Stock: Pilotos de oito estados tentam derrubar domínio dos paulistas

Crescimento da categoria fora de seu principal centro chama atenção na temporada que terá quarta etapa neste domingo em Interlagos.

A hegemonia do estado de São Paulo na história da Stock Car nacional é indiscutível. Em 28 temporadas, os pilotos paulistas conquistaram 22 títulos brasileiros. O autódromo do bairro paulistano de Interlagos é, disparado, o que mais recebeu corridas da categoria. Uma análise mais minuciosa das vastas estatísticas da categoria seria capaz de criar uma lista imensa de quesitos em que São Paulo se sobrepõe aos demais estados.

Esse domínio histórico projeta-se em fatores que marcam a temporada de 2007 da Copa Nextel Stock Car V8, que tem seqüência neste domingo (17) com a quarta das 12 etapas previstas no calendário. Um domínio que, aos poucos, vê-se ameaçado pela expressiva participação de pilotos e equipes de outros estados – uma conseqüência direta do alto nível de expansão técnica, logística e midiática que a competição tem mantido nos últimos anos.

A prova deste domingo em Interlagos recebeu 48 inscrições. Destas, mais da metade levam assinatura de pilotos paulistas, 26 no total. Também disputaram os primeiros treinos livres 11 representantes do Paraná, quatro do Rio de Janeiro e dois de Goiás – Mato Grosso do Sul, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraíba entraram na disputa com um piloto, cada. O grid da prova, que terá largada às 13 horas, terá 38 pilotos.

A verve paulista da Stock Car V8 acompanha uma tendência nacional. “O automobilismo brasileiro acontece praticamente só em São Paulo”, observa Ruben Fontes, da equipe Neo Química-Neosoro/JF Racing. “Em outros estados, não há apoio ou autódromos decentes, o surgimento de novos pilotos fora de São Paulo gera uma luta constante, há pilotos competitivos em todo lugar. Enfrentamos uma forte maré. Ainda assim, os outros estados têm ganhado força”, observa.

Fontes é piloto de Goiás, estado que conquistou dois títulos na Stock Car – em 1982, com Alencar Júnior, e em 1986, com Marcos Gracia. Seu companheiro de equipe, Valdeno Brito, é o único nordestino que disputou todas as corridas do ano. Piloto da Paraíba, ele vê a Stock Car como “alvo de todos os pilotos de turismo do país”. “Mesmo numa região sem tradição no automobilismo, como o Nordeste, sempre há pilotos almejando a categoria”, diz.

Brito vê o bom funcionamento do processo automobilístico de São Paulo, em todas as fases. “Os paulistas têm um autódromo e kartódromos muito bons, é natural que o número de pilotos inscritos seja maior. Nós, do Nordeste, temos uma desvantagem enorme, porque temos poucos autódromos e kartódromos, mas lá há muitos pilotos talentosos, que talvez só precisem de uma oportunidade. Com os paulistas e paranaenses, acontece o contrário”, lembra.

O campeonato deste ano começou também em Interlagos, no dia 22 de abril, numa prova que marcou a primeira vitória na categoria de Ricardo Maurício, piloto paulista. Nas duas corridas seguintes, em Curitiba e Campo Grande, dois paranaenses estiveram no degrau mais alto do pódio – Rodrigo Sperafico e Tarso Marques, respectivamente. A liderança na tabela de classificação estão nas mãos do paulista Thiago Camilo, com 40 pontos.

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