penalização de radar no primeiro dia que foi bastante discutida, porque nos anos anteriores não havia tanto rigor já que os equipamentos não eram tão precisos. Assim os pilotos mais experientes relaxaram um pouco nos primeiros dias e tomamos este penal de 20 minutos. Foram minutos que fizeram muita falta no final, porque com eles teríamos brigado o tempo todo, mas fomos correndo atrás do prejuízo. Mas aí houve o penal para os líderes no penúltimo dia, e isso nos deu esperança para vencer o rali e trouxe muita emoção na disputa da última etapa, já que estávamos a 15 minutos do líder e a cinco do segundo”, afirmou.

“Não deu desta vez, mas fica a grande experiência. A ProMacchina fez um trabalho exemplar, foram maravilhosos nos dando um carro muito competitivo. Fomos traídos no final por uma peça de dez reais, um caninho de dez centímetros. De qualquer forma, posso dizer que temos no Brasil um rali que é invejável. O Sertões é duro e prazeroso. O Dakar, apesar de mais longo, cansa menos porque é em linha. Aqui você briga, navega. A Dunas melhora a organização a cada ano: a planilha foi impecável, perfeita, e não tomamos nenhum susto. Com isso, íamos aumentando o ritmo a cada dia, porque fomos tendo a confiança de que ninguém se acidentaria. A imprensa também foi fantástica neste ano, foi uma grande evolução. Os campeões foram sensacionais, fizeram um rali limpo, e me orgulho muito de ter competido com gente desta categoria”, falou Ximenes.

A presença dos jornalistas durante a competição e a atenção dada ao Sertões também foi destacada por David Casteau. “A cobertura da mídia foi fantástica. Mandávamos todo o material para a Europa e percebi que tudo foi recebido muito bem durante todo o rali. Os jornalistas me ligavam de lá para saber como estávamos indo, e esta foi uma surpresa muito boa”, disse.

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