Rally: Um time de campeões brasileiros em busca de um título com gostinho estrangeiro

Os estrangeiros vão marcar presença novamente na categoria carros na 17ª edição do Rally Internacional dos Sertões. Nomes importantes como o do espanhol Carlos Sainz, bicampeão do WRC, e de Nasser Al-Attiyah, do Catar, que chegou a liderar o Dakar este ano entre os carros a bordo de um BMW, estão confirmados na equipe Volkswagem, atual campeã da prova na geral e atual campeã do Dakar. Além do Brasil, Espanha e Catar, mais oito países estarão representados na prova – Portugal, Alemanha, Bélgica, França, Argentina, Chile, Uruguai e Colômbia.

A
boa notícia para os brasileiros é que diferente do ano passado, os
competidores estrangeiros não mais serão beneficiados pelas regras FIA(
Federação Internacional de Automobilismo) que garantia privilégios aos
carros que participavam do campeonato mundial. Além disso, receber
Sainz, Al-Attiyah e seus VW Touaregs, é de grande valia para o
prestígio do evento. 

Porém,
com eles na briga pelo título como ficam as chances dos brasileiros? Se
a crise abala a participação de grandes equipes mundiais, que dirá o
bolso dos times nacionais!


Equipes oficiais de fábrica sempre serão favoritas ao título pela
qualidade técnica dos seus veículos, pelo talento das suas duplas e
pelo investimento recebido. A presença deles chama ainda mais atenção
quando estamos nos referindo aos atuais campeões do Dakar e do próprio
Sertões. Ano passado, Giniel De Villiers venceu a prova com enorme
tranquilidade, os carros de sua equipe ganharam todas as especiais e a
presença deles na competição alavancou o interesse estrangeiro pela
competição”
, relembra Maurício Neves, piloto campeão dos Sertões em 2007, que complementa,
Claro que não temos bolso para competir com eles. No Brasil a cada dia
de corrida fazemos uma manutenção corretiva para sanar os problemas que
surgem naturalmente pelo desgaste do equipamento em condições extremas
de uso. No caso deles a manutenção é preventiva, quando o carro vai
para o apoio trocam tudo que pode vir a dar problema e assim minimizam
ainda mais as chances de algum imprevisto atrapalhar o resultado
almejado, nenhum brasileiro hoje tem saúde financeira para acompanhar
esse ritmo de investimento”.

Maurício
Neves e seu time, a equipe ProMacchina, são sinônimos de vitórias no
Brasil e sabem que um rali como o Sertões se conquista com muito
trabalho.  Atual campeão brasileiro, ano passado ele deu ao público um
gostinho de “eu posso acelerar como eles”  quando na disputa do prólogo
em Goiânia entrou na pista com o sul-africano Giniel de Villiers e não
se deixou impressionar por estar ao lado de um carro considerado
“superior” para muitos. Pisou forte, ganhou a torcida brasileira e fez
o segundo melhor tempo daquele dia.

“Para ganhar vamos precisar contar com tudo aquilo que um campeão precisa ter: sorte na hora certa e andar rápido com competência.
O fato deles terem vindo não quer dizer que já venceram. A prova não
começou e o rali é duro. Ano passado tivemos muitos problemas logo nos
primeiros dia de competição. Tanto o meu carro quanto o do Fellipe
estavam ainda nos ajustes finais de desenvolvimento e praticamente não
conseguimos andar no nosso ritmo de prova, por fim acabamos optando por
parar. Este ano nossos carros já estão com a receita testada e afinada”
, explica Neves.

Para
este ano, os preparativos da ProMacchina estão bem adiantados. A equipe
estará presente na prova com as duplas Maurício Neves/ Leandro
Ferrarini, Fellipe Bibas/ Emersson Cavassim e com Riamburgo Ximenes/
Stanger Eller, dupla atual campeã dos Sertões na categoria Protótipos.

“Do
time, sou o único que ainda não conquistou um título no Sertões,
portanto meu foco continua sendo vencê-lo mesmo com toda a concorrência
estrangeira presente. Me sinto preparado tecnicamente, trabalhei meu
condicionamento físico para aguentar bem qualquer tipo de trecho, meu
carro está muito bom, conheço bem o Sertões e suas características.
Existe uma verdade que transforma o sonho de vitória em possibilidade
real, aprendemos pelas trilhas deste país que em um rali tudo pode
acontecer. Eu creio nisso e faço minha parte, quando o rali largar a
sorte estará lançada e vou apostar na briga pela vitória”
, disse Fellipe Bibas.

“Quando
venci o Sertões na geral em 1999, eu surpreendi a todos, ninguém
acreditava que aquele desconhecido vindo lá do Ceará pudesse colocar no
bolso os então grandes nomes do rali nacional. Venci porque sonhei,
acreditei, trabalhei e não me deixei intimidar por ninguém. Meu time
era amador total, meu carro preparado pelo meu mecânico e amigo Beto
Salles, que também virou navegador. Naquele ano, lembro de ter vendido 
meu carro para custear as despesas da prova e fiquei durante um tempo
andando na Kombi da minha empresa até comprar um outro carro. De lá pra
cá muita coisa mudou, o rali se profissionalizou muito no Brasil,
aprendi com vitórias e derrotas também. Mas, por continuar com a mesma
visão de 1999, venci em 2004 na categoria Prodution, em 2005 na
SuperProdution e ano passado na categoria Protótipos quando muita gente
achava que não daria certo. Continuo sonhando, acreditando e
trabalhando rumo à conquista de um novo título na geral. Como disse o
Fellipe, em rali tudo pode acontecer, e na ProMacchina nós estamos
querendo fazer acontecer”
comenta  Riamburgo Ximenes.

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