Stock: No Rio, pneus são mais importantes que em outras pistas

Asfalto abrasivo do autódromo de Jacarepaguá prova acentuada queda de rendimento dos carros quando equipados com pneus usados.

“Quem quiser ganhar aqui no domingo vai ter, antes, que fazer um ‘carro-Rio’. Isso passa necessariamente pelo bom entendimento com o uso dos pneus”. A afirmação do engenheiro francês Patrick Grandidier, da JF Racing, sugere parte do desafio que as equipes da Copa Caixa Stock Car terão na quarta etapa, que confrontará os 34 pilotos na manha de domingo (23) no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
A alta abrasividade do asfalto da pista carioca fará a diferença no acerto dos carros, segundo Grandidier. “Nas outras pistas em que já corremos neste ano, a diferença entre usar os pneus novos ou os pneus usados é de quatro ou cinco décimos de segundo por volta. Aqui, até agora, tem ficado na casa de um segundo e meio, um segundo e oito décimos. Até dois segundos, em alguns casos”, disse o engenheiro, após os treinos livres desta sexta-feira (21).
Jorge Freitas, chefe da equipe defendida pelos pilotos Alan Hellmeister e Júlio Campos, reconhece a necessidade peculiar. “O piso aqui é o mais abrasivo entre as pistas onde já corremos neste ano. Nosso dilema é fazer um carro rápido, mas ao mesmo tempo conservador, que seja constante na corrida”, explicou. Para a corrida, Freitas prevê uma estratégia padronizada. “É quase certo que todas as equipes vão trocar os quatro pneus no pit stop” arriscou.
Campos, que conquistou o terceiro lugar na corrida passada, no circuito gaúcho do Velopark, avaliza a precaução quanto ao desgaste de pneus. “Essa pista é tão abrasiva que parece ser feita de lixa”, comparou. Hellmeister comparou o desempenho com pneus novos e usados. “Com os novos vem muito tempo, mas não dá para se iludir, nem para bem, nem para mal. Mesmo olhando o grid, vai ser difícil saber a realidade de corrida de cada um”, ponderou.
Grandidier frisa que em nenhuma outra pista o trabalho acerca dos pneus influencia tanto o resultado. “Sempre falamos em acerto, mas em nenhum lugar o acerto e a calibragem são tão importantes quanto aqui”, disse, ratificando que as equipes terão um desafio a mais no equilíbrio das configurações técnicas de seus carros. “Não adianta ter um carro meio segundo mais rápido nas primeiras voltas e um segundo e meio mais lento depois de dez voltas”, justificou.
Nesse contexto, uma pilotagem conservadora será primordial durante os 50 minutos da corrida. “A ordem é preservar os pneus, principalmente os traseiros, pensando na tração”, explanou Guto Negrão, diretor esportivo da JF Racing – a equipe carioca tem em seus dois carros as cores e logomarcas de Banco BVA, Cosan e Proauto. “Quem trocar os quatro pneus muito cedo corre um sério risco de chegar ao fim da corrida praticamente sem pneus”, alertou.
A quarta etapa da Copa Caixa Stock Car, neste domingo, terá largada às 11h, com transmissão ao vivo pelo canal por assinatura SporTV – a geração de imagens estará a cargo da paranaense Master TV. A liderança do campeonato é do paulista Átila Abreu, com 49 pontos. Ricardo Maurício, com 45, Max Wilson, com 39, Flávio “Nonô” Figueiredo, com 33, Allam Khodair, com 25, e Campos, com 24, completam as seis primeiras posições na classificação.

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