Stock: Equipe Medley critica os capôs voadores da Stock Car

Xandinho Negrão e William Starostik põem os pés de molho depois da prova.

“Não podemos pagar por um erro de construção do carro”. Esta foi a justificativa do diretor-técnico da Equipe Medley, Andreas Mattheis, para afrontar a decisão dos comissários desportivos da CBA e manter o piloto William Starostik na pista sem o capô do motor. O paranaense foi uma das vítimas do problema que afetou cerca da metade dos 32 novos carros da Stock Car na abertura da temporada-2009 neste domingo em Interlagos. Um deles foi o paranaense Ricardo Zonta, que também ignorou a ordem, cruzou na linha de chegada sem a cobertura do motor e foi excluído da corrida, a exemplo de Starostik. O pole Paulo Salustiano liderou a maior parte das 25 voltas, herdou a ponta e comemorou sua primeira vitória na categoria.

A Medley fez uma dobradinha de equipes e pilotos em 2008. Hoje, no entanto, a exemplo da maioria das equipes, enfrentou um complicado início de campeonato, comprometido pela confiabilidade ainda limitada do carro que estreou neste fim de semana sem uma bateria de testes adequada. “Não é preciso nem bater para o capô sair voando. Basta se aproximar do carro que vai à frente”, criticou Mattheis, revoltado com o festival de capôs voadores que marcou a prova inaugural de 2009. “E o interessante é que o carro fica um segundo mais rápido por volta sem o capô”, espantou-se o dirigente, que disparou contra a batelada de punições aplicadas pela direção de prova. “Uma coisa é uma peça ameaçando se soltar e colocando os demais em perigo. Um carro sem capô não oferece risco a ninguém.”

Na avaliação de Mattheis, a imagem negativa deixada pela Stock Car neste domingo poderia ter sido evitada. “É o preço que estamos pagando pela falta de testes. Se forem dadas as condições necessárias, em três ou quatro corridas os problemas estarão sanados. Senão, continuaremos enfrentando uma série de quebras”, previu.

Além dos capôs voadores, os carros continuaram manifestando defeitos verificados desde o início da semana. Starostik e o companheiro de equipe, o estreante Xandinho Negrão, precisaram colocar os pés num reservatório de água gelada na volta aos boxes. “A pedaleira ficou muito quente na parte final da prova”, afirmou Starostik. “Eu não conseguia acelerar nem frear porque os pés queimavam”, reclamou Xandinho.

Na véspera, a troca obrigatória de pneus foi cancelada. “As equipes não estavam conseguindo fazer a troca porque as rodas não encaixam direito”, informou Mattheis, cuja estratégia de corrida em relação a Xandinho acabou prejudicada por outra medida da CBA anunciada na manhã de domingo, poucas horas antes da largada: a antecipação do reabastecimento para o 20º minuto, dez antes do estabelecido pelo regulamento particular da prova. Saindo na última fila, Xandinho deveria colocar um jogo de pneus novos antes do reabastecimento e, com o carro mais rápido, buscar as ultrapassagens. Com a alteração do horário, a tática foi deixada de lado. Mesmo assim, fazendo uma corrida cuidadosa e evitando os acidentes, Xandinho conquistou um ótimo 13º lugar e somou os três primeiros pontos na categoria. “Quando vi os capôs voando, percebi que o melhor era manter uma distância segura dos carros à frente.” Starostik foi um dos vários pilotos excluídos.

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